Categorias: Poesias

Casimiro de Brito

O POEMA

Poemas, sim, mas de fogo

devorador. Redondos como punhos

diante do perigo. Barcos decididos

na tempestade. Cruéis. Mas de uma

crueldade pura: a do nascimento,

a do sono, a da morte.

Poemas, sim, mas rebeldes.

Inteiros como se de água, e,

como ela, abertos à geometria

de todos os corpos. Inteiros

apesar do barro e da ternura

do seu perfil de astros.

Poemas, sim, mas de sangue.

Que esses poemas brotem do

oculto. Que libertem o seu pus

na praça pública. Altos, vibrantes

como um sismo, um exorcismo

ou a morte de um filho.

Biografia aqui.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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