A PEQUENA CHAMA
Eu sinto pela luz um amor de selvagem.
Cada pequena chama me encanta e surpreende.
Não será cada lume um cálice que prende
O calor das almas que passam em sua viagem?
São pequenas algumas, azuis, cautelosas,
tais como as boas almas, graves e serenas;
outras, quase brancas, fulgores de açucenas;
outras quase rubras: espíritos de rosas.
Respeito e adoro a luz e assim a tenho amado
como coisa que vive e sente e que medita;
um ser que nos contempla em foto transformado.
Assim, quando eu morrer, hei de ser ao teu lado
uma pequena chama, em doçura infinita,
pra tuas longas noites de amado desolado.
JUANA DE IBARBOUROU
(Tradução de Solon Borges dos Reis)
A Poetisa
Poeta uruguaia nascida em Melo em 1892. Desde muito jovem começou a publicar os primeiros poemas sob o pseudônimo de Juanita de Ybar, os quais foram publicados em seu primeiro livro, «Lenguas de Diamante», obra que a tornou famosa.
Seu estilo inicial foi apaixonado e sensual dentro da órbita modernista, vinculando-se logo ao vanguardismo. Seu verso, com ol passar do tempo, ganhou serenidade e melancolia, levando-a alcançar o Prêmio Nacional de Literatura em 1959.
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