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A guerra do sal

Lula anunciou a compra de 36 caças franceses (não, você não ouviu direito. Não foi meia dúzia de aviões de guerra: foram 36), para defender a camada petrolífera pré-sal. Começou a guerra.

O total de gastos bélicos com a França ultrapassa 30 bilhões de reais. É mais do que justificável: um país rico, em tempo de fartura financeira internacional, cercado de inimigos por todos os lados, precisa se proteger.

As declarações nacionalistas do chanceler Celso Amorim, celebrando os novos armamentos do Brasil-potência, foram muito comemoradas em território brasileiro. Especialmente pelos seqüestradores, ladrões de carga, traficantes e o crime organizado em geral. É edificante, para eles, saber que o governo continuará fiel à pindaíba da segurança pública interna.

Mas Lula está perdendo uma oportunidade de ouro. Poderia oficializar as atividades da bandidagem nacional – assim como fez com os invasores de terras – e recrutá-los para a defesa do pré-sal. Reuniria um aparato de fuzis e granadas de última geração de fazer Sarcozy babar de inveja. Sem gastar um tostão.

A militarização do fetiche pré-sal promete ser o segundo capítulo da Guerra do Paraguai. Já estava mesmo na hora de o Brasil inventar outro combate imaginário.

O presidente da República resolveu atropelar a Aeronáutica e anunciar uma transação bilionária que ainda estava sob avaliação técnica. É isso mesmo, chega de burocracia.

Lula seguiu o embalo de seu anúncio em cadeia nacional do novo modelo de exploração petrolífera, passando por cima do Congresso, que ainda não viu a cor da proposta. Está certo. Se o presidente tem uma cadeia nacional, para que se restringir aos meliantes de Brasília? Chega de pensar pequeno.

Enquanto isso, o companheiro Hugo Chávez tricota com o tarado do Irã sobre bomba atômica. O Brasil não vê mal nenhum nisso. Quem sabe, não esteja em negociação um pacote nuclear para proteger o petróleo da América bolivariana?

Vamos à guerra do sal. Como diria Duque de Caxias, quem for brasileiro que siga o general da banda.

Guilherme Fiúza é jornalista e cineasta

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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