Programa no PDT na televisão
Um PDT perdido no tempo e no espaço, como um asteróide sem luz própria, em mergulho cego e constrangido pelas meias patacas que persegue sob o instinto de um olfato contaminado pelo odor dos podres poderes, em cujos arrabaldes instala-se como à espera de um melancólico desenlace.
Um partido cada dia mais distante de seu grande emblema, de costas para a rebeldia que inspirou oito décadas de combate. Um espelho fosco de uma opção desfibrada e sem horizonte. Um corpo anêmico, um cérebro miniaturizado, destituído dos ingredientes críticos e inspirações transformadoras, ao sabor do humor de uma corte ladina e de hábitos pérfidos.
Uma legenda de destino ínvio, cortado ao meio, tentando valer-se de arquivadas lembranças do passado para exibir um diferencial já detonado e atropelado pelas poucas prebendas que lambuzam os corifeus de uma ópera bufa, composta pela fina flor da mediocridade e do oportunismo.
Foi essa a imagem que apareceu na tela da televisão no programa político do Partido Democrático Trabalhista, onde por tantos anos um caudilho indômito – certo ou não – oferecia ao povo sua visão própria, muitas vezes solitária, mas sempre desassombrada, de um Brasil que prezava como nação soberana e de uma sociedade que desejava a mais justa possível.
PEDRO PORFÍRIO, jornalista
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