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Recado do Bric é que o mundo precisa dividir o poder

Os líderes de Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados Bric, se reuniram para discutir uma alternativa ao dólar como moeda de referência em suas transações. Esses quatro países emergentes têm 40% das reservas mundiais, o que significa algo como US$ 2,8 trilhões, sendo 70% desse valor em moeda americana. A China tem a maior parte dessas reservas. Se eles tomarem ações contra o dólar, portanto, vão perder dinheiro. Mas, no médio prazo, o dólar tende a deixar de ser a moeda dominante, até pela confusão monetária e fiscal americana.

Essa reunião, que ocorreu na Rússia, mostra um outro fato mais importante: existe uma nova ordem se formando no mundo e potências médias serão cada vez mais influentes. O G-7 (formado pelos sete países ditos mais industrializados e desenvolvidos) tem a Itália entre seus membros, mas não tem a China. E qual dos dois países é mais relevante no mundo de hoje: a Itália ou a China?

Há ainda outras potências médias relevantes como África do Sul, México, Austrália. O grande recado dessa reunião é que o mundo tem que mudar e dividir o poder.

Os países do Bric têm, no entanto, diferenças gigantescas entre eles. Como grupo, eles têm muitas contradições. A China é uma grande importadora de petróleo, enquanto a Rússia é uma grande exportadora. A China já vê como potência consolidada, e não mais como emergente. Mas ela tem atrasos sociais, econômicos e políticos de país não desenvolvido.

A Rússia já foi mais poderosa. Perdeu PIB, perdeu diversidade econômica. Hoje depende basicamente do petróleo, e até a população encolheu. Já a Índia é um polo de alta tecnologia, mas tem atrasos sociais gritantes: metade das mulheres indianas é analfabeta. O Brasil é grande produtor de commodities metálicas e agrícolas, mas não consegue manter seu crescimento econômico por longo tempo. Há vários conflitos comerciais e interesses divergentes entre esses países.

Na geopolítica, temos vantagens. Rússia, Índia e China têm armas nucleares. Nós não. Os três países estão em regiões com disputas territoriais e conflitos étnicos e políticos graves. O Brasil está em uma região pacífica e sem inimigos externos. Isso é uma grande vantagem. Podemos nos concentrar no desenvolvimento.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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