A ‘esquerda’ que a direita gosta
Reproduzimos o artigo do senhor Rafael Molina Vita, divulgado via Internet pelos Círculos Bolivarianos Leonel Brizola. Trata-se de uma singela
memória que deve ser divulgada para alimentar o fogo do patriotismo e mantida como uma reverência ao mais autêntico entre os líderes da caminhada para a conquista de um Brasil livre, justo e feliz. Vamos abrir aspas para Molina:
“O PT é a esquerda que a direita gosta” repetia nos idos de 1994 aquele senhor na televisão, com a voz firme e o olhar resoluto. Eu, um jovem de 17 anos, achava graça dessa frase. Morei a vida inteira no Estado de São Paulo, e durante anos fui bombardeado por imagens que retratavam o Rio de Janeiro como território livre para os traficantes. Treze anos depois, vejo quem estava com a razão. Lula governa para os banqueiros e dá prosseguimento ao loteamento do Brasil iniciado pelo governo tucano. Rezam a mesma cartilha, da submissão ao capital internacional e do desmonte progressivo do setor público. Como ainda não temos um líder que se contraponha a essa onda neoliberal, convém às novas gerações refletir sobre o papel de Leonel Brizola na história recente.
Único político brasileiro eleito governador de dois estados diferentes. No sul, seu governo foi marcado pela construção de 6 mil escolas e pela expropriação da Companhia Estadual de Energia Elétrica, subsidiária da canadense Bond and Share, fato de repercussão internacional, que apontou o caminho seguido por Brizola durante toda a vida: a defesa da soberania nacional. Foi no Rio Grande que apoiou o surgimento de organizações camponesas voltadas à luta pela terra, embriões do futuro MST. Considerado o inimigo número um dos militares, foi um dos primeiros políticos cassados após o golpe. Era odiado por defender os interesses do povo e amargou um exílio de 15 anos. Após voltar ao Brasil, foi eleito governador do Rio de Janeiro enfrentando uma tentativa de fraude capitaneada pela Rede Globo.
A poderosa emissora fez de tudo para denegrir a administração brizolista, manipulando fatos e agindo com a falta de qualquer escrúpulo. A lavagem cerebral foi de tal monta que até hoje há quem diga que foi Brizola quem inventou a guerra de traficantes nos morros cariocas. Na verdade o governador não impediu a ação da polícia nos morros, mas sim o abuso policial contra a população favelada. A educação foi sem dúvida a maior realização do estadista, que chegou a gastar 53% do orçamento do Estado na construção dos Cieps idealizados por Darcy Ribeiro com uma proposta revolucionária: educação integral para a população pobre. Ainda esperamos alguém para ocupar o lugar de Brizola: um líder comprometido com os interesses nacionais.
Rafael Molina Vita, servidor do fórum de Execuções Fiscais da Justiça Federal
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