Hora decisiva para GM e Crysler
Já foram muitos dias D nessa temporada interminável da crise. Hoje é mais um. As montadoras americanas já tiveram muita ajuda do governo e, mesmo assim, ainda mostram contas difíceis de sustentar.
Chegou a hora decisiva mesmo para a General Motors e a Crysler, porque o governo deu uma ajuda, mas com prazo, e hoje ele tem de prestar contas. Por isso, esse é o momento decisivo para elas, porque as indústrias precisam prestar contas ao governo do dinheiro que receberam.
As indústrias automobilísticas estão tentando evitar a concordata, o que eles chamam lá de “Capítulo 11”. Os administradores das empresas acham que, depois que uma empresa admite publicamente que pode falir (que é uma concordata), as compras de carros da marca diminuem ainda mais.
As empresas têm custos altos demais que não sabem como resolver. Um exemplo: a General Motors, que teve US$ 20 bilhões de prejuízo e que pegou US$ 17 bilhões com o governo, não tem como explicar como ela gasta US$ 5 bilhões por ano com contas médicas dos aposentados. Foram concessões feitas no passado para o qual os trabalhadores contribuíam com quantia simbólica para ter plano de saúde depois de aposentado para ele, a mulher ou o marido. Essa conta tende a ficar cada vez mais cara.
Além das montadoras, os bancos americanos também estão com problemas sérios. Agora os economistas estão falando do “plano N” – de nacionalização. Ou melhor, de estatização. Ontem eu falei com Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central brasileiro. Ele acha que os Estados Unidos não podem deixar de considerar essa possibilidade de o governo assumir o controle dos bancos, pelo menos de alguns deles. Segundo ele, a ideologia não pode ser o impedimento para se pensar nisso. Primeiro, porque em alguns bancos talvez seja inevitável. Segundo, porque é por um período temporário.
Vários economistas americanos como Paul Krugman, que ganhou o Prêmio Nobel; ou Nouriel Roubini, que previu essa crise, estão defendendo a estatização de alguns bancos. Aqui, Armínio Fraga diz que os Estados Unidos deveriam fazer o que foi feito no Brasil no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer): o governo assume, nomeia administradores, os acionistas perdem suas ações e o governo separa o banco bom e vende. Essa é a forma de destravar o crédito e salvar o sistema.
O governo americano está ainda tentando evitar isso. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, deve detalhar esta semana aquele plano, divulgado na semana passada, de compra de ativos podres dos bancos. Bom lembrar que tudo isso é sobre os bancos americanos. Os nossos vão bem e permanecem sólidos.
Assista Aqui com Míriam Leitão
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