Para fugir da crise, o PT grita “pega ladrão”!
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
O contorcionismo do lulismo-petismo é a negação do espetáculo circense. A ginástica dos artistas recebe aplausos; mas quando é apresentado pelos pelegos merece apupos como censura da cidadania.
A contorção aloprada é uma estratégia do PT para responsabilizar o DEM e o PSDB pela atual crise econômica. Imaginem! É uma acrobacia desesperada para convencer a minoria letrada do país, mas chega como uma cena burlesca de palhaços.
Será que o lulismo-petismo acredita que esta farsa de picadeiro convencerá alguém? Haverá algum imbecil capaz de acreditar que os atuais governantes não tenham o dever de assumir as políticas públicas depois de 6 anos no poder?
Esta manobra de culpar alguém pelos próprios erros é um filme antigo, em preto e branco, cuja reprise não interessa sequer aos aficionados do cinema mudo. É dose para elefante o PT-governo culpar os governos anteriores pela sua incompetência administrativa.
Onde entra nesse cenário a multiplicação inútil dos ministérios, o inchaço de cargos comissionados e a gastança desenfreada? Isso, sem falar do dinheiro que escorre nos ralos da corrupção.
Há um teflon envolvendo Lula, é verdade. Nenhuma denúncia pega nele e, além disso, se as pesquisas de opinião são honestas, 70% dos brasileiros estão satisfeitos com o presidente e o seu governo. A manada está contente em pagar os impostos mais altos do mundo sem receber em troca os serviços públicos necessários à sobrevivência.
Essa constatação deixa o lulismo-petismo exultante, agradecendo a Deus pela demora da crise atingir as amplas massas, adiando a condenação popular ao PT-governo. Eles ganharam tempo, mas por poucos dias, porque o período percorrido vem do dia em que Lula da Silva disse que a crise era uma marolinha até as primeiras demissões de trabalhadores e a queda da arrecadação.
Neste espaço os chefes do governo neoliberal de Lula da Silva nada fizeram para enfrentar o problema. Desdenharam a crise só mostram temor pela queda do PIB. Foi aí que nasceu a trama ardilosa para transferir a responsabilidade para seus rivais na política, embora semelhantes na economia.
O que os tucanos fizeram no governo FHC que o PT-governo não tenha feito? Só houve uma superação petista, a reforma da Previdência prejudicando os trabalhadores, principalmente os aposentados.
Talvez venha dessa paridade a inquietação impera no Palácio do Planalto. Os petistas já estão empenhados na eleição de 2010 e, com a habilidade adquirida da pelegagem, criam táticas diversionistas para enfrentar os tucanos.
Já demonstramos uma das táticas, a de erguer um parapeito com a culpa do PSDB para enfrentar o marolão da economia. Outro procedimento ardiloso é fingir que existe uma contradição entre o partido e o governo na política econômica.
E mais outro enredo (também hilário) é manter a parafernália do PAC para alavancar a campanha eleitoral da ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula à sucessão.
Esta arte da guerra maquiavelicamente levada à política não se restringe às táticas já postas em prática. A estratégia é conquistar os votos que jamais terão se o homem dos 70% de popularidade não for candidato. E ele não elege postes, como ficou claro nas eleições municipais.
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