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A questão indígena: prós e contras

MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Quando portugueses espanhóis e franceses chegaram neste lado do Atlântico, encontraram povos organizados. De acordo com Capistrano de Abreu, havia setenta e seis tribos, divididas em cinco grupos distintos, Tupis, Cariris, Aimorés, Caraíbas e Nuaruaques.

Os tupis (ou tupis-guaranis) eram os mais numerosos, ocupando grande extensão geográfica: habitavam o litoral que ia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul; alcançavam Uruguai, Paraguai e até as encostas dos Andes.

Um estudioso do problema indígena, o jornalista e escritor Otávio Brandão, escreveu: “Pelos métodos mais bárbaros, na violência, no sangue e na lama, a comuna primitiva dos índios começou a ser destruída no século XVI. (…) Para os índios, a História do Brasil e da América se resume numa palavra escrita a ferro e fogo: Extermínio.”

A execução desta barbárie se deveu – na maior parte, aos bandeirantes – os heróis paulistas. Em São Paulo há uma coisa esquisita: Não há um só beco com o nome de Getúlio Vargas, mas uma imensa quantidade de logradouros dedicados aos bandeirantes.

As “Entradas” e “Bandeiras”, para glória de ‘Deus’ e da ‘Coroa’ dizimaram a maior parte das setenta e seis tribos enumeradas por Capistrano. Além da invasão, a destruição. E ainda pior, conseguiu-se jogar índios contra índios, numa auto-exterminação, para tristeza e vergonha das novas gerações.

Seria fastidioso enumerar os massacres. Chegando aos dias atuais, cabe uma pergunta: os indígenas restantes, que receberam o amparo de Rondon (“Morrer se preciso for matar nunca!”), e tiveram reconhecidas extensas reservas por diversos governos republicanos, são violentados atualmente?                                                                                                         

Somente em parte, para ser benevolente… Recebem a solidariedade da ampla maioria dos brasileiros, e recebiam uma respeitável assistência da FUNAI – herdeira do SPI –antes deste órgão ser vilmente aparelhado pelo PT-governo.

É impossível deixar de registrar, também, o trabalho que foi desempenhado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cuja assistência humanitária (e política) era notável, antes de sofrer a influência da ideologia dominante, desviando-o dos objetivos.

Assim se vê, tristemente, que a movimentação política dos nossos índios está infiltrada de oportunistas das próprias etnias, e também de bolivianos e paraguaios, além dos agitadores político-partidários, grupos religiosos e ONGs.

Daí, vale citar as brigas e invasões de propriedades rurais, em nome de um direito ilusório, a recuperação de terras ancestrais há muito ocupadas por ruralistas. Os índios brigam e invadem fazendas, estimulados por frações oportunistas que se aproveitam da má atuação pela incompetência e relaxamento da FUNAI e órgãos correlatos.

Qualquer cidadão e cidadã de bom senso, desejoso de justiça social e desenvolvimento econômico, enxerga as vacilações e erros do PT-governo neste caso. Por isso, vivemos uma tremenda confusão, que embaraça e atrapalha a formulação de políticas sérias que todos, índios e não-índios, merecemos.

Como aceitar que se perpetre a invasão do plenário da Câmara dos Deputados por índios, instrumentalizados por movimentos sociais? … E que a Presidência da República disponibilize aviões da FAB para transportar os ocupantes à força das obras de Belo Monte?

É condenável, por exemplo, o aplauso dos religiosos do Cimi à invasão de um hotel no sul da Bahia. Registre-se que esta expropriação foi fotografada, mostrando os ocupantes ‘índios’ despojados em poltronas assistindo tevê, e enfatuados nos quartos do hotel.

Saiu da pauta e ficou fora das colunas dos grandes jornais, a arbitrariedade com que se fez a ocupação da Raposa-Serra do Sol, em Roraima. A bola da vez é o Mato Grosso do Sul, onde a encenação é burlesca. Ali se vê o quanto a FUNAI definhou.

Diante disso, acho que seria aconselhável a suspensão de todos os processos em curso de identificação e demarcação de terras pela FUNAI, que age – como escreveu Denis Lerrer Rosenfield, “ao arrepio da lei”, incentivando a instalação do caos no mundo rural…

Miranda Sá

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