Categorias: Poesias

Sá de Miranda

Soneto

O sol é grande, caem coa calma as aves,

Do tempo em tal sazão que sói ser fria:

Esta água, que dalto cai, acordar-me-ia,

Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó coisas todas vãs, todas mudaves,

Qual é o coração que em vós confia?

Passando um dia vai, passa outro dia,

Incertos todos mais que ao vento as naves!

Eu vi já por aqui sombras e flores,

Vi águas, e vi fontes, vi verdura;

As aves vi cantar todas damores.

Mudo e seco é já tudo; e de mistura,

Também fazendo-me eu fui doutras cores;

E tudo o mais renova, isto é sem cura.

Biografia de Sá de Miranda aqui.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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