Categorias: Notas

Eleições 2008 – Lúcia Hippolito comenta

Eleições no Rio: namoro explícito entre Vladimir e Gabeira

O último debate entre Fernando Gabeira e Eduardo Paes explicitou com toda a clareza o difícil dilema em que se encontra o eleitor carioca.

Não se trata de escolher entre dois candidatos, dois projetos, duas propostas.

Trata-se e escolher entre dois mundos diferentes.

De um lado, um competente candidato a gerente de uma grande loja de departamentos. Superintendente, talvez. Conhece profundamente o estoque, o preço da grosa de alfinetes, a utilidade de uma boa chave de fenda.

Do outro, alguém que é, em si mesmo um projeto. Uma proposta andante. Um Quixote da boa causa: a honestidade, a correção, o futuro, o sonho, uma nova forma de fazer política, novas práticas, novos métodos.

Um velho-moço contra um moço-velho. Velhíssimo.

No debate ao vivo, Eduardo Paes destilou números, competência, pegadinhas ridículas.

Declarou, depois do debate, que prefere o apoio de Jorge Babu ao apoio de César Maia.

(Jorge Babu, vereador pelo PT, foi preso pela PF junto com Duda Mendonça, coisa de dois anos atrás, em uma briga de galos no Rio. Hoje é acusado de comandar milícias na Zona Oeste.)

Gabeira foi bafejado pela sorte: por sorteio, iniciou e encerrou o debate. Ambos em tom maior, de grandeza. No miolo, foi mediano.

No final, teve seu dó de peito. Foi Gabeira por inteiro. Diferente, ousado, original. Chamou até os adversários para a grande conversação em favor do Rio. Bonito.

Mas o melhor do debate, assistido ao vivo no Rio, foram dois momentos-ternura.

Primeiro momento-ternura: ver Vladimir Palmeira (PT) e Francisco Dornelles (PP) juntinhos no cercadinho dos apoiadores de Eduardo Paes, trocando tapinhas nas costas, é feito a propaganda do Mastercard: não tem preço.

Segundo momento-ternura: Vladimir Palmeira rindo abertamente quando seu velho companheiro de militância, Fernando Gabeira, dava uma estocada em Eduardo Paes, seu recente aliado político.

Vladimir é um soldado do PT. José Dirceu já tentou esmagá-lo várias vezes com seu tacão (embora tenham sido também companheiros de militância estudantil).

Mas com Gabeira, o “namoro” era explícito. Vladimir ria abertamente a cada “saia justa” de Eduardo Paes.

A sopa da vingança, dizia minha avó, toma-se gelada.

O eleitor carioca está diante de uma escolha difícil.

Mas Gabeira mostrou que certos valores não morrem.

Miranda Sá

Compartilhar
Publicado por
Miranda Sá

Textos Recentes

DAS DROGAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao…

7 de março de 2026 17h38

DAS LAPINHAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) As lapinhas (também conhecidas como pastoril) fazem parte da tradição popular nas festas de Natal e…

4 de março de 2026 19h44

AS CADEIRAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em…

27 de fevereiro de 2026 19h36

DOS FASCISMOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) ... E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma…

18 de fevereiro de 2026 19h44

DAS FARSAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros…

14 de fevereiro de 2026 11h38

DO APOCALIPSE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto,…

8 de fevereiro de 2026 22h06