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Artigo saído no JH 1ª Edição

O povo brasileiro: cafuzos, mamelucos e mulatos

MIRANDA SÁ, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

Os racistas ao avesso que importaram o uso indigente de “afro-descendente”, procuram justificar e valorizar o rendoso aparelhamento no PT-governo assenhoriando-se da vitória de Barack Obama nos Estados Unidos. E classificam o novo presidente americano à moda de Linneu ou de Darwin, como “negro”.

Ora, o próprio Obama, mostrando a grandeza que falta aos teóricos das “políticas sociais” do PT-governo jamais se disse “negro”. Revelou sua descendência como filho de um negro do Kênia com uma branca do Alabama e discorreu sobre a parentela mestiça. Fez questão de dizer que concorria à presidência dos Estados Unidos não como uma pessoa pertencente a qualquer raça, mas como cidadão americano.

E será como cidadão americano, acima das raças que compõem a grande nação do Norte, que perseguirá a Paz, buscando o entendimento com todos os países que o famigerado Bush elegeu como inimigos, Coréia do Norte, Cuba, Irã, Síria e Venezuela. Na América Latina, referiu-se particularmente ao interesse de conversar com o presidente Chávez e de levantar o bloqueio que pesa sobre Cuba.

Isto não tem nada a ver com “afro-descendência” ou esquerdismo canhoto do PT-partido. Muito pelo contrário, rompe as estreitezas racistas e partidárias; é a visão ideológica da intelectualidade norte-americana, vigente nas cátedras universitárias e nos círculos parlamentares independentes.

Infelizmente os que ocupam o poder no Brasil graças a um estelionato eleitoral, precisam criar fantasias dogmáticas para esconder a traição nacional. Encastelados nos ministérios, empresas estatais, assessorias e até nas sobras dos cargos em comissão, os neo-petistas acomodam-se nos aplausos ao governo virtual de Lula da Silva e fugindo à realidade.

Os atuais dirigentes federais cavalgam as pesquisas de opinião pública que desfocam o ponto de convergência histórico. Não levam em contra a distorção das chamadas políticas sociais eleitoralistas, nem a manipulação da propaganda governamental como marketing pessoal do Presidente.

Agrupando-se em clubes tendenciosos fechados, os parceiros de Lula formam uma sociedade à parte, usufruindo benesses, faturando informações privilegiadas, recebendo comendas e viajando pelo mundo à custa do contribuinte.

Uma coisa, porém, é obrigatória para estes arrivistas: manter a máscara de esquerdistas. Discutem da boca para fora a revolução bolivariana de Hugo Chávez, repercutem os bastidores do regime cubano, defendem a narco-guerrilha das Farc e batem em cachorro morto com violentos ataques a Bush.

Como nunca se preocuparam em estudar – e agora muito menos, sob o culto da personalidade do ignorante assumido que é Lula da Silva – não enxergam o povo brasileiro como o viu o grande patriota que foi Darcy Ribeiro.

Bastaria uma vista de olhos nas lições de Darcy sobre a formação e o sentido de Brasil, que deixaria de lado essa baboseira de segregação, confirmando a assimilação como uma transfiguração étnica de um país de crioulos, caboclos, mamelucos e mulatos. Sem esquecer os índios mestiços e aculturados, porque o índio, como ensina o Mestre, “é irredutível em sua identificação étnica”.

A cultura da “República dos Pelegos” em formação, prefere rotular e classificar inquisitorialmente as pessoas que resistem em aceitar as fórmulas populistas que a estratégia lulista-petista quer impingir. Para eles, a classe média letrada é inimiga; apenas os camaleônicos, que engavetaram as propostas e enrolaram as bandeiras originais do PT-partido, se salvam.

Os jornalistas chapas-brancas, principalmente, querem que aceitemos Barack Obama como um negro, um negro deles, afro-descendente. Essa é uma mentira difícil de impor, a repetição da fórmula desmoralizada que fez de Lula um operário metalúrgico, resistente à ditadura e um homem honesto.

Miranda Sá

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