Artigo

FILMES: “… E SE FOSSE VERDADE”

Assistimos no filme “E se Fosse Verdade”, dirigido Mark Waters, uma comovente, mas divertida comédia romântica, estrelada pelos premiados artistas Reese Witherspoon e Mark Ruffalo; e nos emocionamos com seu conteúdo.

O enredo trata da transmutação espiritual de uma médica que, em coma induzida tem a sua alma fora do corpo e aparece para um arquiteto possuidor de dons mediúnicos. A situação vivida entre os dois nos leva a pensar sobre a realidade da vida, influenciados pela herança cultural dos árabes que ocuparam a Península Ibérica, e nos inculcaram que o destino das pessoas está traçado do nascimento até a morte.

É o “maktub”, uma palavra camita que traduzida para o bom português significa “já estava escrito” ou “tinha que acontecer”.

Será? Quando menino, ouvi meu pai contar a história de um colega dele que viajando do Rio para Recife teve a premonição de que o avião iria cair e ele morreria. Nos tempos da Panair a viagem para o Nordeste era um pinga-pinga de capital em capital.

Assim, a aeronave aterrissou em Vitória, e o nosso personagem desembarcou indo direto para o Correio, onde escreveu um telegrama para a esposa tranquilizando-a no caso da queda do avião. Após fazer a correspondência, atravessando a rua foi atropelado e morreu.

Este fato que o meu pai garantia ser verdadeiro, nos faz acreditar no “maktub”, e, aceitável esta teoria, traz-nos a preocupação pelos sinais recebidos como presságios de futura ocorrência.

Entretanto, as sensações agourentas que tememos são minimizadas pelos antigos árabes que se precaviam dizendo que é melhor ficar sentado do que em pé, e é melhor estar deitado do que sentado; acreditavam que assim poderiam contornar os mal agouros.

A História, porém, persiste, registrando o caso do rei de Navarra que assumiu o trono francês como Henrique 4º. Conta que ele teve a intuição da própria morte se fosse ao Parlamento. Confidenciando a premonição para a mulher, Maria de Médicis, ouviu dela o pedido para que não deixasse o Palácio. Ele ficou e foi assassinado graças a uma trama da própria esposa, mandante do crime….

Foi surpresa? Na ficção está mais do que visto que a realidade é quem a produz. É de imaginar que os “Agentes do Destino” de outro filme, dirigido por George Nolfi com Matt Damon e Emily Blunt, tenham um caderninho escrito com os nomes de Bolsonaro e Lula.

Como imaginar que o brasileiro Bolsonaro, descendente de carcomamos nascidos em Anguillara, no nordeste da Itália, chegasse à presidência da República afirmando-se honesto para enganar os eleitores, e depois fazendo o que fez?

E o outro, menino nascido na localidade de Caetés, interior do Agreste Pernambucano chegasse em São Paulo e aprender a pelegagem com um tio comunista e viesse a se tornar o maior corrupto do País?

Pois bem. Maktub: Está escrito que os brasileiros despertarão contra a falsamente polarização ideológica entre estes dois picaretas, porque é inadmissível ver-se a continuação deste o cenário de filme de terror que o Brasil vive.

 

 

A REPORTAGEM ETERNA

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

Calculam os antropólogos que foi mais ou menos a 25 mil anos a.C. que bandos de caçadores e coletores humanos se fixaram à terra, e transformaram as reuniões em torno das fogueiras que eram circunstanciais num ritual constante e permanente. O que se tagarelava noturnamente aquentando-se ao fogo eram reportagens sobre caçadas e fantasias nascidas da escuridão e dos sonhos. Eram reportagens.

Vivia-se no Período Neolítico – a Idade da Pedra Polida -, e a narrativa dos anciãos e anciãs enumerando experiências vividas ou transmitindo mitologias ancestrais eram dirigidas aos indivíduos solteiros e aos pré-adolescentes (Darcy Ribeiro estranhou que os idosos e casados não participavam dessas reuniões numa tribo estudada por ele).

O costume mudou com o processo histórico da civilização que vem dos impérios antigos, as repúblicas gregas e romanas até hoje, mantendo a divulgação por escrito das reportagens, pelos petróglifos, tijolos cuneiformes, escritas hieroglíficas e livros em forma de pergaminhos.

Com o surgimento da imprensa, o jornal assumiu também a categoria de fogueira, aglomerando à sua volta leitores ávidos por novidades e curiosidades. Esta fogueira se estendeu para o rádio e à televisão, que reúnem grandes audiências para ouvi-las e vê-as “ao vivo”.

Infelizmente a reportagem escrita ficou na saudade. Recordo duas espetaculares delas, publicadas n’ O Cruzeiro: “100 dias na Fronteira da Loucura”, de José Leal e “Falta Alguém em Nuremberg” de Davi Nasser. Recordo também a excelência da reportagem policial que nos traz a história do meu amigo, Octávio Ribeiro, que brilhou nas páginas da Última Hora.

Uma das tiradas deste repórter é antológica. O fundador da UH, Samuel Wainer, que levou o noticiário de polícia para a capa do jornal, reclamou um dia que a reportagem se tornara rotineira, dizendo ironicamente que se resumira à queda de bêbedos. Eis que Octávio, concordando com o chefe e tomado de brios, pediu ao editor carta branca para agir.

Com transporte, verba e um fotógrafo (que esqueço o nome) à escolha, foi a uma colônia de pescadores que ficava na Maré, defronte à Ilha do Governador. Dirigiu-se a uma birosca, pôs uma Praianinha na mesa e convidou quem estava lá para beber. Antes de pedirem a terceira garrafa. perguntou aos presentes se era verdade que havia aparecido uma criatura assustadora na Baía.

Um dos presentes lembrou que um velho pescador havia comentado isto. Octávio mandou um rapaz chama-lo e travou com ele perguntas pertinentes ao aparecimento do bicho, e com os dados obtidos escreveu a sua reportagem. No dia seguinte, a Última Hora estampou em letras garrafais: “HÁ UM MONSTRO NA BAÍA DA GUANABARA!”

É inesquecível também a Realidade, da Editora Abril, sob a direção de Milton Coelho da Graça, falecido em 2021; orgulho-me de haver participado da Realidade Amazônia e Realidade Meio Ambiente, que proporcionaram à equipe dois Prêmios Esso de Jornalismo.

Na radiofonia restou apenas pobres reportagens esportivas, que as emissoras de tevê imitam e desenvolvem-nas visualmente. Mas, tristemente ficam limitadas ao tititi de comentaristas repetidores de frases feitas como vem ocorrendo na política.

Jornal, revista, rádio e televisão só nos acrescentam cultura através do jornalismo científico; fora disto, só o ramerrão partidário e mercenário da política polarizada; trouxe, ao pé da fogueira, somente louvaminhas aos que ocupam o poder.

Para gáudio de quem deseja se informar, temos agora a fogueira tecnológica da Internet vivendo um estágio superior da reportagem. Nas redes sociais revive a reportagem investigativa, crítica e denúncias dos malfeitos do “andar de cima”, voltando ao princípio decantado por Millôr de que “jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”..

Triste, porém, é que as redes montam armadilhas criadas pelo extremismo ideológico para divulgar notícias falsas traduzidas do inglês fake news. Assim, a fraude política campeia  com um único objetivo: manter o troca-troca do bolsonarismo e com lulopetismo e vice-versa.

Assim se cola os extremistas à polarização, com o superbonder da falsidade ideológica. É hora de recuperarmos virtualmente a boa reportagem para cortar as amarras do sistema mercenário da Comunicação.

OPINIÃO

JULGAMENTO CARACTEROLÓGICO

Todo acadêmico de Direito (era assim que tratávamos na minha época) estudou Cesare Lombroso, antropólogo, criminologista e psiquiatra italiano, criador da teoria de que os delinquentes o são do nascimento.

Sob a influência das teorias de Darwin, Lombroso escreveu que o “verdadeiro delinquente” era nato, e relacionou a tendência de alguns indivíduos para o crime; chegou a exagerar afirmando que mente dos criminosos eram do “elo perdido”, um ser  intermediário entre o macaco e o neandertal.

Com tal despropósito, concluiu acreditando na total desigualdade entre os homens honestos e criminosos; e, apesar das corrigendas que a ciência impôs às suas teorias, Lombroso teve e ainda tem seguidores.

Antes dele, tivemos estudiosos da fisionomia. Um deles, o poeta inglês lorde Byron, julgando uma terceira pessoa, escreveu a um amigo dizendo que desconfiava de quem tinha os olhos garços, isto é, verde azulados com réstea amarela.

O destinatário retrucou, dizendo que era assim que via os olhos do Poeta, em quem depositava confiança. Byron então respostou reconhecendo que tinha na verdade os olhos  garços, e era por isto que gostaria ver as pessoas  se preocupando….

A minha avó Quininha chamava olhos garços de “olho de gato ladrão”, e mesmo desconhecendo Byron, concordava com ele. É interessante lembrar que Hitler os tinha e Bolsonaro os tem; mas isto não os condena, porque assim fazendo, julgar-se-ia as encantadoras Cleópatra e Elizabeth Taylor, cujos olhos deslumbravam todos.

Aliás, os políticos jamais deverão ser pré-julgados por suas características corporais ou fisionômicas e sim pelo seu comportamento. É fundamental combater os seus desvios quando ocupam cargos de relevância, mas será injusto pressupor pelo julgamento caracterológico.

É inadmissível ver-se que a desonestidade de Lula se deve ao seu jeitão atarracado, típica mestiçagem de português com tapuia. A sua condenação em três instância, na verdade, se deveu graças as sobejas provas e visíveis vestígios de corrupção e lavagem de dinheiro.

Temos o mesmo caso com o seu polarizador de olhos de gato ladrão, Bolsonaro. Achar que ele á corrupto por causa da cor dos seus olhos é errado; deve apoiar-se na sua passagem pela presidência da República, atestando-se ações nepotistas e suspeitas, assim como as anteriores ligações com milicianos e a prática das “rachadinhas”, para chegar ao apoteótico caso das joias árabes e do Rolex.

A visão política suplanta o que os fisionomistas defendem. Traz-nos a Mitologia Grega o ensaio poético da deusa Minerva descrevendo que os olhos cinzentos dela se diluíam no céu de cobalto da Hélade.

Assim, não será pelos olhos garços de Bolsonaro ou os olhos castanhos de Lula que devemos combate-los, e sim pelos extremismos de falsa direita e de falsa esquerda que provocam a estúpida polarização eleitoral entre os dois.

Nosso combate é pelo Centro Democrático, um regime que estabeleça a Ordem e o Progresso da nossa bandeira, acrescentando-se o Amor positivista e a Justiça da social democracia.

 

 

 

OPINIÃO

TRAPACEIROS DE PIAGET E ROLEX

Ouvi quando menino uma anedota referindo-se à ingenuidade dos fazendeiros do interior eu visitavam o Rio cheios da grana. Um vigarista chegava-lhes e oferecia-lhes à compra de um bonde, que os donos da empresa Light & Power Company estavam dispostos a vender. Acertado o preço, o malandro embolsava o dinheiro e, em vez de bonde o matuto ficava a ver navios….

De trapaceiros o mundo está cheio, por isto gosto de repetir Maquiavel que escreveu: – “Aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar”, e lembro também a história dos estudantes que combinaram explorar um português que morava na mesma pensão que eles e exibia preso ao colete um relógio de ouro que era apelidado de “Cebolão”.

A rapaziada acertou com um ourives amigo de loja próxima para negar a legitimidade do Cebolão do lusitano; e assim se deu: um dos jovens falou que o relógio não era de ouro e desafiou o dono a apostar cem mil reis pata comprovar. O português topou, e foram ao relojoeiro que preparado disse que era folheado.

Passados os dias e gasto o dinheiro em farras, os estudantes usaram um colega novato para outra aposta com o português afirmando que o relógio era de ouro. Contratada a aposta por duzentos mil reis, foram a outro ourives que garantiu ser o relógio de ouro legítimo.

Passado o tempo, os moços quiseram repetir a trapaça, e um deles perguntou ao pensionista se o Cebolão era de ouro. O português, escaldado, respondeu: “Às vezes é de ouro, outras vezes não é”. E acabou com a exploração que sofreu.

Por falar em relógio chegamos ao Piaget de Lula e o Rolex de Bolsonaro, ambos de alto valor no mercado, sendo o Piaget cotado de R$80 mil a R$150 mil, e o Rolex cravejado de diamantes foi cotado, vendido e recomprado por aliados do ex-Presidente, por 68 mil dólares.

O “Operário” do Partido dos Trabalhadores envergonhou-se sendo descoberto com o Piaget no pulso e disse tê-lo recebido de presente; quanto ao Rolex do Capitão, revelou-se, segundo a PF, uma transação realizada de forma escamoteada cheia de militares.

São estes dois trapaceiros que na polarização eleitoral dividem os votos da massa ignorante e torcedora fanática das bandeiras azul e encarnada.

Não estou inventando nada; divulgo como apelo aos que têm consciência, patriotas e democratas, para que abominem esta odiosa situação que reduz a nossa Pátria a um valhacouto de malandros.

Na verdade, trapaceiros de Piaget e Rolex auto se assumem como “de direita” e “de esquerda”, para iludir quem quer ser iludido….

OPINIÃO

CONTRADIÇÕES DIALÉTICAS

Fu-Xi, foi um filósofo que se tornou imperador de China nos três mil anos a.C… Há discussões sobre ele tenha existido realmente ou se é um personagem mitológico; mas não importa: a História do Povo Chinês registra que foi Fu-Xi o inventor da escrita e o autor do estudado e citado Livro das Mutações, o I-Ching.

Esta “bíblia” chinesa ensina os métodos de cozinhar, caçar, pescar, fabricar armas de metal e fazer pólvora. Instituiu a adoração de um deus invisível, de quem apenas se ouve a voz pelo trovão, e é simbolizado como um dragão.

Para os estudiosos, estabeleceu um sistema filosófico condensado através do desenho denominado Yin-Yang, hoje conhecido no mundo inteiro. Todos conhecem o círculo que tem um “S” dividindo-o ao meio com um dos lados branco com um pontinho preto, e o outro lado é preto com um pontinho branco.

Compõe a dialética universal dos contrários do que existe na Natureza pelo princípio da dualidade, onde o positivo e o negativo se opõem e se completam, mantendo assim o equilíbrio das coisas.

No Ocidente, filósofos antigos nos trouxeram a ideia da “Mônada”, átomos da natureza que se integram também como negativos e positivos, embora sejam únicos, indissolúveis e indestrutíveis. Descartes desenvolveu esta ideia mais tarde adotada por Leibniz, com uma ressalva sobre a substancialidade da composição atômica.

Filósofos modernos levaram a ideia das contradições dialéticas na Natureza para além da Filosofia, aplicando-a à Economia e na Política. Entre eles, temos Hegel, idealista, e Marx, materialista. A partir deles introduziu-se a Dialética nos conceitos da ideologia.

O pensamento marxista usa-a como a análise histórica da luta de classes, e os liberais aplicam-na como o princípio da unidade de quantidades opostas.

A contradição dialética chega à política brasileira polarizada entre os extremos pretensamente ideológicos. Com isto, firmou-se uma falsa contradição entre os protagonistas da “direita” e da “esquerda”, Bolsonaro e Lula, partilhando na demagogia populista e na corrupção. Eles representam a “dialética da fraude”.

Fraude sim, porque não são nem de “Direita” nem de “Esquerda”; eles sequer sabem o que representam estas tendências políticas, posições alicerçadas em bases que nem Bolsonaro nem Lula obedecem.

A verdadeira Direita não se alia a trapaceiros, é contra a corrupção e defende um império da Lei; a Esquerda autêntica repudia a pelegagem sindical, não convive com políticos desonestos e contesta a Justiça de doutrinas abstratas.

Esses dois malandros se enfrentam para enganar o eleitorado assumindo-se de Direita e Esquerda, na rivalidade dos cordões azul e encarnado e dos pastoris natalinos. O quadro encenado pelos polarizadores passa longe o simbolismo do Yin-Yang, na sua simplicidade.

Para seus ignorantes seguidores a contradição dialética tem pouco valor; não é como as joias que os chefes de Estado recebem como o patrimônio histórico, mas usufruem e negociam com a aquiescência dos fanáticos adoradores de políticos corruptos.

O povo brasileiro deve se levantar do berço esplêndido da demagogia dispensando os lençóis da polarização espúria. Está chegando de darmos um basta! Formemos um movimento centrista, democrático. antidemagógico e anticorrupção.

 

OPINIÃO

PRIVILÉGIOS & PROTEÇÃO

Houve uma fase da minha vida em que administrei um sanatório psiquiátrico e lá convivi com a terminologia usada pelos médicos qualificavam os pacientes. Alguns eram classificados de “PPs”, apelido dos que são diagnosticados como “personalidade psiquiátrica’.

Também conhecida como “Psicopatia”, a personalidade psicopática é bastante comum na infância e pré-adolescência e na adolescência. Este transtorno mental é raro, mas também é encontrado em adultos, manifestando-se pelo comportamento impulsivo e o desrespeito às normas sociais de conduta.

Na política, sob as asas galináceas dos extremistas também aparecem os “PPs”, usuais em obter privilégios e receber a proteção dos seus partidários quando ocupam o poder.

Como os psicopatas ou talvez iguais a eles, sua vida presente é o que vale; o passado não  passou e não têm a menor visão do futuro.  Sofrem da mesma dificuldade dos doentes em sentir empatia ou remorso, e são normalmente mentirosos.

Os “PPs” políticos enxameiam os gabinetes ministeriais porque são usados pelos chefes como moeda de troca pelo apoio parlamentar ao Poder Executivo, que, da sua parte, se aproveita da facilidade de compra e venda de parlamentares.

Temos pouco a ver com a Dinamarca de Shakespeare, mas podemos dizer como Hamlet disse a Horácio que “há entre o céu e a Terra, mais coisas do que sonha a nossa vã filosofia”. São tantos os privilégios que só com o volume da enciclopédia britânica se pode enumerar.

As “carteiradas” são periféricas… Valem as pensões previdenciárias de filhas solteiras de militares, juízes e parlamentares, um absurdo, que faz as pobres mulheres manter-se em “uniões estáveis” em vez de se casar como as pessoas comuns.

O regime previdenciário de deputados, senadores e magistrados é um assalto à mão armada, e vigora enquanto milhares de famélicos fazem fila para obter uma aposentadoria ou pensão de um salário mínimo (com descontos, rsrsrs).

Outro, é o “foro privilegiado” que se define pelo nome, mantendo-se para acoitar delinquentes do “andar de cima”. É também uma forma exemplar de proteção ao crime. E para bater o martelo na corte dos privilegiados e protegidos, o tão elogiado Fernando Henrique Cardoso nos deixou duas mórbidas heranças, o cartão corporativo e a reeleição.

São duas pragas dificílimas de exterminar, pois são regalias dos que fazem e julgam as leis, salvaguardas pelos e para os executores das leis e dos julgamentos.

Assim, deixando de lado a Psiquiatria pela literatura crítica, ousamos mexer no vespeiro dos extremistas que se alternam no governo na mesquinharia da polarização eleitoral; e, raciocinemos, não podemos aceitar isto eternamente.

 

 

 

OPINIÃO

DESGRAÇADA PROPAGANDA

Substituindo um colega que viajou para atender interesses familiares, ministrei aulas de Jornalismo Escrito numa Faculdade do Rio. Naquela ocasião, aguardando o meu horário, assisti uma aula de Publicidade e Marketing.

Peguei um trecho da exposição do professor ouvindo-o afirmar que a Propaganda é uma Ciência….  Não me convenceu, porque aprendi teórica e praticamente a técnica da Publicidade e da Propaganda e considero-as uma aplicação técnica e instintiva nascida do conhecimento da opinião pública e/ou de determinado estamento social.

Do publicitário profissional exige-se a sensibilidade criadora, capaz de improvisos em conformidade com o órgão transmissor, como também o coeficiente de comparações visando comover a audiência auditiva ou visual.

O fundamental e intransferível é visualizar o alvo desejado. Na Publicidade atende-se a um produto ou serviço, na intenção de fazê-lo conhecido e imprimir a sua demanda no mercado; enquanto na Propaganda sempre a serviço do poder, inculcar ideias fantasiosas e diversionistas para a massa popular.

É esta a diferença que encontramos e com a qual nos defrontamos. Envolve-nos de várias maneiras; no setor publicitário das emissoras de televisão, por exemplo, provoca estupefação o movimento e as cores magnetizantes; pelo rádio, a voz modulada quase hipnotizante; e nas chamadas telefônicas a insuportável repetição de convites suspeitos.

A repetição nos leva à memória do século passado lembrando-nos do uso nefasto da propaganda pelos regimes totalitários. Sempre lembrado, quando se fala de propaganda, chega-nos herr Goebbels, propagandista de Hitler que criou o famigerado princípio de que “a mentira quanto mais repetida mais se aproxima da verdade”.

Goebbels deixou a maldita herança de pensar que os fins justificam os meios. Isto chegou à realidade tecnológica que levou a velha propaganda à aposentadoria, mas manteve o que havia de ruim. Foram-se as frases magnéticas, os desenhos harmoniosos, os jingles atraentes e os slogans persuasivos. Cederam lugar à desinformação, batizada no idioma inglês de “fake News”.

De acordo com o dicionário “Oxford”, “fake News” se define como “informação falsa, dada no propósito de confundir ou induzir a erro”. E esta prática fraudulenta chegou às praias da política como um tsunami. Entre nós é uma epidemia virulenta e letal para a Democracia.

A única vantagem que as “fake news” trazem é separar o joio do trigo personalizando os agentes da mentira, mostrando-os como extremistas de direita e de esquerda. Estão perto de nós e a sua presença os condena. No último fim de semana tivemos uma carga pesada de androides bolsonaristas defendendo a corrupção reinante no governo anterior.

… E, como não poderia deixar de ser, os esquerdoides lulopetistas chorando a morte de traficantes em confronto com a polícia paulista. Se assumem como “defensores dos Direitos Humanos”, mas defendem realmente os “Direitos Humanos dos bandidos” ….

 

OPINIÃO

O TERCEIRO OLHO

A tradição maçônica reverencia o Olho de Hórus, a divindade egípcia da clarividência; a figuração do globo ocular é vista como um símbolo de poder e proteção.

Também, segundo o Hinduísmo – a mais antiga religião oriental –, há em meio ao feixe de fibras nervosas que compõem o cérebro, um órgão que estimula a capacidade intuitiva de pressentir o que irá a ocorrer. Chamam-no de “Terceiro Olho”.

Além do aspecto religioso e ritual, a Ciência já identificou diversos sentidos humanos além do da audição, olfato, paladar, tato e visão. Temos pesquisas psicanalistas sobre a capacidade de muitos indivíduos de possuir, por exemplo, o sentido telepático; e o espiritismo kardecista o vê no exercício da mediunidade.

Deve-se, então, admitir a existência do Terceiro Olho? Bem; isto pouco interessa às pessoas que sequer enxergam com os dois olhos o que está em volta na cegueira do fanatismo. Disto, temos o exemplo mais do que perfeito lendo ou ouvindo tuiteiros bolsonaristas e lulistas negando a deslavada corrupção dos dois.

Entretanto, vê-se o ex-presidente Bolsonaro enterrado até o gogó na areia movediça das falcatruas associadas ao seu ex-ajudante de ordens, coronel Mauro Cid; também o atual presidente Lula é uma constante ameaça, pois que carrega nos ombros a carga pesada de uma condenação por corrupção e lavagem de dinheiro.

Se os cultuadores destas duas criaturas execráveis não veem o perfil negativo delas, aprendam que há na engenharia universal um mecanismo onividente. Lembra-me uma história que já contei num artigo, mas que vale a pena repetir:

“Na construção da imponente Catedral de Colônia – o monumento que mais me encantou na Europa –, um dos pedreiros foi descuidado no acabamento de uma das gárgulas, consideradas guardiães do templo. O mestre de obra chamou-lhe atenção: – “Aplique melhor o polimento”, disse.

Justificando-se, o artífice argumentou: – “Daqui do alto de 50 metros, quem notará isto?”; aí recebeu a resposta sábia do mestre pedreiro: – “Aprenda, camarada, que nós não construímos esta Catedral para aos homens, mas para Deus”.

Esta lição operária vem ao encontro da sagrada clarividência do Terceiro Olho, o maquinismo universal que imprime a História. O futuro mostrará às novas gerações a verdade negada pelas seitas fanáticas que diabolicamente polarizam a política em nosso País.

 

 

 

 

OPINIÃO

ROLANDO UM ROLEX

A escada rolante da corrupção desce do gabinete presidencial do Palácio do Planalto para o subsolo da criminalidade; passando pelos andares de baixo encontrou provas contundentes de transações realizadas pelo coronel Mauro Cid ex-assessor de Jair Bolsonaro.

Por uma coincidência daquelas que vêm do além, a CPMI dos atos golpistas de oito de janeiro encontrou entre os e-mails trocados por Cid – preso desde o mês de maio envergonhando a farda – negociando um relógio Rolex ornado com diamantes recebido pelo ex-presidente em visita aos Emirados Árabes.

Esta manobra delinquente vem se somar à falsificação dos certificados de vacina e a criminosa tentativa retirar joias avaliadas em R$16 milhões apreendidas pela Receita Federal em Guarulhos. Seriam destinadas ao casal Bolsonaro.

Embora os fanáticos seguidores da seita extremista de direita fechem os olhos por pura insanidade, este fato reforça a constatação que a Lava Jato está fazendo falta para investigar e punir os manobreiros corruptos e corruptores bolsonarista. E assim, assistiríamos a revelação a igualdade deles com a corrupção lulopetista….

Malhando na bigorna da desonestidade na metalúrgica da politicagem, “O Globo” publicou o relatório do Coaf  – órgão de combate à lavagem de dinheiro – com às suspeitas transações do coronel Cid movimentando R$ 3,2 milhões em seis meses, quantia incompatível para quem recebe vencimentos de R# 26 mil mensais.

Não é mentira da mídia, nem Fake News de hackers mercenários, e muito menos será uma mentira plantada para atacar Jair Bolsonaro. É preto no branco. Casos e fatos irrefutáveis que somente a cegueira fanática da seita extremista se recusa em aceitar.

A transação fraudulenta com o Rolex de Bolsonaro comprova-se numa troca de e-mails postados e recebidos na Ajudância de Ordens da presidência da República. É, portanto, um ato oficial, sem dúvida do conhecimento do Capitão ex-presidente.

Estes documentos foram tornados públicos. Quem quiser, os encontra no Google; mas, em síntese, lê-se que Cid recebeu em 6 de junho de 2022, um e-mail em inglês de uma interlocutora. Diz: “Obrigado pelo interesse em vender seu Rolex. Tentei falar por telefone, mas não consegui”, e acrescenta: “Você pode, por favor, me dizer se tem a garantia original ou certificado deste relógio?”.

Respondendo pelo mesmo veículo virtual, o coronel Cid respondeu que não possuía o certificado do relógio, dizendo que “foi um presente recebido durante uma viagem oficial”.O presente, é o Rolex cravejado de platina e diamante, que vale no mercado US$ 60 mil (cerca de R$ 300 mil, em cotação atual). E nada mais é preciso acrescentar.

 

 

 

 

 

OPINIÃO

Coxos e Mentirosos

Acredito que a sabedoria materna vem das estrelas que brilham no cérebro e não se aprende na escola. Vai-se descobrindo isto ao longo da vida: para escrever este texto, procurei exaustivamente uma referência que recebi entre os ensinamentos da minha mãe Anília.

Nas advertências contra a mentira, mamãe citava o ditado “é mais fácil pegar um mentiroso do eu um coxo”, adágio que não encontrei na minha vasta estante de dicionários; nem no antigo e famoso Dicionário de Provérbios de Luiz A.P. Victoria.

Como a mentira campeia no universo político brasileiro, represando e inundando os três poderes da República, pensei em observar os mentirosos a partir do pensamento poético de Afonso Romano de Sant´Anna, lúcido e objetivo: “De tanto mentir tão brava/mente constroem um país de mentira diaria/mente”.

Observo primeiramente Bolsonaro e Lula, campeões da mentira, preparados para se revisar no poder em virtude da fraudulenta polarização eleitoral cozinhada pela mídia na sopa de letrinhas dos partidos e engrossada pela baba dos fanáticos cultuadores de personalidades.

Combatendo esses dois pelegos dos sindicatos civis lulistas e da Central Única dos Fardados do bolsonarismo, defendo o Centro Democrático e por isto venho sofrendo críticas que considero coerentes porque vêm dos extremistas de direita e de esquerda.

Alegram-me estas manifestações por que comprovam a minha opção. Mostram que estou no caminho certo e se mostram pela aglomeração dos mentirosos contumazes pelo vício ou pagos com o fundo eleitoral….

Numa de suas crônicas, o jornalista e escritor ítalo argentino, Pittigrilli critica as máximas de La Rochefoucauld – acusando-o de defender verdades relativas. Diz que as verdades relativas não existem, que são, na verdade, meias-mentiras.

Por esta ótica, encontramos a mentira descarada de Lula defendendo a ditadura de Maduro na Venezuela, defendendo que o regime vigente na Venezuela é uma “democracia relativa”; e, paralelamente, vemos o desvario de Bolsonaro envolvendo seu assessor militar para facilitar para si a entrada clandestina no país de joias de avaliadas em R$ 16,5 milhões.

Vê-se assim que além de mentirosos, são corruptos. O empréstimo que o BNDES que Lula fez para a Venezuela, e até agora não pago, deve ter deixado propinas em paraíso fiscais; do mesmo jeito como as manobras furtivas e dissimuladas para pegar os diamantes de Michelle retratam um interesse individual de Bolsonaro.

A falta de patriotismo dos dois, revelada pelo desamor à verdade, leva-me querer tirar essas figuras ignóbeis da vida pública. Pensando em apelar para a Justiça? Que nada, infelizmente não estamos na Escócia e muito menos nos anos de 1005….

Lá, a História registra que quando Mascolm 3º subiu ao trono, um cidadão pelo direito consagrado apresentou-lhe o pedido de uma patente; o rei pegou o ofício e rasgou-o. O requerente apelou ao Parlamento que, por grande maioria, ordenou que Malcolm, sentado no trono e perante a corte, cosesse com agulha e linha o pergaminho. E a Justiça foi feita.

Aqui não temos parlamentares como haviam antigamente na Escócia…. No nosso Congresso Nacional os coxos, além de minoritários, perdem a corrida para os outros….