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Somos mesmo os mais inteligentes?

Achar que o ser humano não é superior a nenhuma outra espécie é até razoável. Mas podemos dizer que somos pelo menos os mais inteligentes? Afinal, temos autoconsciência e colocamos bichos na gaiola para serem estudados, e não o contrário. Para os cientistas, isso é relativo.

“Não temos capacidade de avaliar se há outro ser vivo com consciência de si próprio”, ironiza a pesquisadora Maria Isabel Landim, do Museu de Zoologia da USP. “O intelecto nos trouxe inúmeras vantagens: aprendemos a adaptar o ambiente às nossas necessidades, a obter energia para viver, por exemplo”, diz. “Mas até hoje não conseguimos desvendar por completo mecanismos de alguns seres, como formigas e aranhas, que são altamente complexos”.

No livro “Charles Darwin – Em um futuro não tão distante”, que reúne artigos de diversos especialistas, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel brinca com a idéia de que o ser humano já tentou de tudo para justificar seu destaque no planeta.

Uma das apostas para explicar a inteligência humana, por algum tempo, foi o tamanho relativo do nosso cérebro. Mas se a hipótese fizesse sentido, os camundongos, que carregam 10% do corpo na cabeça, dominariam a Terra.

“Nosso cérebro não é maior do que o esperado, nem possui mais neurônios do que o esperado. Por outro lado, podemos dizer que, como outros primatas, somos especiais em relação a outros mamíferos, como os roedores, por exemplo: possuímos muito mais neurônios do que seria esperado para um roedor com a mesma quantidade de cérebro”.

Herculano-Houzel contou ao UOL Ciência e Saúde que, atualmente, estuda o número de neurônios de homens pré-históricos, trabalho que ela faz com colaboração do cientista Jon Kaas, da Universidade de Vanderbilt.

Segundo ela, os ancestrais humanos tinham mais neurônios que gorilas e orangotangos, mas menos que o Homo sapiens. “Talvez graças à presença de tantos neurônios, temos também a capacidade de acumular e transmitir cultura, o que acelera muito nossa capacidade cognitiva, mesmo que tenhamos o mesmo cérebro de duzentos mil anos atrás”, avalia.

E amanhã, é possível que algum primata bem selecionado nos supere? “Uma espécie que evoluísse seguindo as mesmas regras que nós e tivesse ainda mais neurônios no cérebro deveria ser ainda mais capaz em termos cognitivos do que nós, humanos. Aparentemente, isso ainda não aconteceu – mas é sempre uma possibilidade… Só as próximas centenas de milênios dirão!”.

Fonte: Tatiana Pronin/Editora do UOL Ciência e Saúde

Marjorie Salu

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