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Transição indica como um líder poderá governar

Obama chega à presidência nesta terça-feira, após uma transição que indicou nenhuma transpiração ou nervosismo. Por todos os 77 dias desde a eleição, ele tem sido uma fonte de confiança tranquila, nunca nem fervoroso e nem frio demais, aparentemente não intimidado pela magnitude dos problemas que o aguardam e não incomodado pelos poucos revezes que sofreu.

Ele continua difícil de ler ou rotular – centrista em suas indicações e bipartidário em seu estilo, mas também promovendo a maior expansão do governo em gerações. Ele cruzou velhas fronteiras para formar metodicamente a base de um governo encarregado de retirar o país da crise, mas apesar de toda a extensão, ele deixou claro que está centralizando as políticas na Casa Branca.

Ele no final terá que escolher entre conselhos e prioridades concorrentes, correndo o risco de decepcionar ou enfurecer os eleitores que, por ora, ainda veem nele o que esperam ver.

O que o país viu sobre seu estilo de liderança até o momento evoca a disciplina de George W. Bush e a curiosidade de Bill Clinton. Obama não se intimida de tomar decisões e tomá-las rapidamente – ele formou sua equipe em tempo recorde – mas também busca explorar o diálogo intelectual do país em um momento de grande agitação. Ele estabeleceu as idéias para a governança muito antes de assumir o cargo, mas também adaptou os detalhes à medida que as condições mudaram.

Mais do que qualquer presidente desde que era menino, Obama assumiu um lugar na sociedade que vai além da liderança política. Ele é tanto um símbolo quanto substância, um ícone para a juventude e um sinal de libertação para uma geração mais velha que nunca acreditou que um homem com sua cor de pele subiria aqueles degraus para jurar preservar, proteger e defender uma Constituição que considerava um homem negro como três quintos de uma pessoa.

Ele é um presidente-celebridade em uma cultura de celebridades, badalado por sua foto sem camisa na praia e presente na capa de todas as revistas, da “Foreign Policy” até a “People”. O que seus adversários políticos buscaram retratar na campanha como arrogância, agora é apresentado por seus assessores como à vontade diante do poder e das responsabilidades que o acompanham.

“Ele meio que vive em uma zona livre de ressentimento”, disse John D. Podesta, co-presidente de sua equipe de transição. “Ele é capaz de trazer muita informação e tomar boas decisões. Ele sabe que cometerá erros. Ele também sabe que é preciso fazer o melhor que é possível, tomar decisões difíceis e seguir em frente.”

Fonte: Folha Online/Washington Post

Marjorie Salu

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