Categorias: Notas

Artigo publicado no JH 1ª EDIÇÃO

Cara, cadê o meu Brasil?

MIRANDA SÁ, jornalista

E-mail: mirandasa@uol.com.br

O título, como vêem, é plagiado de Michael Moore do seu último livro e o mais aplaudido de todos nos Estados Unidos. Jornalista, roteirista/diretor/apresentador de programas para tevê e filmes como Fahrenheit 11/9, Moore procura desesperadamente o país que ama e gostaria de ver pacífico, justo e feliz.

Assim como eu, que não consigo encontrar o Brasil que sonhei e lutei desde tenra idade para isto. Hoje não consigo distinguir por nenhum dos sentidos o “meu” Brasil. Ele não é mais uno; é fácil perceber que se multiplicou em vários brasis, cada um pior do que o outro.

No caso do Brasil da intelectualidade não se faz questionamentos; os mais ativos criam Ongs para mamar nas tetas fartas do governo. Para os governantes petistas, é a melhor forma de cooptar, e os ongueiros não precisam trabalhar. De quando em quando, basta cercar prédios públicos, abraçar árvores e empunhar cartazes em defesa de falsas minorias.

O Brasil dos estudantes se satisfaz em ouvir discursos revolucionários dos  pelegos dirigentes das entidades, sempre contra o bloqueio de Cuba, ou em solidariedade à Bolívia, a favor do coronel Hugo Chávez e até defendendo o Dalai Lama…

Há um dos brasis onde mulheres são engambeladas como secularmente. Usam sutiãs, sonham com um casamento estável, querem um emprego para comprar seus “alfinetes” e, para fugir do tédio se engajam como voluntárias numa campanha qualquer. Mas não elegem mulheres como suas representantes; as que ganham eleições dependem de trampolins sindicais ou da grana transportada em cuecas…

No Brasil dos políticos autodenominados “de esquerda”, não há incentivo ao estudo. Quando eleitos, têm assessores parlamentares pagos pelo contribuinte; e, se não conquistam cargo eletivo vão para cargos comissionados negociados pelo partido. Só precisam dizer amém ao Grande Enrolão. E aplaudi-lo no seu besteirol.

Num dos brasis não há mais filósofos, nem sociólogos, nem técnicos, só funcionários públicos. Professores fazem mais greves do que dão aulas e a turma da Saúde segue o mesmo caminho. Defendem “isonomia salarial” para alimentar o monstro chamado “coletividade”. É por isso que ninguém se destaca pelo estudo, cultura, disciplina, correção e patriotismo.

Finalmente há um Brasil da manada. Dos que estão satisfeitos em pagar os maiores impostos do mundo para manter soldados no Haiti, dar dinheiro para ditadores africanos, levar calotes de los compañeros latinos e orgulhar-se das viagens internacionais da pelegagem lulista-petista.

Existe um Brasil majoritário. Lá, 70% do magote de burros mulos aplaudem Lula da Silva porque estão alegres e prazenteiros sem precisar de assistência médica, nem de escolas de qualidade; de não se preocupar com  falta de saneamento básico e de trafegar em estradas esburacadas.

É claro que me resta um Brasil onde guardamos esperança de assistir a retirada das tropas de ocupação do lulismo-petismo, de ver pelas costas o banqueiro internacional que controla a economia e testemunhar a fuga dos mensaleiros, sanguessugas e aloprados diante de uma polícia federal apartidária.

Somos poucos no retalho do Brasil da esperança, mas todos dormem tranqüilos.

Miranda Sá

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