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Artigo saído n’ O Jornal de Natal

Marina será a opção para uma 3ª via?

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Nos anos de chumbo cantados por poetas, seresteiros e mistificadores, foi estabelecido um princípio de combate ao comunismo. Os órgãos de segurança receberam ordens de que valia tudo para suprimir a corrupção e a subversão do país.

Não durou muito tempo esse binômio doutrinário porque com a chegada dos “revolucionários civis” ao poder, quando o combate à corrupção esmoreceu. Mas a “subversão” continuou, por muito tempo, a tirar o sono das vacas fardadas.

Os teóricos militares, vários deles doutores com cursos superiores no Exterior, viam em qualquer contestador a insubordinação às leis e às autoridades constituídas, um destruidor da ordem política, social e econômica, e revoltoso contra as tradições. O subversivo – vem do latim subversor, oris – é o que destrói.

Ainda convivem conosco muitos desses teóricos, intelectuais e professores, que esperaram o autoritarismo férreo do comunismo, jamais esperaram adentrar na Era da Subversão Moral.

É isto mesmo. Vivemos um tempo em que no lugar de projetos econômicos e programas administrativos, o que existe na política convencional é uma olimpíada com disputas para premiar o mais desonesto e mal-caráter e das medalhas aos que melhor rasgarem suas biografias.

No momento, não se fala mais de subversão da ordem para transformá-la, mas na inversão ética para conquistar apadrinhamentos e ganhar mais favores e privilégios na corrida para garantir da “governabilidade”. Candidatos a postos eletivos aprendem logo que não vale mais ser honesto, confiável e íntegro no seu comportamento.

Eles se lixam para a opinião pública, pouco se importam com o que pensam os familiares, pais e mães (se é que os tem), esposa, filho e netos, expondo-se na prática de ilícitos, assaltando o Erário e prejudicando na Nação.

É por isso que há entre a cidadania consciente uma ânsia imediatista do surgimento de uma 3ª via. Já temos a proposta de Heloísa Helena, honesta, patriota, embora num partido fundamentalista, o PSOL; retornam também os socialistas com Ciro Gomes, que desperta de 4 em 4 anos, sem fazer uma só crítica ao governo dos pelegos.

Em tempo útil, surge senadora e ex-ministra Marina Silva, que ingressa no Partido Verde e ensaia sua candidatura à presidência da República. O anúncio provocou um corre-corre nos círculos palacianos e no PT. Lula, malandro, guardou silêncio, mas os hierarcas do partido tentaram tirar a pretensão de Marina.

A amizade pessoal foi invocada por alguns senadores e os irmãos Jorge e Tião Viana de quem se esperava um esforço maior para mantê-la no PT, mas não compraram a briga por diversdos motivos; a realidade acreana, os interesses do clã Viana e divergências com a candidata única imposta por Lula foram alguns deles.

Parece irredutível a opção de Marina. E por isso cabe a pergunta se seria ela a opção para uma 3ª via, já que a candidatura desequilibra lulistas e tucanos, que queriam uma eleição plebiscitária em que se testasse o poder de Lula de transferir votos. A inesperada interferência eleitoral traz sinais de independência, que magôa o Palácio do Planalto.

Deste lado, a máquina de propaganda governamental já roda ataques e defesas para enfrentar Marina.  Uma das miras é acusar a ex-ministra de vetar obras de infraestrutura e comparação com a “desenvolvimentista” mãe do PAC, Dilma Rousseff.

Outra bala já detonou insinuando que Marina não aveitará a presença no PV com Zequinha Sarney, filho do Capitão-Mor do Maranhão, convivência desairosa, logo agora que se descobriu ter Zequinha ganho um imóvel de empreiteira dependente de favores do velho Sarney.

Na outra frente, a artilharia mira na acomodação e displicência de Marina, que se habituou com os delúbios da vida, dólares na cueca,  mensaleiros, assassinatos de  Celso Daniel eToninho do PT, as sanguessugas e os aloprados. Um silêncio de grande durabilidade, sem qualquer justificativa.

Uma coisa é certa: a candidata presidencial Marina Silva, que entra no Partido Verde e abre a campanha comprometendo-se com os princípios da ética e da justiça social  aponta a 3ª via, mas precisa assumir as críticas e denúncias que estão em todas as cabeças pensantes deste país.

Miranda Sá

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