Categorias: Notas

Ninguém quer relatar o caso do deputado do castelo

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PR-BA), se encontra numa encruzilhada.

Conforme já noticiado aqui, ele decidiu afastar Sérgio ‘Estou me Lixando’ Moraes da função de relator do caso Edmar Moreira.

Afastando-o, terá de nomear outro relator. O diabo é que ninguém quer segurar o abacaxi.

Baiano, quando chega à encruzilhada, costuma fazer um despacho. A macumba de José Carlos terá de ser das boas.

Ele já dispõe de um pedido formal de destituição do colega que “se lixa”. Foi protocolado, nesta segunda (11), pelo DEM.

Mas, noves fora a dificuldade de achar um novo relator, José Carlos tem de aturar a insensatez do velho.

Sérgio Moraes lixa-se também para a aversão dos colegas. Adotou um lema de resistência carnavalesco: Daqui não saio, daqui ninguém me tira.

Ele jura que, confirmando-se a destituição, vai bater, veja você!, às portas do STF. “Eles me substituem, eu entro no tribunal e vou buscar meus direitos”.

O quase-ex-relator julga-se, imagine você!, vítima de molecagem. E diz que a Câmara “não é Casa de moleque”.

O caso Edmar Moreira pôs a Câmara cara a cara com um desses momentos fatais. Um instante comparável ao da cobrança de um pênalti.

Desdenhada por Sérgio Moraes, a Opinião Pública vê o Conselho de Ética como uma espécie de goleiro. Do pior tipo. Um frangueiro.

A platéia não espera senão que o Conselho engula o pênalti. A manobra da substituição do relator é mero esforço para ajeitar a pantomima da absolvição.

Ninguém imagina que a “bola” Edmar Moreira deixará de atravessar a linha fatal. Mas o goleiro tenta passar a impressão de que, pelo menos, se esforçou.

É pouco, muito pouco, pouquíssimo. O que a torcida deseja é um Conselho de Ética que faça as vezes de artilheiro.

Marcar o pênalti da cassação de Edmar Moreira não é mais do que sua obrigação. Falhar significa que o Conselho não merece o salário que ganha da Viúva. Muito menos o respeito do contribuinte.

Um jogador que perde o gol feito desce à crônica esportiva como traidor do clube. Um deputado que se rende ao corporativismo vai ao noticiário político como representante indigno.

A falta cometida por Edmar Moreira no centro da grande área não deixou margem à dúvida. Meteu a mão num naco da verba indenizatória. Coisa de R$ 230 mil.

Alegou que a grana pagou serviços de segurança contratados em empresas de sua propriedade. As notas eram seriadas.

Instado a dar os nomes dos agentes que lhe proveram segurança, Edmar deu de ombros. Não conseguiu demonstrar que o serviço foi efetivamente prestado.

A torcida observa com atenção inaudita a forma como o Conselho de Ética ajeita a bola. Chutar raspando na trave não resolve. Exige-se o gol.

Só o balançar das redes livra a Câmara de um vexame. Mais um.

Fonte: Josias de Souza

Miranda Sá

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