Ainda Darwin, e sua obra contra os dogmas
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Eu sou apaixonado por Aldous Huxley desde que na adolescência li O Estranho Mundo Novo. Por causa de Aldous, encontrei a sua ilustre família de brilhantes intelectuais, começando com seus irmãos, Sir Julian Huxley, primeiro diretor da UNESCO e fundador do World Wildlife Fund, e Sir Andrew Huxley, notável fisiologista e ganhador do Prêmio Nobel.
Mas bom mesmo foi seu avô, um dos principais cientistas ingleses do século XIX, biólogo, Thomas Henry Huxley, nascido no ano de 1825. em Ealing, Middlesex. Thomas, pelo seu destemor em defesa do darwinismo foi apelidado de “O Buldogue de Darwin”, pela ação pública, corajosa e apaixonada divulgando a Teoria da Evolução.
Descobri Thomas Huxley quando comecei a pesquisar a vida e a obra de Charles Darwin para engajar-me nas homenagens a ele prestadas na passagem do seu bi-centenário, a 12 de fevereiro, pela intelectualidade livre de peias dogmáticas.
Num portal em que infelizmente perdi no vai-vém da garimpagem, encontrei um acervo de aforismos de Thomas Darwin. Ali achei um pensamento curto e grosso que diz tudo o que penso sobre a liberdade de pensar e pesquisar: “A ciência comete suicídio quando adota um credo”.
Daí, levantei um precioso material sobre a atividade do Buldogue protegendo as idéias evolucionistas de Darwin. Ele era amigo pessoal e um dos poucos confidentes a quem Darwin apresentou sua teoria ainda em elaboração. Incentivou a publicação da Origem das Espécies e foi seu primeiro divulgador.
A comunidade científica britânica mostrou-se, a principio, favorável às idéias levantadas em artigo científico de Darwin, em conjunto com Alfred Russel Wallace, sobre a Teoria da Evolução escrito para a revista da Linnean Society. Wallace chegara às mesmas conclusões em estudos independentes de Darwin.
A resistência ao pensamento revolucionário esperada pelos três cientistas, demorou a chegar. Então eles ganharam tempo para vulgarizar a teoria, agitando os meios científicos londrinos, provocando mudanças de paradigma e exaltação à ciência inglesa.
À frente da propaganda estava Thomas Huxley, orador talentoso e feroz, pronto a revidar qualquer ataque. Isto lhe valeu o apelido, que aceitou com bom humor, a ponto de dizer em sala de aula: “vocês sabem que eu tenho que tomar conta dele… De fato, eu sempre tenho sido o buldogue de Darwin”…
Então a oposição religiosa apareceu na pessoa do bispo Samuel Wilberforce e seu acólito Richard Owen. O primeiro debate sobre Evolução ocorreu em 30 de junho de 1860, na Universidade de Oxford, sob o tema “Darwinismo e Sociedade”.
A afluência de cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos foi supreendente, obrigando a Universidade a transferir o evento para uma sala maior, onde compareceu um público de 700 a 1.000 pessoas .
Foi vitoriosa a participação de Huxley na contenda. Embora não tenha havido anotações, a intervenção dele ficou nos anais acadêmicos e a reunião foi considerada um dos grandes acontecimentos científicos da História, um verdadeiro confronto entre a religião e a ciência.
Referindo-se ao acontecido, Darwin escreveu modestamente que “De tudo o que escuto de várias partes, parece-me que Oxford fez um grande bem ao assunto. É de grande importância mostrar ao mundo que uns poucos homens de primeira não têm medo de expressar sua opinião. Eu vejo todo dia mais e mais claramente que meu livro, sem ajuda, não teria feito nada”.
O enfrentamento aos dogmas ainda vigentes se arrasta graças ao sectarismo religioso e conservadorismo cultural. Mas uma coisa é certa: é perigoso ter conhecimento da verdade e nenhum espírito independente está completamente livre para defender idéias que se chocam com as idéias da classe dominante…
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