Arquivo do mês: fevereiro 2008
LAMENTO
“Diante do novo drama que atingiu Ronaldo Fenômeno, o mundo ficou assombrado de dor. Do mundo todo chegam manifestações de carinho para a excelente figura que é o jogador”.
Hélio Fernandes, jornalista
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IMPOSTOS
Latifundiários não pagam ITR
O Brasil tem cerca de 342 mil imóveis acima de 200 hectares, de acordo com informações do Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita). No entanto, a arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR) em 2006 foi de R$ 302 milhões. Ou seja, cada fazendeiro paga, em média, R$ 1 mil por ano por propriedade. “Esse valor é irrisório”, destaca o presidente do Sindireceita, Paulo Antenor. “Não há um cadastro confiável sobre as terras no Brasil”, complementa. O sindicato suspeita que alguns fazendeiros colocam parte de suas propriedades no nome de “laranjas”, para obtenção de isenção do ITR.
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VIAGEM
Lulinha vai à Antártica com o pai
O presidente Lula disse ontem que a CPI do Cartão Corporativo não incomoda seu governo e defendeu o sistema de compras. “O cartão corporativo é a coisa mais decente que foi criada, ainda no governo passado”, disse. “É uma coisa fantástica”, elogiou. O presidente se emocionou ao visitar a estação brasileira Comandante Ferraz, na Antártica, acompanhado de dona Marisa e do filho Fábio Lula da Silva, o Lulinha.
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MUNICIPALISMO
Municípios estão arrecadando mais
A arrecadação própria vem ganhando importância dentro das receitas municipais. De 2003 a 2006 (últimos dados consolidados pelo Tesouro Nacional), o ISS teve crescimento de 47,1%, enquanto o repasse de ICMS cresceu 20,43%. Em São Paulo, o ISS já supera o valor recebido pela cidade como cota-parte do ICMS estadual. A mudança na capital paulista começou em 2006, quando a arrecadação de ISS ficou cerca de R$ 600 milhões acima da transferência de ICMS. Em 2007, a diferença saltou para R$ 1 bilhão.
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ROUBALHEIRA
CONAB aponta roubo no estoque
Estoques públicos de arroz, café e milho, avaliados em R$ 1,24 bilhão, correm risco de serem desviados dos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre o fim de 2007 e início de 2008, a empresa descobriu o roubo de 5 mil sacas de café e de 4 mil toneladas de arroz, avaliadas em quase R$ 3,5 milhões. A estatal investiga ainda o desvio de milho. Com isso, a Conab decidiu mudar a fiscalização dos estoques públicos. É a primeira denúncia dos últimos anos e o que ajudou na baixa ocorrência de desvios foram os baixos estoques nos armazéns.
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INCOMPETÊNCIA
UE avisou que suspenderia importações da carne
Apesar de o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) ter dito semana passada que a atuação das certificadoras de carne para exportação é “um escândalo”, o governo brasileiro vinha sendo alertado, há um ano, que a União Européia poderia suspender as importações – o que aconteceu este mês – e não agiu. Documentos a que O GLOBO teve acesso mostram que a UE e a missão do Brasil junto às comunidades européias avisaram ao governo que exigências do bloco não estavam sendo cumpridas.
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TRAPALHADA
Roubo na Petrobras serve de diversionismo
O presidente Lula acredita que, embora não haja prejuízo econômico com o furto de dados da Petrobrás, é preciso saber se haverá dano estratégico. “São apenas três empresas no mundo que fazem esse tipo de trabalho”, afirmou, em entrevista na base brasileira da Antártica. “Roubaram um software com informações que eram segredo de Estado. É uma coisa grave que estamos investigando”. Para perito, o furto foi crime comum – Contêiner que levava escritório da estatal estava revirado, com gavetas abertas e peças espalhadas, sem o cuidado de um espião profissional, relata. Avaliação foi passada de modo informal à cúpula da PF; relatório da perícia, que começou com atraso de dias, ainda não ficou pronto.
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MANCHETES do dia_18.fev.08
ESTADO DE MINAS – Cai a desigualdade social na Grande BH
TRIBUNA DO NORTE – PM não expulsa acusados de compor grupo de extermínio
A TARDE – Presidente diz que criação de CPI “não incomoda”
GAZETA MERCANTIL – Suspeita de fraude em taxa sobre área rural
FOLHA DE SÃO PAULO – Área central de SP perde moradores, e periferia incha
JORNAL DO BRASIL – Protesto cerca o governo
ESTADO DE SÃO PAULO – PF ouvirá funcionários que saíram da Petrobrás
O GLOBO – Governo foi alertado há um ano sobre risco com carne
CORREIO BRAZILIENSE – Aposta nos bingos legais
VALOR ECONÔMICO – Arrecadação de municípios cresce mais que a de Estados
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POESIA
Troversando
Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz
(…)
Eu não explico a ninguém
pois ainda não compreendi
porque te chamo meu bem
se sofro tanto por ti.
(…)
Entre nuvens no infinito,
sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.
Não rias do que te digo
mas sempre na nossa alcova
eu quisera estar contigo
como escova sobre escova.
(…)
Do meu coração me espanto!
O amor só me deu pesar,
como tendo amado tanto
tenho ainda amor para dar?!…
Gilka Machado
Gilka da Costa Melo Machado poeta fluminense(Rio de Janeiro 1893 – Idem 1980) foi uma mulher avançada em relação ao seu tempo. Como poeta, foi combatida veementemente por parte dos escritores modernistas, mormente pelo poeta, romancista e ensaísta paulista Mário de Andrade (São Paulo 1893 – 1945) que a achava escandalosa. Os poemas audaciosos de Gilka desafiavam os preceitos e a conduta moral de seu tempo colocando pânico nos falsos moralistas do início do século (hoje existem muitos ainda).
Seus versos falam da condição feminina, expondo de forma ousada para a época o desejo da mulher se libertar das amarras machistas daqueles tempos. Em 1933, Gilka foi eleita “A Maior Poetisa do Brasil”, por concurso da revista “O Malho”, da cidade do Rio de Janeiro. Em 1979, a escritora foi agraciada com o prêmio “Machado de Assis”, da Academia Brasileira de Letras.
(…)Publicado no livro Velha poesia (1965).
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Abrindo aspas, com todo o prazer, para Cora Rónai. Jornalista, editora do Caderno de Informática de O Globo.
NÃO HÁ IDEOLOGIA QUE JUSTIFIQUE
“Por mais que rosnem os jornalistas amestrados, roubo é roubo. Eu ainda acredito, como diz o Millôr, que imprensa é oposição, o resto, armazém de secos e molhados (para quem chegou ontem: pequena loja de bairro, precursora dos supermercados). Acho o jornalismo uma das mais nobres profissões, sobretudo em sua filosofia básica; o mesmo eu poderia dizer da filosofia da profissão médica, por exemplo, embora, numa e noutra profissão, muitos nem percebam a glória do que fazem, tornando-se indignos da “missão” que exercem.
Pode ser efeito colateral do joelho quebrado, pode ser ataque de saudosismo, mas o fato é que já vivi um tempo em que o, digamos, “ecossistema”, me dava mais alegrias. É claro que havia, como sempre houve, jornalistas a favor – há quem diga a soldo – do governo. Bajular os poderosos dá lucro, quando não prestígio, que tantos perseguem. Mas as águas de então estavam bem divididas: eles eram “eles”, nós éramos “nós”. Havia um inimigo comum. Além do que, e não é pouco!, tínhamos menos de 30 anos, às vezes pouco mais de 20. “Eles” tinham colunas e empregos públicos, candidatavam-se, enveredavam pela política sem constrangimento.
“Nós” acreditávamos, sem duvidar, que o papel da imprensa era combater a ditadura, e que, derrotada esta, estariam derrotadas também a corrupção e a impunidade. Ganhávamos pouco, às vezes ridiculamente pouco. Não chegávamos, como a Amélia, a achar bonito não ter o que comer – mas não faltava muito para isso. Até que, um dia, apareceu um agrupamento político chamado PT, e o meio de campo começou a embolar. Isso não ficou claro à primeira vista, pelo menos não para aqueles de nós que ou éramos mais ingênuos, ou já não andávamos diretamente envolvidos em política. Eu me enquadrava nas duas categorias, e ia em frente.
Mas minha ficha caiu quando, um dia, voltando de uma feira de tecnologia, com a jaqueta enfeitada com lindos pins e buttons de sistemas operacionais e de chips, levei um dedo no nariz de uma estagiária do JB que, até então, me parecera boa pessoa: Por que não está usando o button do PT?! Levei um susto. Aquele gesto e aquela voz autoritária podiam ter saído de qualquer zona histórica “alienígena”, sinistra.
Exatamente por causa disso, – respondi, mas acho que ela não entendeu. Eu, porém, entendi. Não havia mais “nós” e “eles”. Havia patrulha e rancor, também entre “nós”. Não havia mais o bom combate ou o livre pensar; havia apenas uma ideologia, como todas muito cômoda, construída com bloquinhos de lugares comuns que não exigiam grande raciocínio de ninguém. Ai de quem não compactuasse. Quando Lula ganhou as eleições, achei que o mundo das redações voltaria à normalidade.
Poder é poder. Imaginar que existe poder “de esquerda” é de uma ingenuidade que não combina com o cinismo e a desconfiança que, em tese, andam de mãos dadas com o jornalismo. Mas, obviamente, maior ingenuidade ainda é supor que quem se ajeita a uma bitola ideológica, por interesse ou por idealismo, guarda alguma capacidade de pensar por conta própria. Sobretudo quando a tal bitola começa a se mostrar lucrativa. Já me prometi mil vezes não falar mais nisso e esquecer que hay gobierno soy contra, até porque o governo não está nem aí para o que nós, imbecis também conhecidos como contribuintes, achamos ou deixamos de achar.
Quando o sangue me ferve nas veias (vale dizer todos os dias, quando pego o jornal), brinco de faz-de-conta: tento acompanhar o noticiário como se morasse em outra galáxia. O diabo é que há coisas que não há Star Trek que resolva. Agora mesmo, não sei o que me deixa mais perplexa e indignada na farra dos cartões corporativos, se o roubo descarado do nosso dinheiro, ou o contorcionismo mental de colegas, que já considerei gente de boa reflexão, tentando defender essa nojeira. Os argumentos são espantosos. Aquela ex-ministra racista, que acha tão normal negros odiarem brancos, está, obviamente, sendo vítima de pessoas que não a conhecem; ora, se até o Zé Dirceu já garantiu que ela não agiu por má-fé!
Roubou sem querer, a coitada, e a Grande Imprensa, branca e machista, lá, nos seus calcanhares. O outro comprou uma tapioca de míseros oito reais, e a Grande Imprensa, uivam os jornalistas amestrados, dá o fato em manchete. Como se o que estivesse em discussão não fosse o como, mas o quanto. Para não falar na eterna ladainha do governo, repetida como um press-release que, a essa altura, sequer tem o benefício da novidade: “na época do FhC era a mesma coisa”. Mas, perdão: não foi para isso que a atual corja foi eleita?! Para mudar tudo o que estava errado?! Para implantar um sentido ético no trato da coisa pública?! O pior é que tanto faz quanto tanto fez.
Enquanto o nosso dinheiro paga qualquer leviandade protegido pelo manto putrefato da “Segurança Nacional”, enquanto jornalistas arrastam a profissão na lama defendendo a corrupção, os poderosos, às nossas costas, se entendem. As famiglias ficarão a salvo.
“Eles” venceram.”
O Globo, Segundo Caderno, 14.2.2008.
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