O Barco Ébrio
Como descesse ao léu nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado aos sirgadores;
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.
Estava indiferente às minhas equipagens,
Fossem trigo flamengo ou algodão inglês.
Quando morreu com a gente a grita dos selvagens,
Pelos Rios segui, liberto desta vez.
……………………………..
Mais doce que ao menino os frutos não maduros,
A água verde entranhou-se em meu madeiro, e então
De azuis manchas de vinho e vômitos escuros
Lavou-me, dispersando a fateixa e o timão.
Eis que a partir daí eu me banhei no Poema
Do Mar que, latescente e infuso de astros, traga
O verde-azul, por onde, aparição extrema
E lívida, um cadáver pensativo vaga;
……………………………..
Se há na Europa uma água a que eu aspire, é a mansa,
Fria e escura poça, ao crepúsculo em desmaio,
A que um menino chega e tristemente lança
Um barco frágil como a borboleta em maio.
Não posso mais, banhado em teu langor, ó vagas,
A esteira perseguir dos barcos de algodões,
Nem fender a altivez das flâmulas pressagas,
Nem vogar sob a vista horrível dos pontões.”
Rimbaud
O Poeta
Revolucionar a poesia francesa dos 16 aos 21 anos de idade e morrer doente aos quase 37, após vários anos desbravando o norte da África como empreiteiro e comerciante de armas. Esse é o resumo, superficialíssimo da vida de Jean-Nicolas-Arthur Rimbaud, nascido em 20 de outubro de 1854, na pequena cidade de Charleville, que fica na região de Champagne-Ardene, noroeste da França, fazendo fronteira com a Bélgica. Interessante é a bandeira dessa província: dois corações, um verde e um amarelo, entrelaçados – brasileiríssimo.
Interessantemente as influências deste jovem poeta, na época apelidado até de L’enfant Shakespeare (o jovem Shakespeare) não morreram junto com ele, pelo contrario, continuam crescendo a cada dia. Até hoje muitos – não só poetas – conclamam Rimbaud como uma importante influência. Nesse time estão pessoas do quilate de Vinícius de Moraes; os Simbolistas e Surrealistas; Cazuza; Jim Morrisson e outros tantos Beatniks como Jack Kerouac, William S. Burroughs e Allen Ginsberg. A ideologia libertária da juventude revolucionária dos anos 60 e 70 encontrou respaldo na poesia e na própria vida de Rimbaud. Enfim, o conceito de liberdade na cultura ocidental tem um toque desse revolucionário poeta menino.
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