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DA MENTIRA(2)

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Já escrevi um artigo sob este mesmo título. Não sei se no ano passado ou retrasado, porque meus arquivos se foram deletados por um hacker safado que entrou no meu computador em fevereiro….

Lembro, porém, que na pesquisa que fiz para o texto encontrei nos dicionários de gíria e convencionais 53 sinônimos para a mentira, usados de Norte a Sul do País. Encontrei no Rio “Cascata”, nas Minas Gerais “Truta” e em Brasília “Mentirex” …. Na linha dos substantivos compostos,  “Mentira Cabeluda”, “Mentira Descarada” e “Mentira Deslavada”.

Dos provérbios, encontramos “A Mentira tem Pernas Curtas”, “É mais fácil pegar um Mentiroso do que um Coxo” e “Mentiras de Caçador ou de Pescador”. A expressão “papo furado” é correntemente usada para designar uma mentira.

Agora temos como modismo “Fake News”, considerado como desinformação para manipular, enganar ou causar danos, mas que não passa de uma maneira específica e estratégica de mentira.

Como base da cultura ocidental influenciada pelas religiões judaico-cristã-islâmica, temos no Livro Gênesis, a narrativa de Adão e Eva como casal primordial que deu origem à humanidade.

É triste constarmos que setores religiosos ortodoxos aceitam esta fantasia que é vista de forma literal ou quase literal, funcionando como fundamento teológico para ideias como o pecado original e a unidade da espécie humana.

Do ponto de vista científico, entretanto, a narrativa é refutada como explicação factual. A biologia evolutiva, a genética e a paleontologia indicam que a humanidade não descende de um único casal, mas de populações ancestrais que evoluíram ao longo de centenas de milhares de anos.

Os mitos originários de antigas crenças religiosas acumulam-se no Oriente Próximo e construídos com base em lendas que atravessaram gerações, sofrendo as modificações para crônicas de fatos, tanto reais quanto fictícios, transmitidos pela oralidade.

Na religião, as “mentiras” assumem formas complexas: nem sempre são fraudes, mas simbolismos e alegorias presentes tomadas discursivamente nos cultos como verdades absolutas pelos sacerdotes que se apresentam como detentores da verdade.

Assim, ao longo da história da civilização, desde priscas eras, a mentira não aparece apenas como erro ocasional, mas como instrumento estruturante de poder, crença e interpretação da realidade.

Na política, segundo estudiosos independentes de pressões ideológicas, a mentira frequentemente assume forma estratégica. Filósofos como Hannah Arendt já observaram que verdade e política mantêm uma relação tensa, na qual a mentira pode ser tratada como ferramenta legítima de ação.

As grandes mentiras da civilização não são apenas falsidades isoladas, mas construções coletivas: histórias repetidas, interesses defendidos e crenças cristalizadas. Elas revelam menos sobre a realidade objetiva e mais sobre as necessidades humanas de poder, sentido e pertencimento — mostrando que, muitas vezes, a fronteira entre verdade e mentira é também uma disputa histórica.

Lembramos que com a sutileza de um elefante invadindo loja de louças, o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, orientou os agitadores do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães afirmando que “a mentira quanto mais repetida, mais se aproxima da verdade.”

Há muitos discípulos de Goebbels entre nós; marqueteiros eleitorais explorando dados e fatos para encontrar a “grande mentira” que se transforme em verdade  na superficialidade da estupidez.

No Brasil as ideias são simplificadas ou distorcidas demagogicamente em expressões como “Direito de Todos”, “Fim da Fome”, “Soberania Intocável” e “Dentro das quatro linhas da Constituição” mentiras que se repetem e se transformam em slogans.

Nenhum exagero nesta forma de fake news orquestrada em campanhas digitais para a desinformação em massa. De um lado vê-se Lula disseminando tais inverdades como mentiroso confesso, pois disse que inventava números em entrevistas no Exterior.

Do outro lado tivemos Bolsonaro repetindo “N” vezes defender o Estado de Direito enquanto conspirava um golpe, arrastando seus fanáticos seguidores para ocupar Brasília.

Felizmente, as redes sociais tornaram difícil enganar a todos todo tempo; por isto não é por acaso que o Sistema Corrupto quer impor a censura para calar a opinião pública.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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