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Brasil Sindicatão: a república dos pelegos

Está em várias cabeças, como numa rede telepática, o repúdio às falsas representações sindicais que contrariam a concepção original dos sindicatos de trabalhadores. Ou seja, já não é a ocupação profissional que necessita de um sindicato representativo, mas são espertalhões ou grupos de aproveitadores que criam sindicatos fictícios para obter vantagens pecuniárias ou políticas.

Do noticiário jornalístico, recolhemos a informação de que este ano é registrado um sindicato por dia, não passando de pequenas e médias empresas desempenhando falsamente o papel de defensora de determinada categoria profissional.

Essa fragmentação – atomização, é mais bem aplicado – da delegação corporativa enfraqueceu o movimento sindical e, o que é pior, levou à degenerescência o sindicalismo como forma classista de organização.

Não é preciso dizer que isto é fruto de um desvio político que foi combatido pelos sindicalistas autênticos durante muitos anos. É a intervenção fascista do Governo acarretando dependência política e financeira dos sindicatos através de um imposto sindical, oriundo da contribuição dos trabalhadores com carteira profissional assinada de um dia de salário.

Esse imposto gera a fortuna de mais de R$ 2 bilhões anuais que distribuída entre as entidades sindicais. O Brasil tem atualmente 9.046 sindicatos das mais diversas categorias e até de categorias inexistentes, sem prestar qualquer assistência aos contribuintes, exceto a simulação de conquistar melhores salários e condições de trabalho.

Dá tristeza reconhecer que a liberdade sindical garantida pela Constituição como direito dos trabalhadores, tenha extinguido o ideal e a luta de milhares de heróis anônimos, que desde o século 19 até a ascensão de Sua Majestade Metalúrgica, lutaram contra o egoísmo e a ganância patronal de capitalistas selvagens.

Se os anarco-sindicalistas, comunistas e socialistas do século passado voltassem à vida, abominariam as estruturas fantasmagóricas das caricatas instituições atuais, que só aparecem nas chamadas datas-base ou em greves político-partidárias.

Os ecos do passado ressoariam contestando a corporação fascista de empregados e empresários, e odiariam a enganosa existência de associações sindicais de servidores do estado e do governo, e até de aposentados!

A astúcia de alguns, que alimentam esta situação, investe contra a sociedade. Por que fingem reivindicar ilusoriamente soldados e policiais, intuindo greves contra o povo que lhes paga para defendê-lo. O que ocorre também com médicos, pessoal da Saúde em geral, juízes e promotores, condutores de transportes coletivos, enfim, toda a gama de carreiras da administração pública.

Defendemos a tese de que todo o trabalho deve ser remunerado de acordo com o seu valor social. Se o poder político e econômico nega o pagamento justo dos salários, vencimentos e subsídios, deve ser renegado por todos. Se a busca da justiça social pelo proletariado, que se faça através da ação direta contra os detentores do poder.

Infelizmente, o pensamento socialista é deturpado no Brasil Sindicatão – a República dos Pelegos. Isto faz o sindicalismo transformar-se em empresa de rendimentos, em nada favorecendo os sindicalizados e muito menos a população. Acontece, porém, que oferece imensas vantagens em dinheiro e benefícios políticos aos falsos líderes.

Minha intuição kantiana (anschaulich)  me encaminha a desejar que este festim licencioso com as verbas públicas não deve ter um fim urgente. Ou cairemos num regime burocrático-policial como aqueles que foram banidos com a morte de Hitler, Mussolini e Stálin…

Miranda Sá

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