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Mário Quintana

OS POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Biografia de Mário Quintana aqui

Mário Quintana

Quem Sabe um Dia



Quem Sabe um Dia

Quem sabe um dia

Quem sabe um seremos

Quem sabe um viveremos

Quem sabe um morreremos!

Quem é que

Quem é macho

Quem é fêmea

Quem é humano, apenas!

Sabe amar

Sabe de mim e de si

Sabe de nós

Sabe ser um!

Um dia

Um mês

Um ano

Um(a) vida!


Sentir primeiro, pensar depois

Perdoar primeiro, julgar depois

Amar primeiro, educar depois

Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois

Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois

Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois

Viver primeiro, morrer depois

Mário Quintana


Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista. É considerado um dos maiores poetas brasileiros do século 20.

Mario de Miranda Quintana nasceu prematuramente na noite de 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, situada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Seus pais, o farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana, ensinaram ao poeta aquilo que seria uma de suas maiores formas de expressão – a escrita.

Coincidentemente, isso ocorreu pelas páginas do jornal Correio do Povo, onde, no futuro, trabalharia por muitos anos de sua vida.

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Mário Quintana

O mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

 

Mário Quintana

 

O Poeta

Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.

No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.

Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.

Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.

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Poesia

Os Poemas


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana

O Poeta

Mario Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias. Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém buscando sempre a perfeição técnica.

Sua infância foi marcada pela dor e solidão, pois perdeu a mãe com apenas três anos de idade e o pai não chegou a conhecer (morreu antes de seu Viveu na cidade natal até os 13 anos de idade. Em 1919, mudou-se para a cidade de Porto Alegre, onde foi estudar no Colégio Militar. Foi nesta instituição de ensino que começou a escrever seus primeiros textos literários.

Já na fase adulta, Mario Quintana foi trabalhar na Editora Globo. Começou a atuar na tradução de obras literárias. Durante sua vida traduziu mais de cem obras da literatura mundial. Entre as mais importantes, traduziu “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e “Mrs. Dalloway” de Virgínia Woolf.

Com 34 anos de idade lançou-se no mundo da poesia. Em 1940, publicou seu primeiro livro com temática infantil: “A rua dos cataventos”. Volta a publicar um novo livro somente em 1946 com a obra “Canções”. Dois anos mais tarde lança “Sapato Florido”. Porém, somente em 1966 sua obra ganha reconhecimento nacional. Neste ano, Mario Quintana ganha o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira dos Escritores, pela obra “Antologia Poética”. Neste mesmo ano foi homenageado pela Academia Brasileira de Letras.

Ainda em vida recebeu outra homenagem em Porto Alegre. No centro velho da capital gaúcha é montado, no prédio do antigo Hotel Majestic, um centro cultural com o nome de Casa de Cultura Mario Quintana.

Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994, deixando um herança de grande valor em obras literárias.


Fonte: Sua Pesquisa

Poesia

EU OUÇO MÚSICA

 

Eu ouço música como quem apanha chuva:

resignado

e triste

de saber que existe um mundo

do Outro Mundo…

 

 

Eu ouço música como quem está morto

e sente

um profundo desconforto

de me verem ainda neste mundo de cá…

 

 

Perdoai,

maestros,

meu estranho ar!

 

 

Eu ouço música como um anjo doente

que não pode voar.

 

 

Mário Quintana

 

 

O Poeta

 

Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.

No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.

Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.

Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.

 

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Poesia

PROJETO DE PREFÁCIO

 

Sábias agudezas… refinamentos…

– não!

Nada disso encontrarás aqui.

Um poema não é para te distraíres

como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.

Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe

Um poema não é também quando paras no fim,

porque um verdadeiro poema continua sempre…

Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte

não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

 

Mário Quintana

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História – há 15 anos…

5 de maio de 1994 — A poesia de Mário Quintana

Mário Quintana escreveu sobre a morte: “A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos”. O escritor abandonou o colégio no ensino fundamental porque tinha dificuldades em aprender matemática.

O poeta gaúcho começou a trabalhar muito jovem na farmácia da família e recebeu o primeiro prêmio literário em 1925, aos 19 anos, em um concurso promovido pelo Jornal Diário de Notícias, com o conto A Sétima Personagem.

Para realizar o sonho de conhecer a então capital federal Quintana alistou-se no Sétimo Batalhão de Caçadores e partiu para o Rio de Janeiro, para participar da Revolução de 30. Ficou no Rio por pouco tempo. De volta a Porto Alegre aproximou-se da comunidade intelectual gaúcha e foi trabalhar, em 1934, na Editora Globo onde traduziu obras de Marcel Proust e Virginia Woolf. Nesse emprego seus colegas eram Érico Veríssimo, Carlos Drumond de Andrade e Manuel Bandeira, que se tornaram seus grandes amigos.

O primeiro livro, A Rua dos Cataventos, foi publicado em 1940. Quintana recusava-se a colocar a poesia a serviço de uma causa. Para o poeta, “a poesia engajada é uma outra forma de explorar os explorados” e dizia que “Castro Alves foi o único gênio que conseguiu fazer poesia desse jeito”.

Monteiro Lobato leu os poemas de Quintana na Revista lbirapuitan, de Alegrete, cidade onde o poeta nasceu, e escreveu-lhe encomendando um livro, Espelho Mágico que foi publicado em 1951. Em 1953, já com sete livros publicados, ingressou no Correio do Povo. Quintana já era um escritor popular no Rio Grande do Sul em 1962 quando o livro de coletâneas Poesiaso tornou conhecido em todo o Brasil.

Quintana e a ABL

O poeta concorreu três vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL) e perdeu as três. Em 1978, aos 83 anos, quando a terceira indicação para a ABL foi vetada, Quintana compôs o conhecido Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho/ Eles passarão…/Eu passarinho!

O prestígio não mudou os hábitos simples do escritor, que morava sozinho em um quarto de hotel e preservava sua privacidade ao extremo. Quintana morreu aos 87 anos, com um dos poetas mais populares do Brasil.

 

Fonte: JBlog – Hoje na História