Últimos Posts

Paulo Leminsk

Incenso fosse música

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

A mulata é a tal

CINZAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Tanto ele investiu/ Na brincadeira/ Prá tudo, tudo/ Se acabar na terça-feira…”
(Erasmo Carlos – “Cachaça Mecânica”)

Só o samba do crioulo doido poderia cantar que o carnaval nasceu no Brasil, apesar da História registrar que o Carnaval chegou à terra brasilis trazido pelas caravelas dos colonizadores europeus; e mais, trata-se de uma festa antiquíssima.

No Egito, na Grécia e em Roma, já havia festividades mascaradas e orgíacas. No antigo Egito, celebrava-se a colheita do plantio após as cheias do Rio Nilo, e os gregos e romanos reverenciavam os deuses Saturno e Dionísio (Baco) com a alegria e as extravagâncias das saturnais e bacanais.

Hoje, estas festividades ocorrem em todo mundo, sendo notórios o Carnaval de Veneza, na Itália, o de Cartagena, na Colômbia e o de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Claro que o nosso é o mais notável, atraindo turistas para Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

Um registro, porém, é necessário: tal como ocorre no Ocidente, o Carnaval tem uma origem que remete à igreja católica, que liberava os crentes para “festas pagãs” que   duravam três dias, domingo, segunda e terça-feira, se encerrando na quarta-feira. Esta agenda foi disciplinada pelo papa Gregório I com a criação da Quaresma, período de jejum e penitência.

A quarta-feira, Dia das Cinzas, já era tradição no Oriente Médio, com cinzas jogadas nas cabeças das pessoas pelos patriarcas simbolizando o arrependimento dos pecados perante Deus. No calendário gregoriano a data antecede 40 dias da Páscoa, início da Quaresma.

Encerrando-se o tríduo momesco, é celebrada a missa das cinzas, ato litúrgico que tem origem no Antigo Testamento. O catolicismo, depois de tomar o poder em Roma, apropriou-se de um ditado latino, usando-o no encerramento da Missa das Cinzas: “Quia pulvis es et in pulverem reverteris” – Tu és pó, e ao pó voltarás.

Religiosamente, o pó bíblico é cinza, simbolizando o luto, a mortalidade e arrependimento. É para onde voltarão os corruptos que assaltaram o Brasil, roubando descaradamente o dinheiro público.

Nunca é demais repetir que a quadrilha chefiada por Lula da Silva, desgraçou o País como poetou Affonso Romano de Sant’Anna “Este é o Brasil/ Pungente e triste/ Chove desesperança/ nesse avesso carnaval”.

E, implacavelmente, dá vontade de relembrar a bela melodia e letra compostos por Noite Ilustrada gravados pelo autor e pelos formidáveis Mário Reis, Maísa e Mestre Marçal cantando para os cúmplices da roubalheira lulopetista: “Agora é cinza/ Tudo acabado e nada mais…”

O teu cabelo não nega

Carlos Drummond de Andrade

O outro carnaval

Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?

Carlos Drummond de Andrade

“Um Homem e o seu Carnaval”

  (do livro Brejo das Almas, 1934)
“Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensão.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.
O pandeiro bate
É dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.
Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.”

Linda Lourinha

Manuel Bandeira

“Poema de uma quarta feira de cinzas” 

(do livro Carnaval, 1919)
“Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça…
o seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa…
indiferente a tais ataques,
Nublaba a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonho e de desgraça…”

Allah La O

A cabeleira do Zezé