Categorias: Notas

Artigo de Miranda Sá (para o Jornal de Hoje-RN)

Um PAC sem canteiros de obra…

MIRANDA SÁ, jornalista ( mirandasa@uol.com.br)

O título deste artigo é uma cópia de papel carbono do velho Jornal do Commercio do Recife, cuja manchete do dia 30 de março foi exatamente “Um PAC sem obras”. Minha observação sobre esses programas megalomaníacos nunca conseguiu distinguir entre a demagogia política e a mistificação.

À primeira vista, abusa da credulidade das massas, sempre predispostas a se deixar enganar por promessas altissonantes e correr atrás de falsos profetas; e, com um estudo mais detalhado vê-se que é um apelo de marketing, que talvez venha dar errado por causa da repetição extemporânea.

O PAC1, que pela lógica veio primeiro do que o PAC2 foi um fracasso, reconhecido até pelo Presidente que nunca sabe de nada. Mesmo assim, diante das obras inacabadas – algumas sequer saíram do papel – veio o segundo logro, feito de encomenda para abusar da inteligência dos letrados.

Está na cara que O PAC2 é um instrumento de campanha, sob a dependência das análises política e projeções eleitorais. Também é inegável que é divergente da realidade social e à conjuntura econômica.

Pelas colocações nas reuniões ministeriais e sua tradução nos discursos palanqueiros, parece que Lula acredita – “está convicto” – que encontrou uma fórmula mágica para conquistar votos, com base na experiência da pelegagem sindical.

Para quem está de fora, não vê nessas jogadas realismo político. Pelo contrário, desnuda o primarismo da hierarquia lulo-petista – caricatura das claques nazi-fascistas sempre dispostas a aplaudir o Chefe.

E o dia-a-dia vem mostrando repetidamente os escorregões sofridos pelo Presidente e por sua candidata nas inaugurações que servem de pretexto para oficializar a campanha sucessória. Num dos últimos eventos que Dilma participou como ministra-chefe da Casa Civil, a obra inaugurada foi um PAC inacabado.

Isto, sem dúvida, arranhou a imagem da ex-Ministra como boa gestora. A “tocadora de obras” – como foi alcunhada por Lula – não é o que ele diz. Não vamos rebater sobre os itens emperrados do PAC1, apenas que seus coordenadores devem rever as ações nas favelas. Então vejamos o PAC2, o programa eleitoral da candidata-mãe dos PACs.

Até agora não está definido se o programa Minha Casa Minha Vida 2 fará parte do pacote ou terá um tratamento diferenciado; o caso da Banda Larga, de interesse do lobista Zé Dirceu, ficou no ar, porque a volta da Telebrás não foi anunciada; ficou também indefinida a inclusão nos projetos da versão inicial do PAC que não foram iniciados.

Então a coisa ficou na generalização de promessas que servem mais para encabrestar governadores e prefeitos na campanha do que para qualquer outra coisa. Então descortina ações de saneamento e habitação nas grandes cidades e o que foi batizado de “equipamentos públicos”, acena com a construção de postos de saúde, quadras esportivas e até guaritas para as polícias militares…

Como se vê o Programa de Aceleração da Candidata é uma panacéia com aplicações gerais, cada uma de acordo com o interesse local dos cabos eleitorais. É o chamado PAC sem obras, aquilo que a gente chamava antigamente de “pastel de vento”…

Miranda Sá

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