Categorias: Notas

Poesia

EU, ARAGUAIA E TU

Eu, Araguaia e tu, um tempo só.

Abraamicamente numerosas,

nos garantem o sonho proibido

as estrelas, lá fora canceladas.

O ipê batiza ainda com ouros gratuitos

o Silêncio, o que nós, ó Araguaia,

conseguimos salvar dos invasores.

Sempre ainda encontramos — eu e tu —

a pergunta inquietante de uma garça, na beira,

provocando respostas, acordando o Mistério.

Tu estavas, no princípio,

de acordo com a Lua, sacerdotisa virgem,

alfombrando as cadências do Aruanã sagrado.

Os potes Karajá recolhiam teus olhos

e os peixes costuravam de prata teu banzeiro.

Ainda o Padim Ciço não mostrara

tua bandeira Verde aos retirantes.

Não havia Funai, Sudam, nem Incra.

Eram

Deus

e as Aldeias.

DOM PEDRO CASALDÁLIGA

Dom Pedro Casaldáliga CMF, nascido Pere Maria Casaldàliga i Pla, (Balsareny, 16 de fevereiro de 1928) é um bispo católico catalão.

Ingressou na Congregação Claretiana em 1943, sendo sagrado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Em 1968, mudou-se para a Amazônia Brasileira.

Foi nomeado administrador apostólico da prelazia de São Félix do Araguaia no dia 27 de abril de 1970. O Papa Paulo VI o nomeou bispo prelado de São Félix do Araguaia (Mato Grosso), no dia 27 de agosto de 1971. Sua ordenação episcopal deu-se a 23 de outubro de 1971, pelas mãos de Dom Fernando Gomes dos Santos, Arcebispo de Goiânia e de Dom Tomás Balduino, OP e Dom Juvenal Roriz, CSSR. Foi bispo da sé titular de Altava até 1975.

Adepto da teologia da libertação, adotou como lema para sua atividade pastoral: Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar. É poeta, autor de várias obras.

Dom Pedro já foi alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave, em 12 de outubro de 1976, ocorreu no povoado de Ribeirão Bonito (Mato Grosso). Ao ser informado que duas mulheres estavam sendo torturadas na delegacia local, dirigiu-se até lá acompanhado do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier. Após forte discussão com os policiais, o padre Burnier ameaçou denunciá-los às autoridades, sendo então agredido e, em seguida, alvejado com um tiro na nuca. Após a missa de sétimo dia, a população seguiu em procissão até a porta da delegacia, libertando os presos e destruindo o prédio. No local foi erguida uma igreja.

Por cinco vezes, durante a ditadura militar, foi alvo de processos de expulsão do Brasil, tendo saído em sua defesa o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.

No ano 2000, foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas.

Apresentou sua renúncia à Prelazia, em conformidade ao Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico, em 2005. No dia 2 de fevereiro de 2005 o Papa João Paulo II aceitou sua renúncia ao governo pastoral de São Félix.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

Marjorie Salu

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