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IDEOLOGIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uo.com.br)

                                                            “Meus inimigos estão no poder
                                                             Ideologia
                                                             Eu quero uma pra viver
                                                              Ideologia
                                                              Eu quero uma pra viver”
                                                                             Cazuza/Roberto Frejat

Os curtidores do rock brasileiro, não esquecem a “Ideologia” dos anos 1980; mas a palavra “ideologia” nunca esteve tão presente como agora, compondo artigos, textos e discursos, na expressão analítica da política.

O idealista Hegel e o materialista Marx foram convergentes na concepção da ideologia. Hegel viu-a como uma separação da consciência em relação a si própria, e Marx apontou-a como causadora da alienação do homem.

Intelectuais da direita ou da esquerda despertaram para a presença permanente e eficaz da ideologia exprimindo idéias econômicas, jurídicas, políticas e religiosas no confronto de pensamentos que agita a sociedade.

Na minha juventude os professores de Filosofia (que adentravam na Sociologia) inculcavam a ideologia como produto das relações de produção. Prendiam-se à visão alemã de que era o trabalho, artístico, intelectual ou manual que originava a consciência da realidade. E apontavam os improdutivos com o termo “lupen-proletariat”, uma fração social alienada.

A contemporaneidade ampliou o conceito de ideologia. Ensina que há muitas ideologias, tantas quanto às estrelas do céu… Hoje, são limitados os que não vêem a ideologia como um conjunto de idéias individuais ou de grupo, olhando-a só pelo seu aspecto político, e rotulando-a.

É por isso que nos deparamos com anúncios luminosos indicadores de ideologias, anarquista, capitalista, comunista, conservadora, fascista, democrática, progressista, enfim, apenas faccionárias, como bandeiras de partidos.

Tal concepção impede-nos a ver o surgimento de “aparelhos ideológicos” como braços institucionais, e que o Estado se mantém através deles… Numa República, os aparelhos ideológicos de Estado são os três poderes e seus inumeráveis tentáculos; e no caso de surgirem governos ditatoriais ou populistas, as ventosas desses tentáculos alcançam a sociedade civil, cooptando organizações ou se infiltrando nelas.

O filósofo Louis Althusser observou o uso de “aparelhos ideológicos” para a conquista do poder, assumindo-o paralelamente ao Estado como um governo paralelo. Tornam-se representações artificiais constituindo e impondo o domínio sócio-político; é com eles que entra em campo a teoria gramsciana de usar a ideologia para mascarar a realidade.

No Brasil da Era PT assistimos a atuação desses grupos, introduzindo-se nas organizações civis. É o lulo-petismo abrindo caminho para a implantação de uma ditadura bolivariana narco-populista.

Começam pela escola, distorcendo a História e deletando os valores da nacionalidade para facilitar a cooptação das entidades estudantis, como a UNE; infiltram-se nos meios de comunicação e nas artes; e estendem-se aos movimentos sociais, controlando associações, conselhos, corporações, sindicatos e até centros religiosos.

É nesse quadro que se desenha a atraente “democracia direta” proposta pelo decreto fascista 8243.  Prepara-se a entrega do poder a organizações sem autenticidade nem independência. Serão indicados de cima para baixo os conselhos sob controle do PT e seus satélites.

É ai que mora o perigo de submeter-se a Nação a uma ditadura populista apátrida, que subtrairá a livre escolha da autêntica representação democrática e republicana. Por isso, é fundamental que os brasileiros acordem com a cadência da marcha batida do PT e a pressão dos seus “aparelhos ideológicos”.

É preciso impedir o golpe tramado contra a Democracia, sufocando as liberdades constitucionais.

Miranda Sá

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