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Energia

Bolívia não pode reclamar de redução do consumo de gás

O governo boliviano não pode reclamar da decisão do Brasil de reduzir a compra diária de gás. O Brasil tem um contrato com a Bolívia de compra de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, sendo que 80% disso está regulado pelo mecanismo “take or pay”, ou seja, o governo paga, mesmo que não consuma. Isso diz respeito à compra de 24 milhões de metros cúbicos diários.

De acordo com o professor Adriano Pires, do CBIE, o que o governo brasileiro quer, e pode fazer, é reduzir o atual consumo de 30 milhões para 19 milhões e, quando vier o período de secas, a partir de março, aumentar de novo o consumo para fechar o ano de 2009 dentro da meta obrigatória de pagamento de 80%.

– O governo vai aproveitar agora para usar a energia das hidrelétricas, para aproveitar o período das cheias, quando os reservatórios estão cheios. Depois, quando vier a seca, ele volta a consumir mais gás, já que haverá uma redução natural dos reservatórios – explicou Pires.

Isso significa que a economia de US$ 600 milhões anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, diz respeito a redução de 30 milhões para 24 milhões de metros cúbicos por dia. Mesmo que o governo não compense o consumo do meio do ano para frente, será obrigado a pagar a conta mais alta para fechar o ano com consumo médio de 24 milhões de barris.

Mas por que o governo quer reduzir o consumo de gás? Por causa da crise. O consumo de energia por parte das indústrias está desacelerando e o patamar de consumo de gás já não condiz com o atual ritmo de crescimento da economia.

Se a Bolívia não tivesse criado tanto problema para o Brasil, outras empresas teriam convertido sua fonte de energia para gás natural e ela teria mais mercado no Brasil. Mas o uso político do gás fez empresários brasileiros arquivarem planos de conversão. Uma pena, porque o gás natural é muito menos poluente do que outras fontes como óleo combustível.

Fonte: Miriam Leitão

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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