Arquivo do mês: setembro 2017

ESQUERDISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Meu ofício é dizer o que penso” (Voltaire)

Com a experiência de setenta anos como observador e, às vezes, como participante das lutas sociais pelo progresso dos povos e justiça social para os trabalhadores, sofro um pesar imenso pela visão equivocada dos que assumem o chamado “esquerdismo”.

Tenho pena principalmente dos jovens, alguns que me seguem no Twitter, por repetirem como papagaios as lições inconsistentes e inconsequentes de agitadores travestidos de professores, por sua vez confusos nas interpretações teóricas.

Em primeiro lugar, vejo extemporâneo seu modo de assumir a atividade política. Têm a visão distorcida da realidade. Como o mitológico Mapinguari das lendas amazônicas, parece terem apenas um olho atrás da cabeça, olhando sempre para trás…

Sonham com os desfiles dos descamisados e a tomada da Bastilha; com as tricoteiras ao pé da guilhotina, as barricadas da Comuna de Paris, as revoluções camponesas na Alemanha e o 1917 na Rússia. Traindo os ensinamentos da História, caem nas teias narcopopulistas apoiando a corrupção financeira e ideológica do lulopetismo.

Até os ditos “marxistas” distorcem a conjuntura nacional praticando uma política da contestação pela contestação, numa prática indeterminada. Miram generalizadamente qualquer sistema de governo que não seja aquele que financie as suas tresloucadas ações para conquistar votos em nome da “revolução”.

As lutas sociais estão esquecidas, exceto as que a História registra no passado. São incapazes de enxergar que a ciência e os avanços tecnológicos asseguram no alvorecer deste século 21 o domínio da natureza, favorecendo o padrão de vida da sociedade, mesmo entre os desiguais, os mais e os menos favorecidos.

Os comunistas atuais (“herdeiros legítimos da frustrada experiência na finada URSS) arrotam a “luta de classes” se esquecendo de que o assassinato dos kulaks e os milhões de contestadores mandados para a Sibéria, não extinguiram a divisão de classes na URSS onde se instalou uma nova classe dominante, a burocracia partidária.

Fotografias manipuladas, documentos rasgados, omissões de depoimentos como o famoso Relatório Kruschev, apagam da memória a triste experiência marxista-leninista escorregando para o “esquerdismo”, uma falsa ideologia que, segundo Richard Gombin, ”opera como uma inversão total de perspectiva”.

O esquerdismo como verbete não consta de nenhum dicionário do pensamento marxista, mas um vago texto no livro de Lênin “Esquerdismo, doença infantil do comunismo” diz que “designa correntes políticas que são criticadas por seu excessivo radicalismo”. Como teórico, o líder revolucionário russo só viu os ruídos das manifestações e os quebra-quebra produzidos pelos “Black Blocs” de então.

Na verdade, o esquerdismo através da História não passa de grupos desnorteados ou de revolucionários utópicos, mas, principalmente, de mercenários a serviço de um partido populista, como o PT. São os Stédiles e Boulos da vida, cuja principal atividade é conquistar espaço na mídia.

O espelho dos esquerdistas brasileiros são as caricaturais ditaduras dos Castro em Cuba e dos chavistas na Venezuela. Por isso, esses ídolos de barro foram financiados pelos governos Lula e Dilma com o dinheiro do contribuinte brasileiro, rendendo propinas para a caixa do PT.

Lamento que muitos jovens estudantes e trabalhadores bem-intencionados não enxerguem as arapucas em que caem por falta de conhecimento da História. Nada mais claro de que o esquerdismo prejudica o progresso e estimula, em lugar do pensamento livre, um fanatismo de seita.

O esquerdismo foi bem definido pelo psiquiatra Lyle Rossiter no seu livro “The Liberal Mind”, ao perguntar: “Enquanto a crença da direita é coerente até onde a teoria da evolução nos leva, em que se baseia a crença esquerdista?

 

MÁSCARA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Por baixo desta máscara não há só carne…Por baixo desta máscara há uma ideia Sr. Cryde. E ideias são à prova de bala! ” (V de Vingança)

Nas artes cênicas, a máscara é possivelmente o elemento mais simbólico da linguagem no teatro, mas também em cerimônias religiosas primitivas, nas festas carnavalescas e, até no uso medicinal como proteção de vírus para si ou para os outros.

Dicionarizada, “Máscara” é um substantivo feminino que designa um acessório para cobrir total ou parcial o rosto a fim de ocultar a identidade. O verbete tem origem discutível; poderá vir do latim mascus ou masca, “fantasma”, ou no árabe maskharah, “palhaço”, “homem disfarçado”.

Seu uso vem de muito longe no tempo como peça incorpórea; mas não é apenas um meio de cobrir o corpo e mais particularmente o rosto. Atualmente há um misterioso poder de transfiguração nas expressões e nos gestos do ser humano, servindo também de disfarce social e político.

Tal qualidade de transfiguração é inata à muitas pessoas. Uns fingem mais, outros fingem até sem o saber, e fingem até poeticamente, como expressa Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor / Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente”…

O ruim, porém, é que o uso da máscara como fingimento é muitas vezes antissocial. A psicologia estuda muitas formas das expressões enganosas com o fito de conquistar confiança ou simpatia. As mais comuns são a “máscara de religioso” que exibe conhecimento de textos “sagrados” sem leva-los à prática pessoal; a “máscara do forte”, de homens e mulheres que embora decaídos, não revelam fraqueza.

Na política brasileira tal qual a conhecemos fala-se comumente numa locução dirigida a um político: “deve tirar a máscara”, o quê, no sentido figurado, manda-o abandonar a dissimulação para mostrar-se como realmente é.

Entre os profissionais da política as máscaras são reconhecidas com a convivência, o noticiário sem desmentido, e algumas delas são patéticas!  Não há exemplo melhor no nosso dia-a-dia do que o caso das denúncias de Tuma Júnior, no seu livro “Assassinato de Reputações”, que aponta Lula da Silva como informante da ditadura militar, que não sofreu contestação do referido…

Outros políticos de todos os partidos mostram-se mascarados de “bonzinhos”, “reformadores” e “honestos”, e se revelam travestidos de bondade, maquiados de reformadores e de aparência enganosa.

Existem milhares desses fingidores na pirâmide da atividade política, da Presidência da República no ápice, descendo pelos ministros, senadores, deputados federais ou estaduais e prefeitos e vereadores dos mais longínquos municípios. Mostram-se defensores ou opositores ao poder constituído, otimistas ou insatisfeitos com a realidade, tudo para manter o status quo.

Na Justiça, é banal a “máscara do justiceiro” de magistrados que vendem sentenças e com elas a consciência. Muitos juízes aparentam uma postura que não corresponde à garantia dos direitos à punição dos crimes.

Ao lado dos proxenetas e eunucos da Política e da Justiça, existem, sem dúvida, honrosas exceções; temos políticos sérios, patriotas e bem-intencionados, e distribuidores da Justiça de excepcional espírito público, com saber, independência e equanimidade.

Infelizmente temos que admitir, penosamente, que a grande maioria dos homens públicos (não se pode usar “mulheres públicas” neste caso) podiam ser personagens de cinema, não no filme “V de Vingança”, que é contra o totalitarismo e a corrupção governamental; mas daquele filme de Chuck Russell, “O Máskara”, que traz Jim Carrey com a máscara de Loki, o deus escandinavo de pele verde que realiza loucuras desonestas e violentas.

Nos quadrinhos, os super-heróis também colocam máscaras e se transformam naquilo que não são na frente dos outros; esses são imitados na vida real como os “heróis petistas da corrupção”. No gibi de Lula-Loki e dos seus quadrilheiros, entretanto, sua aparência não é verde, mas vermelha…

 

EDUCAÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É melhor não ser educado do que ser educado pelos seus governantes'” (Thomas Hodgskin)

“A nossa educação histórica deve ser orientada pela nossa experiência política. Não devemos nos irritar com os miseráveis resultados da direção da coisa pública se não estivermos resolvidos a cuidar de uma melhor educação política”. Este é o pensamento dos que defendem uma escola politizada. Mas foi escrito por Adolf Hitler, no seu livro “Mein Kampf”.

Aquela professora petista que teve o desplante de dizer que as crianças “não pertencem aos pais, mas ao Estado”, acompanha, sem dúvida, orientação nazista, assim como vários parlamentares lulopetistas têm o mesmo ponto de vista.

O pior é que estas fanáticas e histéricas paixões pelo Estado Onipotente representam um atentado à individualidade, ao direito à privacidade e à liberdade de escolha, consagrados à pessoa humana.

Adotado como uma forma narcopopulista do bolivarianismo tupiniquim, entra naquele acúmulo de erros, decisões descabidas e maus programas que a autodenominada “esquerda” brasileira vem cometendo ao longo dos anos.

Embora não tenhamos uma Constituição dos nossos sonhos, enxuta e objetiva, capaz de atender os anseios sociais da administração pública, encontramos regulados nela a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Para vivermos numa Democracia, precisa-se respeitar esses direitos fundamentais da cidadania, o direito à vida, à intimidade, à igualdade, à segurança e à liberdade, inseridos no art. 5° da Constituição em vigor.

Constatamos, infelizmente, que o espírito de justiça social é alvo dos partidos totalitários e os aprendizes de ditador. Não é por acaso que os que combatem uma escola livre de partidarismo são os mesmos que defendem as ditaduras como Cuba e Venezuela.

Essa gente segue consciente ou inconscientemente os ensinamentos hitleristas, como o que foi expresso no “Mein Kampf” por Hitler – “A educação deve ser orientada de tal maneira que um jovem, ao deixar a escola, não seja um pacifista democrata ou coisa que o valha”.

Isto não é o que a humanidade aspira, e muito menos os brasileiros amantes da liberdade. Vem da cultura grega uma lição que o grande filósofo Sêneca nos deixou como herança: “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”.

Diante disso, cabe-nos reagir para enfrentar o ressurgimento das ideias totalitárias; não é possível que uma manada de búfalos fascistas imponha o modo de educar as crianças brasileiras para fazê-las robôs do Estado ou de um partido.

Na sua sabedoria o inconteste líder dos ingleses na luta contra o nazi-fascismo, Winston Churchil, escreveu que “Os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascistas”. E é isto o que assistimos, alertamos e damos apoio ao movimento “Escola sem Partido”.

(Mein Kampf, 8ª edição em língua portuguesa “Minha Luta” da Editora Mestre Jou, 1962)

 

 

DELAÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: miradndasa@uol.com.br)

“O trapezista morre quando pensa que voa” (Mário Henrique Simonsen)

Muito em moda, nas páginas dos jornais e conversação cotidiana, a palavra “delação” é um substantivo feminino com etimologia latina “delatione”, que define a ação de delatar, denunciar um crime cometido por alguém ou por si mesmo; revelação de um crime, delito ou ação ilegal.

Tem uma imensa sinonímia, na linguagem coloquial ou em “juridiquês”, como arguição, criminação, acusação, denunciação, denúncia, querela. Como denúncia, é a revelação intencional de crime, ou de qualquer comportamento errado, exposição ou divulgação de algo oculto ou ignorado.

Seu agente é o delator, do latim delator, “delatus”, particípio passado de DEFFERRE, “levar de um lado a outro”.  O delator era visto não muito antigamente como um indivíduo abjeto, indigno de ser aceito pela sociedade.

Delator era o “dedo-duro” gíria que originou os verbos “dedar” e “dedurar”, já dicionarizados; aparecendo também como “dedão”, dedurador, “mandrake” “alcagueta” e “X-9”.

No combate ao crime, surgiu em vários direitos nacionais o instituo da colaboração premiada. Na legislação brasileira é um benefício legal concedido ao réu que numa ação penal aceite colaborar na investigação criminal ou entregar seus parceiros; e no Brasil, na expressão popular, o colaborador passou a ser o delator…

Dezenas de delações premiadas foram obtidas pelo MPF na Operação Lava Jato. Ex-diretores da Petrobras, doleiros, agentes de personalidades e partidos políticos, enfim, com uma verdadeira multidão, o instituto tem ajudado efetivamente a faxina para limpar o Brasil da corrupção.

Nesse cenário, uma bomba de milhares de megatons estourou a 18 de maio deste ano com os áudios divulgados com uma conversa de Joesley Batista, dono da JBS – um dos maiores frigoríficos do mundo e o presidente Michel Temer.

O empresário diz que por ordem do Presidente estaria pagando “mesada” a Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro para que eles ficassem calados. Com isto, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a denúncia reconhecendo o delito, fez um acordo espalhafatoso com o delator, e acusou Temer.

O acordo provocou discussões nos meios jurídicos e na opinião pública. Suspeitou-se da autenticidade das gravações e a Câmara inocentou Temer. Mesmo assim, pairou no ar nova denúncia que provocou acerba rixa entre o Presidente e o Procurador.

Agora estourou outra bomba com o anúncio de uma investigação para apurar indícios de omissão das delações de Joesley e executivos da JBF com práticas desonestas no acordo firmado pela Procuradoria.

Como resultado desta investigação, poderão ser cancelados benefícios dados a Joesley e de outros delatores no acordo de Janot, nunca digerido bem pelos brasileiros. Numa entrevista coletiva convocada por Janot, ele anunciou denúncias de que o promotor Marcelo Miller, seu auxiliar, colaborou com a JBS dentro do MPF.

Segundo os diálogos no novo áudio, Marcelo Miller instruiu Joesley Batista e Ricardo Saud para obterem um bom acordo de delação. Com a mesma pressa com que Janot instaurou o inquérito contra Temer, um dia após o pronunciamento dele foi instalada na Câmara uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Esta CPMI pode colocar em risco a delação chancelada pelo Procurador Geral da República, e assim arrestará os benefícios exagerados dados por ele a Joesley Batista e seus comparsas.

Dessa maneira, a delação e os delatores adquirem os epítetos que a colaboração premiada minimizou. Com a sua alcaguetagem não passarão de ser reles dedos-duros, “dedões”, mandrakes” e “X-9”… E corrupto Geddel com seu apê cheio de dinheiro? Só levando na galhofa: É o “Tio Patinhas da Corrupção”!