Há uma discussão séria, importante, nos círculos intelectualizados do País: a internação compulsória para tratamento de viciados no crack. Já dei minha opinião no Blog e no Twitter a favor da medida que, em verdade, atropela alguns princípios médicos, inclusive o que era considerado fundamental, o consentimento espontâneo do drogado.
Os especialistas julgavam que seria indispensável a colaboração voluntária do dependente químico na primeira fase da abstinência, consciente do sofrimento pessoal pelo organismo sujeito ao uso da droga.
Tudo bem. Isto valeu nas primeiras incursões da Medicina no mundo do álcool, maconha, cocaína e medicamentos causadores de dependência, como inalantes e comprimidos soporíferos, tranqüilizantes ou excitantes.
Hoje a coisa mudou de figura. Há uma epidemia de consumo de drogas, as citadas e mais o terrível, o crack, accessível a todos, de mendigos a financistas… É aterrorizante por enlouquecer, transmitir e matar. Assim, qualquer tentativa é válida para conter este malefício.
Há também outras drogas que prejudicam como nunca na história deste País: são os subprodutos da política, como o crack o é da cocaína. É o partidarismo sectário, a distorção ideológica, a demagogia mentirosa e a corrupção, esta última, a pior delas.
Confesso que não sei qual das drogas é a pior, o crack ou a corrupção, mas sugiro – ou melhor – exijo, que ambas recebam um tratamento de choque obrigatório. O partidarismo sectário, a distorção ideológica e a demagogia mentirosa até podem ser curadas democraticamente, pelo voto.
Mas a corrupção, não. Estudemos a conjuntura nacional e os seus pontos de atrito e crise. Há problemas com a presença do “ex” Lula; com o Código Florestal, com a Comissão da Verdade, e até na troca ministerial de rima ruim, do Jobim pelo Amorim. Nenhuma dessas questões, porém, é tão crucial como o enfrentamento da corrupção.
A presidente Dilma – primeira mandatária da Nação – está quase refém dos corruptos e corruptores. Acho, sinceramente, que deve inquietar-se, exigindo de si um cuidado diuturno com a ameaça permanente dos 300 picaretas do Congresso Nacional, aos quais se somaram muitos dos seus companheiros de partido estimulados pelo seu antecessor.
Esta ameaça é real e iminente, que cresceu durante oito anos de uma parceria público-privada para a perversão dos valores éticos e morais, com Lula acoitando e passando a mão na cabeça dos assaltantes do Erário.
Durante oito anos, Lula e o lulo-petismo investiram contra a liberdade de imprensa, por que só a imprensa exercita uma fiscalização eficaz e o controle da administração pública. É a reportagem investigativa o pertinaz inimigo da corrupção municipal, estadual e federal.
Sorte para o Brasil que “elles” não conseguiram calar a imprensa livre; infiltraram jornalistas chapas-brancas nos meios de comunicação, contrataram mercenários e criaram centenas de órgão instrumentais da informação, inclusive na Rede Social.
Mas, embora com quadros rarefeitos, a mídia independente (e a espontaneidade da cidadania nas ferramentas da Internet) levanta dados e informações sigilosas que auxiliam o combate às autoridades cegas, surdas e mudas, que não veem, que não ouvem ou se calam perante as denúncias.
É diante desse quadro assustador, mas não incorrigível, que Dilma deve atuar, submetendo o governo ao seu controle, liderando o seu partido e enfrentando enxuta e verdadeiramente a opinião pública.
No governo, deve demitir e ordenar ação policial e judiciária para punir os possíveis ladrões do Erário; no partido, evitar a depravação total da organização, mantendo os princípios ideológicos originais, como no caso da democracia interna que o lulo-petismo quer exterminar.
O PT não pode continuar fingindo que é um partido de novo tipo. Deve, isto sim, estimular a luta interna – que o fortalece – e não se sujeitar ao caudilhismo, reduzindo-se a obediência dos pelegos arrivistas, como Lula quer fazer na capital paulistana.
Com tais medidas a Presidente pode ficar cara-a-cara com a Nação Brasileira.
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