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SENTENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                       “Se você quiser saber quem realmente são os seus amigos, obtenha para você mesmo uma sentença de prisão“ (Charles Bukowski)

A palavra “Sentença”, vem do latim “sententia, sentire” referindo-se a sentimento, verdade, sinceridade. Com ampla aplicação na linguagem, é um substantivo feminino, sinônimo de proposição, provérbio, máxima, axioma.

Também denominada frase, “sentença” é um enunciado de sentido completo, a unidade mínima de comunicação que encerra um pensamento de ordem geral e, como provérbio, de valor moral.

A religião judaico-cristã registra “sentença” ao julgamento divino a respeito dos atos humanos; e popularmente refere-se a qualquer despacho ou decisão, ou resolução inabalável; a gíria usa “cagar sentenças” para quem dá opiniões sem fundamento ou impertinentes.

No Direito, é o julgamento ou decisão final de qualquer juiz ou tribunal, recebendo a designação de “acórdão” nos tribunais de segunda instância. No Direito Romano os magistrados davam a sentença (sententiam dicere) condenando o réu, ou o absolvendo.

Foi pela influência de Montesquieu que se adotou a separação dos poderes, executivo, legislativo e judiciário, e com isto, o Código Napoleônico imprimiu ao Direito três elementos básicos: o fato, a norma e a sentença, consolidando a ordem e segurança ao ordenamento jurídico francês.

Adotado pelos estados de direito, o silogismo contido no Code Napoleón criou duas premissas, da acusação e da defesa, que resultam numa terceira, a conclusão ou a sentença.

O atual ordenamento jurídico brasileiro acolhe a sentença como o pronunciamento por meio do qual o juiz extingue o processo sem exame do mérito, extingue a execução, ou que resolve sobre o mérito, mesmo que não extinga o processo.

Este conceito, instituído no Brasil pelo novo Código de Processo Civil, vê a sentença além do seu significado instrumental e formal; favorece o contraditório e incentiva discussões de teoria do direito envolvendo o papel do juiz, sua legitimidade e discricionariedade.

É aí que a porca torce o rabo… Quando a Justiça é posta à mesa do Supremo Tribunal Federal, o arbítrio e a legitimidade do juiz vêm provocando polêmica não somente no mundo jurídico, mas entre as pessoas bem informadas e até de leigos assombrados com as últimas sentenças pronunciadas lá…

Inconformado com o ioiô que sobe e desce nas últimas resoluções do STF – para não falar da masturbação no juridiquês e na genealogia das ideias –, apelo para Rui Barbosa, a quem admiro mais e mais, quando folheio seus livros:

Diz Rui: “O povo sabe que não tem justiça; o povo tem certeza de que não pode contar com os tribunais; o povo vê que todas as leis lhe falham como abrigo no momento em que delas precise, porque os governos seduzem os magistrados, os governos os corrompem, e, quando não podem dominar e seduzir, os desrespeitam, zombam das suas sentenças”.

Como é triste aprender isto e chegar ao tribunal da última instância, na última corte de revisão das decisões da justiça brasileira…  Os “considerandos” dos togados, com suas sentenças vulgarmente políticas, levam-me de novo a Rui:  “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

VENDILHÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!” (Castro Alves)

Há uma lição inesquecível no Novo Testamento registrando que Jesus Cristo expulsou do templo os vendedores e os cambistas por duas vezes em três anos. (João 2:13-16; Mateus 21:12-13.

De chicote na mão, Ele, na sua simplicidade, justificou: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.”

Nas religiões, seitas e entre os estudiosos dos evangelhos nem todos aceitam esta passagem, que aos contestadores deixa a dúvida se Jesus era um espírito transcendental ou um ser humano comum.

Os kardecistas aceitam que o fato ocorreu realmente e que foi bem feito, explicando que “um pai que age duramente com seu filho rebelde e desobediente; e como Jesus via o templo como a casa de Deus, perguntam: “Se alguém invade a sua casa você não vai expulsar o invasor? ”

Fabuloso ou não, metafórico com certeza, o caso nos faz refletir que cumpre à autoridade punir e segregar os corruptos, os traficantes e criminosos em geral, principalmente quando influenciam e compram ocupantes do poder, como fizeram com Anás, sumo sacerdote do Templo de Jerusalém, que recebia propinas.

Com os pés na terra, aqui e agora, assistimos que empresários, fraudadores da Lei e negocistas da Bolsa e do Câmbio atuam livremente no País, a nossa Pátria, nosso Templo, financiando legal e ilegalmente mandatários cobiçosos.

Os poderosos no Brasil vão além do varejo da corrupção. Uma informação oficial, do Incra, nos diz que 4,3 milhões de hectares do território brasileiro pertencem a estrangeiros. E mais: 1.200 hectares são comprados por dia por empresas e cidadãos do Exterior.

Grande percentual desta negociata está na Amazônia, que pertence aos brasileiros por tratados internacionais aceitos pelo concerto das nações e ratificados pela ONU.

Porque os governos da Era Lulista e o atual, continuação dos mesmos, insistiram e insistem neste comércio impatriótico e ainda defendem que se façam “doações” e “concessões” de terras a nacionais de outros países?

Representante desta traição à Pátria, o ministro Aloysio Nunes e os seus parceiros no Senado Federal apreciam um projeto que permite uma atuação política de estrangeiros no Brasil, com direito a voto e a formação de partidos.

Num artigo que prende a nossa atenção, a professora Guilhermina Coimbra pede que se informe ao ministro Aloysio para que “não tente agradar amigos de fora do País –qualquer que seja a nacionalidade”, diz bem Guilhermina, por que o território brasileiro está fora de qualquer negociação.

Na verdade, é preciso enxergar que os vendilhões da Pátria estão sozinhos na empreitada de escancarar as nossas fronteiras, e que o povo brasileiro saberá resistir a isto, repudiando a ideia de tornar-se mais tarde refém de forasteiros.

Cabe aos patriotas denunciarem o falso humanitarismo com refugiados que revoga o Estatuto do Estrangeiro, impondo um descarado entreguismo que fere a nossa soberania, ao permitir participação política de estrangeiros, que podem “se ausentar do Brasil, e regressar independentemente de novo visto”; a ponte para a recolonização do Brasil.

Vamos empunhar o chicote da nacionalidade contra a ideologia deturpada ou má-fé, nos contemporâneos vendilhões, que esperam lucrar com essa traficância associando-se e privilegiando os novos bárbaros.

BALANÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                         “A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda” (Rui Barbosa)

Nos dicionários, o verbete “Balança” é substantivo feminino, definido como um instrumento que serve para comparar massas ou medir forças. Foi inventada no antigo Egito, por volta do ano 5.000 A.C. para pesar o ouro, que era usado como moeda de troca.

Era uma barra suspensa, com um prato pendendo em cada extremidade, uma com um peso de determinada medida e a outra com uma peça a ser aferida.

Hoje tem balanças de vários tipos, até eletrônicas, usando uma medida convencionada pelo Sistema Internacional de Medidas, na escala de gramas até toneladas.

Os egípcios representavam as balanças também em várias situações, sendo a mais reverenciada a do Livro dos Mortos, em que é contada a versão do “Julgamento Final”, e daí tornou-se referência ao equilíbrio e imparcialidade nos julgamentos.

Roma adotou a balança como símbolo do Direito, aparecendo também na iconografia da Justiça com outros dois elementos, os olhos vendados e a espada; a balança é o equilíbrio, a venda nos olhos a imparcialidade, e a espada, o poder de decisão.

A minha longeva memória leva-me aos sete ou oito anos, quando vi passando na rua um homem com uma bandeja na cabeça cercado por três soldados da polícia, e disseram que era levado para a cadeia por usar pesos fraudados na sua barraca da feira.

Acho que isto, como a moeda falsa, sempre ocorreu desde a antiguidade e era punida com trabalhos forçados para remunerar os queixantes. O desequilíbrio da balança da Justiça. Porém, era um crime abjeto e o juiz, seu autor, era condenado à pena de morte.

Na atualidade, os crimes praticados na Justiça, da venda de habeas corpus, até a desobediência à Constituição veem sendo vilmente tolerados, e assistimos o que o grande Platão já condenava na Grécia do seu tempo: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.

No infeliz Brasil, nascido nos catorzes anos da República dos Pelegos que patrocinou a ausência da ordem econômica, jurídica e política, a balança da Justiça tem usado pesos falsificados. Juiz que vende sentenças, desembargador que solta traficante, ministro rasga a Constituição para favorecer quem o indicou.

Assistimos no TSE o tragicômico julgamento da Chapa Dilma-Temer, absolvida tragicamente por excesso de provas, e arrastando a comicidade proporcionada por alguns ministros da Corte.

Escrevi meses atrás (talvez anos) que os brasileiros, diante da arrogância, equívocos, e, porque não dizer, desonestidade nos círculos forenses não tínhamos sequer a “mãe do bispo” para nos queixar… Mantenho esta afirmação, sem desalento, pois acredito que a Nação Brasileira vai corrigir isto, pensando como Millôr: “A esperança é uma espera que não cansa”.

Sei que a História com a sua balança infalível, que “balança, mas não cai”, não perdoará o antipatriotismo reinante nas esferas jurídicas. Os que erraram, por bem ou por mal, deviam ouvir nosso epigrafado, Rui Barbosa; “Nada mais honroso do que mudar a justiça de sentença, quando lhe mudou a convicção”.

 

AMIGOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Não preciso nem dizer/ Tudo isso que eu lhe digo/ Mas é muito bom saber/ Que você é meu amigo” (Roberto e Erasmo)

Amigo é o nome que se dá a alguém com quem se mantém uma relação com reciprocidade de confiança e respeito. A amizade tem por base a solidariedade em qualquer ocasião, como no voto do casamento, cumprindo fidelidade “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”…

O amigo não tem status temporal, como reconhece o poeta Vinicius de Moraes: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. Também não exige equivalência nas ideias e aspirações.

Às vezes é até no desacordo de gostos e vontades que a amizade se fortalece. E é aí que me sinto ligado aos mais de 30 mil seguidores, com quem muitas vezes divirjo e polemizo com lealdade e respeito. Dedico-lhes este texto.

Do outro lado do apreço e da estima, a gíria brasileira registra duas expressões “amigo urso” e “amigo da onça” referindo-se a quem se faz de amigo e na realidade é alguém que trai as amizades, hipócrita e infiel. Aparece também, no Dicionário de Gíria de J.B. Serra e Gurgel como ”trapalhão” e “inoportuno”.

Parece-me que o “amigo urso” é mais antigo, mas menos popular do que o “amigo da onça”, que foi criado por Péricles, chargista que manteve uma página na famosa revista “O Cruzeiro” de 1940 até a morte do autor em 1961.

O amigo da onça aparecia inusitadamente em cena colocando o interlocutor em situação embaraçosa diante dos colegas. Por isso chamar alguém de amigo da onça é uma ofensa.

A cena política brasileira – nessa fase difícil que o Brasil atravessa – mostra-nos mais exemplos de amigos da onça do que relações autênticas entre os políticos. Temos um exemplo pronto e acabado de traição entre os “amigos” de Lula da Silva e dele próprio.

Os parceiros de Lula que usufruíram e se beneficiaram com as falcatruas por ele proporcionadas no exercício de 14 anos de poder, hierarcas do PT e empreiteiros, abandonaram-no, denunciando-o nas delações privilegiadas perante o Ministério Público. Lula, por sua vez, descarta qualquer um que lhe comprometa, mentindo e difamando.

Tornou-se corrente no mar de lama da corrupção e na consequente onda de delações, o desprezo pelo socorro tão comum entre bandidos. A chamada classe política e, principalmente a prática do lulopetismo não tratam com a mesma ética da criminalidade comum… Bandido político é indecoroso.

Este quadro coloca o nosso País na situação vergonhosa de ver a deterioração da Democracia e da própria República. As negociatas praticadas mancham o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. É inegável que a crise brasileira é institucionalizada pela substituição de estadistas e líderes por criminosos da pior espécie.

As múltiplas delações mostram uma mancha indelével no mapa do Brasil. Salva-se, para estimular a esperança que temos de nos livrar deste mal outro tipo de “amigo”, além do “amigo urso” e do “amigo da onça”. Está na expressão militar de “fogo amigo” referindo-se a projéteis disparados ou bombas lançadas por engano sobre tropas aliadas.

O fogo amigo do TSE quis salvar Temer e acertou na Justiça, perdoando a organização criminosa do PT e seus satélites, e dos agentes de outros partidos vinculados com empreiteiros, lobistas e doleiros. A varredura posterior será a ação de faxina do Ministério Público, Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro, que levarão fatalmente todos os corruptos para a prisão. Sob aplauso da opinião pública

 

FANATISMO(2)

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br

            “Na superabundância ou na miséria, / Verme – é o seu nome obscuro de batismo”.                  (Augusto dos Anjos)

Eu estava lendo Jorge Santayana num desses fins de semana e me deparei com uma frase que chamou atenção: “O fanatismo consiste em redobrar o próprio esforço quando nos esquecemos do objetivo”. Este pensamento acrescentou-me mais uma lição sobre a realidade em que vivemos.

E lembrei-me de um texto lido há muito no livro “O Zero e o Infinito”, em que o autor, o jornalista Arthur Koestler (do tempo em que os jornalistas eram respeitados) transcreve a descrição de um velho comunista, fundador do Partido Bolchevique da URSS, dissidente do regime stalinista.

Decepcionado, com os desvios da revolução russa comandados por Stálin, falou sobre os restos do partido: “Como as unhas e os cabelos dos mortos continuam a crescer, as “bases” ainda se movimentam e se reúnem como vermes num cadáver em decomposição. Pequenos grupos continuam cumprindo as tarefas divulgando as palavras-de-ordem dos dirigentes bem situados e enriquecidos no governo”.

Como os estudos do corpo humano ensinam, os vermes vivem dentro dos nossos intestinos, alimentando-se da nossa comida e sangue. Eles causam dor de barriga ou diarreia, e drenam a nossa energia.

A exposição da denúncia política e da helmintologia (ramo da zoologia que investiga os parasitas) enquadra perfeitamente os fanáticos que continuam cultuando o degenerado pelego Lula da Silva, corrupto e corruptor, e se mantém ululantes no partido suicida com o veneno da cobiça.

Não há melhor comprovação disto com a eleição da senadora Gleise Hoffman para a presidência da sigla, uma ré comprovadamente envolvida em propinas e associação criminosa com o marido para explorar aposentados e pensionistas.

O alimento dos vermes fanáticos é a distorção da realidade e versão fraudulenta da História, recontada de modo a justificar os crimes cometidos na aliança bastarda do PT-governo com empresários desonestos.

Assim, pelo controle de certos meios de comunicação e na ação coordenada de professores engajados na ideologia falida das experiências realizadas, encontramos elogios ao bolivarianismo que destruiu a economia venezuelana e impôs uma férrea ditadura no País.

As inverdades históricas, referindo-se a entidades, regimes e personagens, levam-nos ao totalitarismo que George Orwell mostrou magistralmente no seu “1984”. Ali, um sistema tirânico criou o Ministério da Verdade para recontar a História.

Manipulando a informação para o domínio do partido, criou a “novilíngua”, o “duplipensar” e a “multabilidade do passado”, e com eles estabelecendo os princípios dialéticos de “Guerra é Paz”, “Liberdade é Escravidão” e “Ignorância é Força”.

Não é isto o que se vê hoje na mídia, nas cátedras e nos argumentos da militância lulopetista? Na sua interpretação, crime é “erro” e criminoso “herói”. Pensam, não com a conjuntura, mas como movimento comunista do século passado.

Nos discursos, pregam a Paz e a Democracia, na prática, ameaçam “derramamento de sangue” contra seus contraditores e defendem as ditaduras “amigas”. E, durante 14 anos de poder, instituíram uma educação que deseduca e institui a ignorância.

Para melhor descrever os fanáticos que restam, nada mais adequado do que a lição de

Leonardo Sciascia: “Uma ideia morta produz mais fanatismo do que uma ideia viva; ou melhor, apenas a morta o produz. Pois os estúpidos, assim como os corvos, sentem apenas o cheiro das coisas mortas”.

SÍNDROMES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A medicina cura as doenças do corpo. A sabedoria liberta a alma das paixões” (Demócrito)

É preciso não confundir “complexo” com “síndrome”. O “complexo” nasceu de uma inspiração de Freud na tragédia grega Édipo Rei, estudando os desejos amorosos do menino pela mãe. Veio depois o lado feminino das meninas em relação ao pai que ficou conhecido como Complexo de Electra.

Estudados pela psicanálise há um sem número de complexos, que se caracterizam por falta de clareza, de difícil entendimento, e, portanto, são estudados sob os mais diferentes pontos de vista. Vão do “complexo de castração” até o “complexo de Deus”, sendo este último muito comum entre aprendizes de ditadores…

Distingue-se do complexo a síndrome. Esta define as manifestações clínicas de uma ou várias doenças. Bastante comum na Medicina e na Psicologia a palavra síndrome vem do grego “syndromé”, significando “reunião”. Para complicar, usa-se a síndrome em diagnóstico de doença pouco esclarecida, embora com os seus sintomas e sinais.

Um verbete das enciclopédias ficou muitas vezes citado nas redes sociais: a “Síndrome de Estocolmo”, que caracteriza a patologia resultante de um sequestro que ocorreu em 1973 na capital sueca, em que a vítima se identificou com seu raptor e passou a defende-lo.

Muito estudadas são as síndromes de Peter Pan, um trauma que bloqueia a maturidade do homem e a de Cinderela, mulher que espera o príncipe encantado…

Li outro dia o livro de Carmen Posadas “A Síndrome de Rebeca”. Interessantíssimo para os da minha geração e dos cinéfilos que cultuam os filmes clássicos. Vem de um livro de Daphne Du Mauruer, que foi levado ao cinema e só é encontrado atualmente nos sebos…

A Escritora fez questão de, na apresentação, esclarecer que não é psicóloga, nem socióloga, nem antropóloga, nem qualquer outro “loga”. Se confessa ser apenas uma observadora das reações humanas.

Como a grande maioria dos meus leitores e seguidores no Twitter e no Face Book são jovens, é bem possível que não tenham assistido a fita, nem lido o livro. Rebeca é um drama que se passa no interior da Inglaterra, tendo como cenário a mansão de Manderley, pertencente ao milionário Winter.

Viúvo de Rebeca, uma mulher bonita e carismática, perdeu-a tragicamente, afogada numa tormenta, e Winter se casa de novo com uma jovem simples que, encarnando uma “Gata Borralheira”, chega à casa senhorial onde ocorreu a tragédia. Lá, a moça se envolveu num jogo diabólico da governanta, sra. Danvers, que venera a memória da antiga patroa.

Ali tudo lembra Rebeca. Cuja letra inicial do nome está em todas as coisas, como monograma nos papéis de carta e nos guardanapos; até o perfume exalado no castelo era o preferido de Rebeca. Apesar deste culto à memória de Rebeca, o sr. Winters mudou-se da alcova que compartilhava com ela e terminou mostrando que a odiava…

No final, o solar de Manderley termina se incendiando e livrando a nova sra. Winters do pesadelo que viveu.

Está chegando a hora de incendiar o Brasil transformado na grande mansão dos Winters e livrar o povo brasileiro de uma síndrome política, que se abateu sobre homens acriançados, ansiando pela ingênua transformação do mundo, e de mulheres que transferem a afetividade amorosa pelo culto à personalidade de um político.

Também não me assumo como psicólogo, sociólogo ou antropólogo, mas descobri para estas pessoas as síndromes “de Guevara” e “de Olga”, que os levam a sonhar com revoluções aos moldes do século passado querendo até restaurar o falido regime stalinista.

Os guevaristas e as olguinhas fanáticos pelo sistema corrompido e corrupto do lulopetismo, e pelas doentias aspirações pervertidas, participam da minoria ruidosa e se tornam terroristas a serviço da organização criminosa com o monograma “PT”…

O BEM E O MAL

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A maturidade do homem consiste em haver reencontrado a seriedade que tinha no jogo quando era criança” (Nietzsche)

A humanidade desde os seus primórdios vive uma guerra entre o bem e o mal, e isto não depende do ponto de vista de cada um; é inexorável este choque na política e fundamentalmente na religião.

Na política, a sociedade assistiu historicamente em todo mundo a opressão de déspotas e ditadores, a divisão de classes, a escravatura e a servidão. Até onde se conhece, os males e o enfrentamento do bem das antigas nações, têm essa realidade gravada em argila, na madeira, no metal nos papiros e na pedra.

Há também registros primordiais em todas as religiões estudadas e conhecidas da luta incessante do bem contra o mal.

O mais expressivo exemplo vem da mitologia persa com a competição de Ormuz, o deus do bem, contra seu irmão gêmeo, o deus do mal, Arimã. Este quadro é descrito no livro sagrado do mazdeísmo, o Zend-Avesta, escrito por Zaratustra.

De lá para cá, tanto as religiões politeístas como as denominadas grandes religiões monoteístas apresentam este confronto mitológico, sendo que o judaísmo e o cristianismo veem Deus punindo e combatendo Lúcifer.

E parece que há um DNA da memória que revive em todas as cabeças o conflito do Bem contra o Mal. É generalizado na cultura de todos os povos; na filosofia e na literatura mundial, nos romances, na poesia, no teatro. Dos contos às novelas. E até na música.

Encontramos na filosofia grega, tanto em Sócrates como em Platão, o pensamento que coloca o choque do bem contra o mal, no caráter da pessoa. O primeiro ensinou que “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância” e seu discípulo foi mais além, dizendo que “Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal”.

No cinema é expressiva esta luta. Pulando sobre as produções de fundo introspectivo, o modelo mais do que perfeito está nos filmes de faroeste, do mocinho contra o bandido. No bang-bang incessante vê-se a peleja do bem contra o mal.

Também nas histórias em quadrinhos. Eu tive a felicidade de ter a permissão dos meus pais de ler gibi, o que era proibido na minha infância e adolescência para os meus colegas. Neste tipo especial de arte – na composição, no desenho e na mensagem – hoje se reconhece tratar-se de uma produção talentosa de artistas.

No conjunto de texto e na forma, a qualidade das histórias em quadrinhos abrange todos os gêneros; da comédia à tragédia, com realismo ou ficção. Temos até o lado ingênuo, cujo exemplo é do brasileiro Mauricio de Sousa com a sua notável produção da Turma da Mônica.

Nos gibis mais populares, o bem e o mal andam lado a lado e segundo o estudioso da matéria, Marcelo Paiva, “a linha entre um e o outro é muito tênue”. O herói e o anti-herói se combatem, um defendendo a humanidade com altruísmo e o outro querendo dominá-la com um bando de bandidos.

Estamos vivendo no Brasil este combate, tipo Batman contra Lex Luthor, Super Homem contra os exilados de Kripton e Capitão América contra o nazismo…  De um lado os que defendem a Constituição e que se faça uma Justiça Boa e Perfeita; do outro lado uma falange de corruptos.

E não resta dúvida, que o conhecimento da realidade mostra que os bons, que defendem o bem, não têm bandidos de estimação, enquanto os maus, que ficam com o mal, fazem dos bandidos seus heróis.

 

PARECENÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol;com.br)

                        “Os melhores fascistas obedecem em silêncio e trabalham comdisciplina”  (Benito Mussolini)

Repetidamente discute-se no Twitter duas interpretações: Se o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista) era de direita ou de esquerda e se o Partido dos Trabalhadores do pelego Lula da Silva tem formação fascista.

Mussolini, nosso epigrafado, explica com a frase pronunciada a obediência cega dos militantes fascistas e sua disciplina, cuja ação só foi superada pelos membros do Partido Comunista (Bolchevique) da União Soviética. Ambos caricaturados pelo fascismo tupiniquim…

Descrevendo a conjuntura alemã quando os militantes do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães se preparavam para tomar o poder, os historiadores Roger Manwell e Heinrich Fraenkel registraram:

“O Parlamento estava enfraquecido por um número demasiado grande de partidos de minoria, cada um procurando obter mais vantagens do que os outros”.

Não é o que se vê no Brasil com a enxurrada de partidos nanicos? Mais de dez se autodenominando “de esquerda”, mas andando a reboque do PT, e do seu cultuado chefe.

Como se sabe a linguagem é viva e saudável na boca do povo. As palavras nascem, adoecem, desaparecem ou morrem. Pesquisando, encontro e visito na UTI do idioma português a palavra “Parecença”, um substantivo feminino que vive graças às injeções culturais dos sertanejos.

Sua característica é ser intimamente ligada à aparência semelhante, sendo, por isso, mais do que simplesmente semelhança. Assim, apresenta menos sinônimos do que antônimos, como diferença, discrepância…

Então há pouca ou nenhuma diferença na formação do PT com a formação do NDASP. A História registra que quando em 1920 Hitler assumiu o comando do Partido Nacional Socialista, que era uma agremiação “de esquerda”, acrescentou à sigla “dos Trabalhadores”, que ficou “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”.

E em seguida, os irmãos Otto e Gregor Strasser, secretários de mobilização do partido nazista mobilizaram as várias tendências esquerdistas da Alemanha, os anarco-sindicalistas que enfrentavam os comunistas, os trotskistas, sociais democratas e até trânsfugas do Partido Comunista (stalinista). Não foi desse jeito que os padres “revolucionários” fizeram em São Paulo paras fundar o PT?

Esta composição tem uma incrível parecença. E tem mais: tal qual assistimos no Brasil, Hitler criou as “Tropas de Assalto” com duas vertentes; uma, o chamado pessoal “do queima”, para discursos em portas de fábrica enfrentando os comunistas, e outra a dos vândalos mascarados para o “quebra-quebra” nas ruas das cidades.

Os militantes ouviam Hitler, como aqui ouvem Zé Dirceu. Hitler orientou: O NDASP não deverá ser um porta-voz da opinião pública, deverá dominá-la. Não será servidor das massas e sim seu patrão” (Mein Kampf); um pensamento lulopetista.

É assim que se comportam os cúmplices da roubalheira desenfreada de Lula e os hierarcas do PT.  A lavagem cerebral substituiu o livre pensar pelo fanatismo por uma ideologia fraudulenta que só defende nos discursos os interesses do País e da Nação.

Isto estamos assistindo. Para salvar Lula, não esperam que a Justiça puna seu ex-aliado Temer pelos seus malfeitos, mas praticam puro terrorismo. Na mídia, o noticiário seletivo dos militantes e contra prédios públicos, vandalismo.

Por isto, fico com o pensamento redondo e completo de Buenaventura Durruti: “Al Fascismo no se le discute, se le destruye.”

CORRUPÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

           “Debalde eu olho e procuro…/ Tudo escuro/ Só vejo em roda de mim!” (Casimiro de Abreu)

Distante da Pátria eu poderia cantar com o vate Gonçalves Dias e todos os poetas que o seguiram poetizando “canções do exílio”, como Casimiro, meu epigrafado, Murilo Mendes e Carlos Drumond de Andrade…

Mas a exaltação romântica que estes românticos fizeram está na contramão do que sinto, a onze horas de voo, na bela Costa Rica, a pérola da América Latina, pelo seu exemplo de Democracia, Educação e Saúde ao alcance do seu povo amável.

Não quero me lembrar dos jambeiros, nem dos maracanãs… A corrupção política escurece a minha vista da nossa pródiga natureza. Não esqueço que a corrupção é assassina, que mata os investimentos públicos para a Saúde, a Educação e o próprio bem-estar da cidadania.

Segundo os dicionários, o verbete “Corrupção” é um substantivo feminino qualificado como adulteração, deterioração, decomposição física de algo e putrefação. Isto bastaria para desenhar o mapa do Brasil. É a má aplicação da riqueza nacional em proveito da chamada “classe política”.

Estudiosos apontam várias formas de corrupção, citando o suborno, extorsão, fisiologismo, nepotismo, clientelismo e peculato. Qual dessas miseráveis modalidades não se vê atualmente na nossa Pátria?

Neste momento que atravessamos, uso uma lupa – que me ajuda enxergar o Brasil de longe – para focar a gênese do horror que nos envergonha e, como negar, nos amedronta. Vejo os mais de oito bilhões de reais que Lula da Silva, o arqui-corrupto, presenteou para a JBS, dos seus comparsas da família Batista.

A venda de Medidas Provisórias – que parecia um crime inominável – tornou-se mera coadjuvante do poder de corrupção que foi dotado aos pseudocapitalistas amigos do lulopetismo.

Foi daí que se envolveram centenas de políticos de várias legendas partidárias, mais particularmente aqueles que arrotavam oposicionismo aos males causados nos anos de PT-governo, em que um dos seus eleitos, Michel Temer, assumiu a presidência da República após o impeachment de Dilma Rousseff.

O afastamento de Dilma nos parecia uma livrança da pior crise econômica que o País vive, pela incompetência e leniência com a corrupção da ex-presidente alter ego de Lula. Acreditou-se que ajudaria o combate à inflação e principalmente ao desemprego de 14 milhões de trabalhadores.

Triste engano. Temer trouxe consigo uma fraude: o seu próprio partido medularmente envolvido em tramoias, e a enganação do tucanato, com o candidato adversário da chapa Dilma-Temer, Aécio Neves, comprometido com a criminalidade política igual a do PT e seus satélites.

Escrevo com a tristeza de reconhecer que pouco resta no cenário das ilegalidades cometidas pelo PT, PMDB, PSDB, PP e outros menos votados, mas tão envolvidos quanto.

A acumulação dos malfeitos nos 14 anos de ocupação do poder pelo lulopetismo se refletiu de maneira geral sobre os três poderes da República. E muito pior: acarretaram o silêncio cúmplice de uma grande fração do povo, aproveitadora dos restos do banquete da pelegagem e seus aliados ostensivos e ocultos.

Felizmente, a alvorada: os combatentes da Polícia Federal, do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro, que, como um tsunami de honestidade está lavando o solo nacional para nos livrar da podridão generalizada do mundo político.

 

 

GLOBALIZAÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                  “A globalização mata a noção de solidariedade, devolve o homem à condição primitiva                                 do cada um por si e reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada”    (Milton Santos)

Tenho certeza que não aparecerá um só intelectual manifesteiro do lulopetismo para contestar o nosso epigrafado, o professor Milton Santos, cuja respeitabilidade é superior às centenas de assinaturas em defesa de uma ideologia que favorece a corrupção, e, além de superada, é deturpada.

A palavra “Globalização” está na moda, apesar de representar o processo de ampliação da hegemonia econômica, política e cultural do Foro de Davos sobre as demais nações. E incrivelmente, é defendida pelos “socialistas” latino-americanos.

O termo globalização é dicionarizado como substantivo feminino e definido como “espécie de mercado financeiro mundial criado a partir da união dos mercados de diferentes países e da quebra das fronteiras entre esses mercados”.

Sou contra a globalização porque derruba fronteiras para substituir o conceito de país por um governo virtual, transnacional, que realiza transações financeiras e comerciais e impõe culturas às nações aderentes e subordinadas.

As recentes eleições na França distinguiram-se por transparecer o choque das duas tendências mundiais, em prol e contra a globalização. O Reino Unido – que a séculos acumula experiências de autodefesa, já se mostrou contrário, e a eleição de Trump, nos EUA, inclinou-se igualmente contra o império invisível que tem George Soros como porta-voz.

Soros, como se sabe, é o megaespeculador que quebrou o Banco da Inglaterra, e lidera um grupo de “hedge funds” que exerce grande influência sobre o Euro. Não se manifestou publicamente como fizeram Obama e Merckel divulgando suas adesões em alto tom a Emanuel Macron, mas certamente o fez “por debaixo do pano”.

No sábado anterior ao pleito francês (no Exterior já se votava em embaixadas e consulados), o ex-ministro grego de Economia fez um estremecido apelo para que elejam o candidato de Hollande contra Le Pen. Mostrou que precisa do suor do povo francês para a Grécia sobreviver e escapar da crise gerada pela corrupção.

Há duas décadas seria impensável que a intelligentsia terceiro-mundista aderisse à globalização como fazem hoje os mesmos que combateram o Consenso de Washington e denunciavam – muitas vezes sem razão – o “imperialismo norte-americano pelos seus males.

Veja-se que o FMI define como característica fundamental da globalização o comércio e transações financeiras, movimentos de capital e de investimento, migração e movimento de pessoas e difusão da ideia de uniformização cultural “universalista”.

Estes princípios contribuem sem dúvida alguma para a subordinação dos Estados-Nações. É o que se traduz no Brasil com a Lei da Imigração, que escancara as nossas fronteiras para os refugiados que a Europa recusa, e cria uma confusão mental sobre a notável contribuição migratória para a nacionalidade brasileira.

Uma coisa se registrou com àqueles que vieram trabalhar e progredir no Brasil, fugindo de guerras e crises econômicas; outra é vir concorrer com a pobreza aqui existente e sem busca de solução pelo mesmo governo que se abre para estrangeiros.

Enfim, ser contra a globalização é ser contra o domínio de um “grande irmão desconhecido”, é recusar-se a adotar o consumismo e o hedonismo das nações ricas do chamado primeiro mundo…