Jarbas jogou lama no ventilador
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
A Mitologia grega reserva um capítulo especial para os 12 trabalhos de Hércules. E das tarefas cumpridas pelo herói, a limpeza das cavalariças de Áugias, foi um esforço sobrenatural. É que os estábulos do rei da Elida acumulara estrume por mais de 20 anos, e Hércules teve que desviar o curso de dois rios para limpar a sujeira.
Infelizmente, nós temos que reconhecer a necessidade de que apareça um semi-deus como Hércules para expurgar do Congresso Nacional a imundície em que mergulhou, porque a Democracia, por mais complacente que seja não subsistirá com as casas parlamentares emporcalhadas e corrompidas.
As eleições para compor as mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados descortinaram o retorno de atores que se fizessem o que fizeram lá na China, teriam sido fuzilados. Na Alta Câmara, exibiram-se os alagoanos (que coincidência!) Renan Calheiros e Fernando Collor, cuja reabilitação desautoriza qualquer discurso sobre ética na tribuna da Casa.
Eleito na Câmara, Michel Temer prometeu dar mais transparência dos gastos dos deputados com a verba indenizatória, um privilégio vergonhoso que deveria, sim, ser extinto. São R$ 15 mil por mês para cada parlamentar pagar aluguel de escritório e despesas com refeições e transporte.
Terça-feira passada, a Mesa da Câmara decidiu divulgar pela internet os dados das notas fiscais, apresentadas pelos deputados para comprovar despesas feitas. Mas a medida não retroagirá e só vai começar dois meses adiante. Um absurdo.
Com relação ao Senado, estourou como uma bomba, a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos com denúncias ao seu partido, o PMDB, que acusa de “querer mesmo corrupção” e “cargos para fazer negócios”. Diz que a eleição de José Sarney para a presidência “foi um retrocesso” e que ele vai trazer da Casa as misérias que proporciona no Maranhão.
Será bom que o PMDB e Sarney se defendam em vez de fazer como o avestruz, enterrando a cabeça na areia. Espera-se também uma contestação do PT-governo e de Lula da Silva, sobre os quais Jarbas disse (e confirmou depois) que “É o governo do toma-lá-dá-cá”, que promove a maior compra de votos do mundo, e um Presidente que é conivente com os corruptos.
O cenário que vemos é o que Brizola descrevia pouco antes de falecer, dizendo que “O Brasil está como sopa em geladeira: formou-se uma gordura por cima que a torna intragável”. E não adiantam as críticas, denúncias e inculpações de envolvimento criminoso e problemas morais, frente aos ocupantes do poder.
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