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Míriam Leitão comenta “Continuam as esperanças por um acordo em Copenhague”

Quarto dia de conferência do clima em Copenhague. Há notícias boas e ruins. Existe alguma esperança de acordo. O primeiro esboço oficial do acordo está sendo escrito hoje e será divulgado 18h30m para as delegações. Há um grupo de trabalho elaborando o texto e o Brasil é vice-presidente desse grupo.

O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado disse que será um documento de 15 páginas, um sumário de tudo conversado até agora e que será entregue para delegações discutirem. Será um documento oficial e não uma guerra de documentos oficiosos dos últimos dias.

No plenário da conferência houve novo impasse hoje, com Tuvalu parando tudo. O trabalho no plenário não avança porque Tuvalu faz proposta a dela de aumentar a meta e compromisso do mundo.

A China disse que concorda com Tuvalu, desde que a ideia seja aumentar compromisso dos países desenvolvidos. O Brasil sugeriu elevar a meta de países desenvolvidos para 40% de redução das emissões em relação a 1990, em média.

O plenário ficou dividido. Tuvalu tem apenas um voto, mas ela mas carrega a posição de países mais pobres da África, do Caribe e de países-ilha, que são vários. De outro lado ficaram países petrolíferos mais Brasil, China e Índia.

Eu conversei com Connie Hedegaard, presidente da conferência. Ela disse que houve uma divisão. Parece um conflito entre países ricos e pobres, mas é muito mais complicado do que isso. A geopolítico do ambiente é diferente da geopolítica da fome.

Os países ricos ficam calados. Europa havia dito que estava disposta a uma posição flexível. Ontem, Todd Stern, assessor para assuntos climáticos da Casa Branca, deu um recado péssimo. Convocou entrevista e disse que os EUA rejeitam ideia de divida histórica no clima que é o coração do protocolo de Kioto.

Os países ricos têm razão quando dizem que Brasil, China e Índia também precisam ter metas de redução de gases do efeito estufa, mas não se pode perder o fato de que os países ricos são os principais responsáveis pelo problema.

Em Bruxelas, a Europa está reunida para decidir que sinais vão mandar para seus negociadores aqui em Copenhague. Parece que pode não ter muita coisa nova na posição europeia. ONGs aqui esperavam proposta ousada para empurrar os EUA para mesa de negociação.

O problema é que o governo americano tem medo de aceitar uma proposta mais ousada e o Senado achar que está sendo encurralado e recusar. O Senado precisa aprovar o que for aceito aqui. Muita coisa está acontecendo aqui em Copenhague.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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