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Artigo de Miranda Sá

Silêncio cúmplice no Rio, diante da injustiça

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Quando os punhos cerrados dos comunistas são substituídos por requebros de cadeiras num samba fisiológico, é porque se tornou  fácil receber e aplaudir um demagogo populista como Lula da Silva, e sua fanfarronada, ao dizer que “nunca o PT teve uma eleição mais fácil em sua história”.

Os militantes do PC do B – partido que depois de 76 anos de vida tornou-se uma tendência subalterna ao PT – aplaudiram calorosamente, entusiasmados com os cargos e as boquinhas que ocupam no governo federal, e com as generosas verbas distribuídas entre as entidades que controlam como a UNE.

É possível que tenham esquecido também a sua atividade vanguardista para conquistar a democracia sob o regime militar, aliando-se a Tancredo Neves, falecido antes de assumir a presidência da República após memorável campanha, que redimiu o Congresso Nacional e politizou as massas.

Como os comunistas do PC do B perderam a memória daqueles tempos heróicos, pois apóiam o cinismo demagógico de Dilma Rousseff ao encenar uma farsa no túmulo de Tancredo. Não se chocam em ver as páginas da história política deste país rasgadas pelo oportunismo de quem pretende assumir a chefia da Nação.

Só não sabe quem não quer a que o PT recusou terminantemente apoiar Tancredo na eleição indireta em 1985. E como vanguarda da retaguarda, fez pior expulsando os três deputados federais do partido que votaram no líder das Minas Gerais.

Quem estuda a cena política sabe que os comuno-lulistas engavetaram as lições dos seus ícones e deletaram o exemplo dos seus mártires, para aceitar uma posição secundária, a reboque do PMDB fisiológico – menos um partido do que uma quadrilha organizada para assaltar o Erário.

Varreram para debaixo do tapete a memória de que o PT recusou terminantemente apoiar Tancredo na eleição indireta em 1985. E, como vanguarda da retaguarda, o partito dos pelegos fez pior: expulsou os três deputados federais do partido que votaram no líder das Minas Gerais.

É para eleger Dilma, a guerrilheira da mentira e da dissimulação, que o PC do B serve de capacho para os peemedebistas fisiológicos desfilarem. Testemunhando o amoralismo de mentir e decorar “improvisos”, de assumir a corrupção dos mensaleiros e de acompanhar os que comparam presos políticos com bandidos comuns, Dilma não teria aceitação dos lutadores do Araguaia, exceto os que traíram o movimento

O PMDB dos seis ministérios, cuja insensibilidade com os destinos nacionais e a irresponsabilidade de fazer do clientelismo a sua base eleitoral, se mantém vendendo votos parlamentares, cooptando prefeitos corruptos e trocando tempo de televisão por jogadas eleitorais.

Veja-se o caso atualíssimo do uso das verbas destinadas para obras de prevenção de desastres pelo Ministério da Integração Nacional. A pasta era (e ainda é) controlada pelo peemedebista Geddel Vieira Lima, candidato preferencial de Lula, segundo dizem, ao governo da Bahia.

Este político baiano conquistou votos liberando 90% das verbas destinadas a prevenir desastres ambientais para o seu estado. E deixou o Rio de Janeiro exposto à tragédia que vive após os temporais de outono, sem protesto dos colegas do PMDB que dirigem a administração estadual do Rio.

A injustiça praticada pelo clientelismo político do PMDB veio à tona enquanto o PC do B sambava com Dilma e Lula, aplaudindo-os calorosamente. Quanto à tragédia do Rio, também um silêncio cúmplice. Que as populações sinistradas se danem!

Miranda Sá

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