Categorias: Poesias

Hilda Hilst

É crua a vida. Alça de tripa e metal

Nela despenco: pedra mórula ferida.

É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.

Como-a no livor da língua

Tinta,  lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me

No estreito-pouco

Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida

Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.

E perambulamos de coturno pela rua

Rubras, góticas, altas de corpo e copos.

A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.

E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima

Olho d’água, bebida. A Vida é líquida.

Alcoólicas (1990)

Biografia de Hilda Hilst aqui.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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