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Onde Darwin é só mais uma teoria

Nas escolas evangélicas, os alunos aprendem

que o evolucionismo existe, mas que a razão está com a Bíblia.

Alunos do Colégio Adventista Unasp com seus livros de ciências

As escolas brasileiras ligadas a instituições religiosas sempre ensinaram o criacionismo. Seja nas aulas de religião, seja nos cultos, os alunos aprendem que Deus criou o mundo e todos os seres que o habitam. A triste novidade é que, na maioria das escolas mantidas por confissões evangélicas, o criacionismo passou a ser ensinado também nas aulas de ciências e de biologia, dividindo território com o evolucionismo de Charles Darwin.

No fim do ano passado, o Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo, trocou os livros convencionais de ciências do ensino fundamental I por apostilas traduzidas da Associação Internacional das Escolas Cristãs nos Estados Unidos. Com o novo material didático, até a 4ª série os alunos da instituição aprendem apenas a versão criacionista do mundo e da vida. Da 5ª série em diante, Darwin entra em cena.

O evolucionismo passa a fazer parte das aulas de biologia, mas informa-se aos alunos que, entre as duas teorias, a escola prefere aquela amparada na Bíblia. “Não viramos criacionistas do dia para a noite.

Nossa escola tem 138 anos, e durante todo esse tempo fomos criacionistas”, diz a professora Débora Muniz, diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie.

Débora Muniz, diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo, defende a troca dos livros de ciências convencionais por apostilas de conteúdo criacionista até a 4ª série, feita no ano passado: "O evolucionismo é apresentado no momento certo"

Os adventistas, que mantêm a maior rede de escolas evangélicas do país, com 130 000 alunos, optaram por outro caminho para ensinar o criacionismo em sala de aula. Há cinco anos, empreenderam uma total reformulação nos livros didáticos de ciências produzidos por uma das 56 editoras mantidas pela igreja. Agora, os livros contrapõem a teoria bíblica à ciência em diversos capítulos, deixando claro que consideram que a segunda nem sempre é verdadeira.

No capítulo das origens do universo e da vida, Darwin é impiedosamente surrado. Diz o texto a certa altura, tropeçando no português: “Muitos ensinam a evolução como se ela fosse um fato cientificamente comprovado. Isso não é verdade e nem honesto, já que não se podem provar cientificamente as origens da vida”. Os criacionistas sustentam suas posições antidarwinistas alegando que o criacionismo não se mantém apenas pela fé, mas também pela comprovação científica.

Diz o professor Nahor Neves de Souza Júnior, do Centro Universitário Adventista de São Paulo: “As descrições literais e históricas da Bíblia, incluindo o livro do Gênesis, estão sendo progressivamente confirmadas pelas mais recentes descobertas arqueológicas no Oriente Médio”.

Fonte: Veja

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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