Os aposentados e o fator previdenciário
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Os pelegos das centrais sindicais se articularam para criar a idéia de que estão preocupados com os aposentados e pensionistas. Pura demagogia ao sabor da pelegagem que se dividem pro forma, os que ocupam cargos no PT-governo e os que estão sentados no banco dos reservas.
Um negócio “em família” (ou seria “famiglia”?) está sendo preparado nos porões do Palácio do Planalto para substituir o sistema de cálculo das aposentadorias e pensões do INSS, conhecido como “fator previdenciário”, um golpe contra os trabalhadores autênticos criado em 1999.
O fator previdenciário pondera o tempo de contribuição e a idade do segurado no momento em que requer a aposentadoria, sem levar em conta o contrato tácito de que o contribuinte da Previdência deve receber sua aposentadoria e legar a pensão, de acordo com a contribuição efetiva.
Por causa dessa desgraça, pessoas que contribuíram. sobre 10, 15 e até 17 salários mínimos tiveram o benefício de direito reduzido em até 50% !
Este governo já atropelou o direito adquirido dos funcionários públicos sobre taxando após a concessão do benefício com uma taxa abusiva de 11,3%; e os parlamentares petistas e aliados de Lula da Silva fazem cara de paisagem quando se fala nisso; não assumem a defesa do que votaram no Congresso Nacional.
É a saída do ladrão que perseguido começa a gritar “pega ladrão!” para enganar a multidão e escapar. Nós, porém, não deixaremos de tocar no assunto. Lula da Silva pode chegar a 99,99% de popularidade sem que nos afastemos do que consideramos justo para o povo e para o país.
Apontamos, por exemplo, o argumento usado pelos governistas para coagir os contribuintes da previdência social pública. É o mesmo que os donos do partido e a turba militante, cega de idealismo, combatiam nos sindicatos e nos palanques eleitorais; a farsa do déficit previdenciário.
Waldir Pires – ex-ministro e notável dos quadros petistas – reduziu este enredo a peróxido de pó essa coisa burlesca, criada com a unificação da previdência, a falta de contribuição da parte do governo, o enxerto de beneficiários que nunca contribuíram e o regime dos depósitos em caixa único.
No poder, a banda má do PT aceita as contas que a queda do fator previdenciário acarretaria num futuro próximo um rombo nas despesas. Este futuro é projetado para mais de 50 anos. Dizem os tecnocratas que os gastos da previdência serão triplicados em 2050!
Como a mentira precisa ser reforçada com dados diversionistas, o Ministério da Previdência calcula que os benefícios que hoje representam 7% do Produto Interno Bruto atingiriam na metade deste século 21% do PIB…
Saindo da futurologia para incitar os agitadores aparelhados na administração federal, denunciamos de duas outras proposições que asseveram prejuízos nas despesas públicas, para justiçar a canalhice contra os idosos.
Uma delas assevera que o projeto do senador Paulo Paim estende a todos os segurados do INSS aumentos iguais aos do salário-mínimo. E daí? Será absurdo ou justiça dar aos aposentados percentuais de aumento relativos ao valor da contribuição previdenciária?
Pelo ângulo do PT-governo, há mais uma falsa preocupação, esta mais contrária à razão do que os demais argumentos: é que a tempo de vida dos brasileiros subiu e com as pessoas vivendo mais é preciso ampliar o período básico para a aposentadoria.
É bom que ninguém se esqueça que o PT-governo já postergou em 5 anos a idade para gozo das aposentadorias e insiste em voltar à lição de casa do FMI (que Lula ridiculariza da boca para fora) ganhando mais tempo dos trabalhadores para evitar um descompasso entre a receita e a despesa.
Estamos diante daquilo que a dialética apresenta como a negação da negação. Nega-se a dinâmica do mundo do trabalho e não se reconhece a implacável obrigação da sociedade em defender os que deram uma vida de trabalho, afirmando e resguardando seu direito à aposentadoria digna.
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