Arquivo do mês: setembro 2015

TATUAGEM

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O pseudônimo é como uma tatuagem; mandamos fazê-la irrefletidamente e depois temos que ficar com ela o resto da vida” (Pitigrilli)

O irreverente jornalista e escritor ítalo-argentino Pitigrilli acertou comigo; adotei profissionalmente há uns 50 anos o sobrenome do meu pai e após longo espaço de tempo até eu m’esqueço meu prenome… Orgulho-me desta “tatuagem”.

A palavra tatuagem vem da Polinésia, ‘tatou’ ou ‘tu tahou’, que quer dizer desenho. Foi o almirante Cook, explorador das ilhas do Pacífico, que trouxe para o Ocidente o termo, que escrevia “tattoo”, fixando-o na língua inglesa e daí se espalhou pelo mundo.

Trata-se da dermopigmentação (“dermo” = pele; e “pigmentação”, ato de pigmentar ou colorir desenhos feitos por agulhas na pele. Até pouco tempo os pigmentos eram irreversíveis; agora o laser resolveu o problema…

O registro mais antigo de tatuagem foi encontrado no “Homem do Gelo”, corpo mumificado com cerca de 5 300 anos descoberto em 1991, nos Alpes. Múmias egípcias do sexo feminino, como a da rainha Amunet, que teria vivido entre 2160 e 1994 a.C. apresenta indícios de tatuagem na região abdominal; pesquisadores crêem que poderia ter relação com cultos à fertilidade.

Hoje as tatuagens estão espalhadas por todo planeta como distintivo honorífico, símbolo de grupo organizado, afirmação de amor, sinais de desprezo e de ódio e com fundo religioso. No Brasil, sofremos por muito tempo resistência ao seu uso, graças ao escritor e folclorista João do Rio, que imprimiu um caráter desabonador à tatuagem associando-a a prostitutas, cafetãos e ladrões.

Quando estudante de Direito ganhei um registro sobre criminalidade que trazia desenhos usados por presos, perdi-o e não me lembro o autor. Felizmente acabou este preconceito entre nós e a utilização da tatuagem entre os jovens se multiplicou com função estética.

Nos tempos de invulgar inspiração, o compositor Chico Buarque produziu uma canção, “Tatuagem” com os lindos versos “Quero ser a cicatriz/ Risonha e corrosiva/ Marcada a frio/ Ferro e fogo/ Em carne viva/ Corações de mãe, arpões/ Sereias e serpentes/ Que te rabiscam/ O corpo todo/ Mas não sentes.”

Os bandidos nazistas marcaram os prisioneiros nos campos de concentração pela origem geográfica ou racial, pelo status social ou escolaridade, gravando ciganos, eslavos, homossexuais, judeus e polacos. Usaram números para condenações à morte. Na Venezuela estão tatuando as pessoas para estabelecer cotas de alimentos e remédios.

Essa prática, felizmente, ainda não chegou ao Brasil. Os assaltantes dos cofres públicos, os cínicos, ladrões e mentirosos não são estigmatizados com um “C”, um “L” e um “M”. E ainda dissimulam a fisionomia com maquiagem, cirurgia plástica e até pelo marketing. Vêem-se caras de anjo pagas com o dinheiro das propinas. Lula usa botox para disfarçar os sinais de alcoolismo. A máscara, porém, vale como um “L” na testa…

Constata-se que a corrupção e o amoralismo dos hierarcas do PT trazem uma marca indelével, irreversível e irremovível, a patologia criminosa do lulo-petismo.

Os corruptos ignoram, mas têm uma tatuagem invisível, por que a expressão do delinquente é uma marca não impressa. O maior exemplo é o falso herói José Dirceu, cujo olhar o denuncia. Mas temos também os que fazem questão de ter o corpo marcado.

A militância de carteirinha do PT rabisca o corpo com signos indecifráveis, estrelas ou imagens de bandidos santificados pela necessidade primitiva de endeusar alguém.

Como gado humano, os socialistas bolivarianos exibem o bico de pena de Che Guevara no braço, nas costas, ou no peito; e os que pregam o fuzilamento das classes médias contrárias ao desastrado governo Dilma, usam provavelmente a Caveira, o símbolo de ameaça de morte ao inimigo…

 

 

Chamadas de capa das revistas semanais

Veja

Capa – Lava-Jato exclusivo: o primeiro político delator diz que participou da montagem do Petrolão com Lula no Palácio do Planalto

Época

Capa – Lava Jato trincada: A decisão do STF de retirar do juiz Sergio Moro investigações do petrolão põe em risco o futuro da operação contra a corrupção

ISTOÉ

Capa – Última cartada: comprar. Depois de receber o “não” da cúpula peemedebista, Dilma abre o balcão de negócios no Congresso tentando ganhar uma sobrevida

ISTOÉ Dinheiro

Capa – Dólar dispara: Moeda americana ultrapassa R$ 4,20, asfixia empresas e consumidores e alimenta a inflação. É o efeito do risco Dilma.

Carta Capital

Capa – Limites à Lava Jato: O ministro Teori Zavascki redefine o seu papel. E o de Sergio Moro.

EXAME

Capa – Brasil em crise: A perda do selo de país bom pagador vai trazer mais recessão, dólar mais caro e inflação mais alta

ARCA DE NOÉ

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br

A arca desconjuntada/ Parece que vai ruir/Entre os pulos da bicharada/ Toda querendo sair” (Vinicius de Moraes)

O deputado federal Alessandro Molon eleito pelo PT no Rio de Janeiro, um dos vice-líderes na Câmara deixou o partido para ingressar na Rede de Sustentabilidade de Marina Silva.

Molon militava quase 20 anos no PT, e não era um bicho comum entre os lulo-petistas. Sem me aprofundar na sua biografia, não me parece com os ratos que roem o queijo do Erário, nem como as gazelas carreiristas, nem camaleão oportunista, nem os burros que carregam a carga pesada, ou as hienas que comem o resto do banquete dos tigres, ou os urubus que sobrevoam o desgoverno apodrecido de Dilma.

Embarcou no lulo-petismo pensando em salvação, mas não justifica que tenha agüentado tanto tempo sem enjoar na arca perdida da pelegagem.

Essa arca à deriva não se parece nem um pouco com a Arca de Noé descrita nos capítulos 7, 8 e 9 do Gênesis, que descreve como Noé foi orientado por Deus para construir um grande navio que o salvaria e à sua família, e mais um casal de cada espécie de animais do mundo.

O deus de Abraão nada tinha de brandura. Estava disposto a destruir a humanidade que reconhecia perversa, através de um grande dilúvio, e assim o fez. Cientistas discordam da veracidade da Arca, sem aceitar a capacidade da embarcação referida pela Bíblia, atribuindo-a as lendas das religiões antigas.

No infeliz Brasil sob o reinado da ignorância implantado pelo apedeuta Lula, Dilma, sua representante na presidência da República, subverte a visão realista associando a Arca de Noé ao avanço da ciência através dos tempos.

Não é apenas um chute pseudo cultural. Talvez Dilma sustente a sua tese com as bugigangas chinesas da sua loja de R 1,99, pois um grupo de professores mandarins gozaram na web a insustentável descoberta da Arca no Monte Ararat…

Como uma arca ardilosa, o PT navega por 14 anos nas águas turvas de um projeto criminoso de manutenção do poder. E leva no seu bojo uma bicharada famélica por propinas, comissões, caixa 2, enfim, pixulecos para cada representante da sua “revolução dos bichos”.

O Brasil inundado pela má gestão, incompetência e roubalheira do PT-governo, assiste prazeirosamente o naufrágio da Era da Pelegagem; e eis que sem o avanço da ciência baseada em lendas pela “ignoranta Presidenta”, o barco petista está afundando.

Já pressente o fim da cabotagem infame a fauna de oportunistas e carreiristas pendurados nas tetas do Erário e/ou nas negociatas escusas com empreiteiros e banqueiros. Não sei se é verdade científica ou mito, mas ouvi dizer que a estória dos ratos serem os primeiros a abandonarem o navio, vem  da Arca de Noé.

Aqui, pelo menos, após a chuva de devassidão cair por 40 dias e 40 noites, as ratazanas pelegas preparam-se para  pular do convés vendo escoar as águas do mar de lama e surgir a terra firme da Justiça, nos contrafortes do Ministério Público, Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro.

Há,  porém, uma distinção: Começam a abandonar a canoa furada do PT os animais superiores e sensíveis, escapando  por pranchas improvisadas do barco da pelegagem para uma jangada pronta a receber os desertores… Que saiam outros mais, além de Molon, porque qualquer coisa que flutue é melhor do que a Arca de Dilma.

E ao assistirmos o soçobro da embarcação petista, em vez de adorarmos os ratos como os indus fazem no templo Karni Mata do Rajastão, vamos cantar com o leonino povo brasileiro a poesia de Vinicius de Moraes vendo a arca ruir:

“O salto do tigre é rápido/ Como o raio, mas não há/ Tigre no mundo que escape/ Do salto que o leão dá”…

 

“De Lupa”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É preciso ter olhos de ver e ouvidos de ouvir” (Ditado popular)

Tenho uma larga experiência para afirmar que quando estamos no Exterior vemos coisas que passam despercebidas quando estamos no Brasil. Na realidade vista “de lupa”, constata-se a ampliação tanto das coisas boas, como das más…

Na Colômbia, mas propriamente em Bogotá, o Brasil fica muito longe, longe de todos os países das América do Sul e Central, e do Caribe, todos permanentemente acompanhados pelo noticiário da imprensa e revistos na conversação das pessoas informadas.

Durante a semana que passei aqui, só duas notícias sobre nós tiveram destaque na imprensa televisada: no campo político, a prisão do tesoureiro do PT, Vacari, e, na economia, o dólar ultrapassando os R$4, arrochando o câmbio para brasileiros que fazem turismo e os colombianos que fazem negócios no Brasil.

Falar em turismo, tenho uma sugestão para o ministro Eduardo Alves, do Turismo, para criar uma espécie de representação nos países latino-americanos, o que já é feito por todos, até pelo Curaçau! Que faça isto, já que não temos uma atuação diplomática do Itamaraty, mais preocupado em ideologizar o relacionamento exterior do PT-governo do que com o progresso da nosso País.

Como retrospecto negativista, lembro que em Montevideo, não há uma agência do Banco do Brasil! Isto também nos Andes, um absurdo! Como escrevi acima, podem anotar: a China é mais próxima do que nós, o que complica nossa situação. O Wall Street Journal publicou hoje uma matéria que se abre com um comentário: “Mesmo que queiram continuar atuando no Brasil, as multinacionais se queixam de que o país lhes causa “mais dores de cabeça do que a China”.

E as complicações têm um endereço certo: O rebaixamento para categoria especulativa pela Standard & Poor’s, que revelou a situação da dívida soberana, antes tida como segura e que deixou de sê-lo pela irresponsabilidade de um governo incompetente e corrupto.

Um representante da Avon – que fatura no Brasil mais do que nos EUA, reclamou numa roda de imprensa que com as oscilações do câmbio produzidas pelo PT-governo fizeram seus lucros caírem 6%; e, na mesma ocasião, analistas de mercado alertaram que a economia brasileira se encaminha para uma hiperinflação…

Também registramos que estão sempre presentes nos comentários de jornalistas especializados, os escândalos da Petrobras, incompreensível para todos, indagando por que a corrupção na estatal não tenha sido detectada pelos círculos governamentais, só aparecendo numa investigação policial, que envolveu vários diretores e dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Há cobranças ao ministro Joaquim Levy, cujas afirmações não encontram eco no ministério lulo-petista, embora respaldadas pela própria Presidente. Aliás, estranham a perda de autoridade de Dilma, cuja voz não repercute entre os líderes e parlamentares do seu partido.

Escrevendo às pressas, obrigo-me a divulgar uma piada que corre nos meios de comunicação, dizendo que os brasileiros se esqueceram da grande inflação da década de l990, memória que fica apenas entre alguns poucos mais velhos e assim mesmo entre aqueles atentos para as perdas que voltaram a sofrer.

Ecos dos EUA e do Reino Unido indicam a retenção de investimentos no Brasil e realçam que a única saída encontrada pelo PT-governo é o aumento de impostos e a recriação do imposto sobre as transações financeiras – a famigerada CPMF.

A atenção externa está voltada para a desconstrução governamental e as exigências populares refletidas no desgaste da aprovação de Dilma (7%) e os pedidos de impeachment, que em 72 horas recolheram um milhão de assinaturas.

Assim vejo o Brasil “de lupa”, desde Bogotá.

 

Chamadas de capa das revistas semanais

Veja

Capa –  Estado brasileiro, um monstro que devora riquezas.

Época

Capa – A presidente sem poder:  Dilma se enfraquece e perde tempo ao lançar um pacote de ajuste equivocado.

ISTOÉ

Capa –  Dilma quer que você pague a conta: Pacote de ajuste da presidente se limita a tungar o bolso do contribuinte

e reforça a guerra do impeachment. (Pág. 1)

ISTOÉ Dinheiro

Capa – O verdadeiro tamanho do rombo: R$ 200 bilhões: Dilma joga a conta para a sociedade e resiste em cortar seus gastos excessivos.

Carta Capital

Capa – Malabaristas em apuros: O precário equilíbrio desta turma.

 

DENÚNCIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É traição? É traição, mas é uma traição entre criminosos. Não se está traindo a Inconfidência Mineira, não se está traindo Resistência Francesa.” Sérgio Moro

Vivendo no clima de faxina contra a corrupção no Brasil, popularizou-se o termo “denúncia”, que nada mais é do que o testemunho de um criminoso contra outro criminoso ou outros criminosos, obtendo o delator os benefícios da lei no cumprimento da pena, se for condenado.

Nosso epigrafado, o juiz Sérgio Moro, que conduz um importante instrumento para combater os crimes contra o patrimônio público, expressa com propriedade recurso da colaboração premiada, que permite a condenação dos culpados. Diz ele: “Às vezes, as únicas pessoas que podem servir como testemunhas de crimes são os próprios criminosos”. E na verdade são.

O instituto da delação premiada está implantado no Brasil desde 1990, e tem servido à Justiça para obtenção de provas na prática criminosa. O termo jurídico é “colaboração premiada”, cujo valor está em que o “colaborador” se obriga a apresentar provas que sustentem a acusação feita.

Este acordo tem ajudado a Operação Lava-Jato realizada com mérito pela Polícia Federal, encontrando respaldo na condução judicial de Sérgio Moro, cujo trabalho é aplaudido pelos brasileiros cansados de tantos roubos nas esferas da administração pública e nas empresas estatais.

Juiz da vara federal de Curitiba, Moro é um homem simples levando a vida simples de classe média. Não tem a arrogância comum às autoridades brasileiras, inclusive de vários colegas da magistratura; e merece o respeito da cidadania por não perdoar os poderosos executivos de empreiteiras e a alta hierarquia do Partido dos Trabalhadores, que ocupa a presidência da República.

Diz-se, e é uma verdade histórica, que a corrupção existe a muito na administração pública, grassando vergonhosa e criminalmente nos círculos políticos; mas também é uma verdade insofismável que se oficializou no governo do PT, instituída oficialmente.

Uma expressão popular diz que atualmente no Brasil em qualquer chão escavado a procura de malfeitos, sempre aparece uma minhoca, a minhoca corrupta da pelegagem dominante, onde um ministro compra tapioca com um cartão corporativo e os parentes e protegidos por Lula da Silva, quando presidente, exibiam passaportes diplomáticos.

Entre os favoritos do Presidente, uma sua apadrinhada fazia viagens oficiais suspeitas usando cartões de crédito da presidência para compras no Exterior e “otras cositas más”; os filhos de Sua Excelência foram beneficiados de tal maneira que se tornaram milionários da noite para o dia.

Outra verdade é que o reinado de degenerescência não foi investigado a tempo. Por causa do amedrontador apoio popular do demagogo líder do PT e outras razões dignas de estudo.

Entre muitos motivos, cabe uma autocrítica: a tradicional displicência dos brasileiros. E, sem dúvida, o acumpliciamento dos 300 picaretas do Congresso Nacional e a inegável acomodação temerosa de magistrados dependentes do poder político.

Felizmente surgiu o Ministério Público jovem e independente, fortalecido pela ação do ministro Joaquim Barbosa, do STF, que domou as feras da pelegagem e adubou o terreno, e plantou a mentalidade anti-corruptível que a Nação colheu. E lhe sucederam inúmeros juízes corajosos, entre eles Sérgio Moro.

Em auxílio à faxina para livrar o Brasil da corrupção, veio a delação premiada, adornando o combate ao crime organizado com o colar das denúncias, uma jóia que deve ser usada como um fetiche para repelir a corrupção lulo-petista.

JUSTIÇA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A pátria não é ninguém: são todos; e cada
qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação”. (Rui Barbosa)

Convivi a vida toda com advogados, muitos contemporâneos da velha Faculdade Nacional de Direito, além de outros adquiridos pela amizade ao longo do tempo e na convergência das idéias. Perdi de vista os que se tornaram juízes; nunca tive aproximação com um juiz.

Acompanho a magistratura superficialmente pelo noticiário dos jornais; só aprofundei-me na sua teoria mergulhando no mar esmeraldino, precioso, dos trabalhos de Rui Barbosa a que tive acesso. Neles, fui do patriótico “Oração aos Moços” ao bíblico “O justo e a justiça política”.

Li a “Oração” a conselho do meu pai quando ainda cursava o ginásio. Emocionei-me; e agora, passado dos oitenta anos, ainda encontro nela palavras proféticas para o Brasil de hoje: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

No “O justo e a justiça política” encontrei a pregação republicana ao culto da Justiça que levou Rui a analisar o quadro da ruína moral do mundo romano, com os Césares dirigindo o espetáculo da sua justiça degenerada, invadida pela política, e joguete da multidão.

Fui alertado, e creio que alertados foram também os advogados e juízes. A Justiça é representada por uma balança, mas não se confunde com o Comércio… A consciência cívica exige que se estabeleça uma distinção entre os tribunais e os shoppings.

O anedotário dos círculos jurídicos registra uma passagem de Tolstoi falando de um juiz que para anular ou confirmar as decisões a ele submetidas, abria aleatoriamente as páginas do processo e se ela trouxesse um número par, votava pela confirmação; se fosse ímpar, votava pela anulação…

Anedotas e lendas urbanas à parte sou uma pessoa que levo a Justiça a sério, mesmo que tenha sido violada uma vez ou outra; e confio em juízes até mesmo naqueles cuja nomeação de favor não transmita saber jurídico pela tinta da caneta do governante. A sua consciência deve falar mais alto do que o pagamento pelo patrocínio.

Acredito que a magistratura aprendeu com Platão, que “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. Por isto espero a retidão dos juízes, diferentemente dos que simulando honestidade perguntam se há Justiça nesse País.

Estes céticos de conveniência a serviço de um socialismo de fancaria afirmam que só vão para cadeia ladrões de galinha, quem furta pote de margarina, pretos e pobres… Mas foram os mesmos que atacaram o ministro Joaquim Barbosa que julgou os lulo-petistas do Mensalão e levou à cadeia os hierarcas do partido.

Passando à vista os passadores de cheques sem fundo do bolivarianismo, afirmo-lhes que absolvição e condenação não são apenas palavras, e quem faz uso delas com honradez e patriotismo, como o juiz Sérgio Moro, não merece sofrer as agressões, hostilidades e até ameaças de morte da organização criminosa que ocupa fraudulentamente o poder no Brasil.

Os céticos, os pessimistas e os praguejadores que me perdoem, mas creio firmemente que o STF não livrará da punição os que roubaram o Erário, acometeram contra a Petrobras na compra ilegal de Pasadena, no sobrepreço das licitações e na parceria corrupta com empreiteiros desonestos.

Que os petistas torçam para que os ministros do Supremo livrem a alta hierarquia do seu partido, enquanto 93% dos brasileiros fazem sua a inesquecível peroração de Chaplin no último discurso do filme “O Grande Ditador”: “Juízes, não sois máquinas! Homens é o que sois!”.

Chamadas de capa das revistas semanais

Veja

Capa –  “Deus, sendo bom, fez todas as coisas boas. De onde então vem o mal?” (Santo Agostinho, nas Confissões)

Época

Capa – A propina atômica do PMDB: PGR obtém evidências de que os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá e Edison Lobão receberam propina de empreiteiras pelo contrato da usina de Angra 3.

ISTOÉ

Capa – #somostodosimigrantes

Carta Capital

Capa – Cratera fiscal: Governo não sabe como cobrir o déficit, mas ignora os sonegadores.

ISTOÉ Dinheiro

Capa –  Como sobreviver à fúria digital de Uber, Whatsapp & cia.

BURRICE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Contra a burrice os próprios deuses lutam em vão”
(Friedrich Schiller)

Procurei em vão nas enciclopédias impressas ou virtuais quem foi que traduziu Schiller e usou o brasileirismo “burrice” no pensamento genial que trago na epígrafe. Gostaria de cumprimentá-lo.

Friedrich Schiller foi poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão, que com Goethe liderou o movimento literário romântico alemão “Sturm und Drang” (Tempestade e Ímpeto).

O Movimento defendia a poesia mística, selvagem, espontânea, em última instância quase primitiva, onde o que realmente tinha valor era a emoção acima da razão. Seus seguidores foram chamados de “Stürmer” e primavam por combater o alheamento pouco inteligente dos alemães para a política.

Como tinham razão! Devem ser lembradas pelos democratas de todo mundo as eleições do dia 5 de março de 1933 que levaram Hitler ao poder na Alemanha. Os que conhecem História sabem que após o incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro, o país mergulhou num clima de violência e Estado de Exceção.

Gangues nazistas armadas aterrorizavam o povo e a polícia invadia residências e procurava por suspeitos nos trens de passageiros. Com isto, Hitler acreditou numa vitória esmagadora, o que não aconteceu. O Partido dos Trabalhadores Alemães obteve 43,9% dos votos.

A burrice veio depois: o marechal-presidente Paul von Hindenburg, de muitas condecorações e pouca visão política, nomeou Hitler chanceler. Sem nenhum mal querer pelos asnos, considero que as pessoas burras são as mais fáceis de serem enganadas e dirigidas por outrem.

Assim foi no nazismo lá na Alemanha; embora aqui se manifeste uma massa fanática de infinita burrice, será impossível empossar um Hitler caboclo…. O mais cotado candidato a ‘furher’ do Partido dos Trabalhadores Brasileiros, Zé Dirceu, revelou-se no Mensalão; agora está indiciado por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa…

O outro, Lula da Silva, está com a vida política por um fio. Já é processado em Portugal e aqui pesam indícios de participação no assalto à Petrobras e manobras no BNDES que podem levá-lo à cadeia.

Assim, não será um traque de São João na calçada do Instituto Lula, nem a turba lulo-petista atacando o boneco Pixuleco sob o comando truculento dos camisas pardas do PC do B, que o povo brasileiro permitirá a implantação da ditadura no Brasil.

Porém é inegável a influência da burrice entre nós: É comprovada pelo caráter de seita assumido pelo PT, com seguidores fanáticos que atacam burramente os críticos de Dilma tachando-os de tucanos ou eleitores de Aécio, quando não, de golpistas… Ainda não conseguiram entender que se trata de uma onda nacional, lúcida, apartidária, democrática e patriótica.

A burrice é virulenta. Pega. Transmite-se no ar que a pelegagem corrupta respira. Está no exemplo dado pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht criticando quem ‘dedura’… Onde Marcelo aprendeu o princípio da Omertà – a lei máxima da máfia, o voto de silêncio inquebrável entre os mafiosos? Teria sido com os líderes do narco-populismo latino americano?

O juiz Sérgio Moro soprou nos ouvidos honestos que a colaboração premiada “é traição, mas é uma traição entre bandidos; não se está traindo a inconfidência mineira, nem a resistência francesa…”

Em respeito ao mamífero da família dos Eqüídeos, conhecido como asno, burro e jumento, ofereço ao herdeiro da Casa Odebrecht o princípio constitucional da presunção de inocência: quem sabe ele não seja tão burro, somente saiba da morte de Celso Daniel por traição ao PT, ou do assassinato do procurador Alberto Nisman, que denunciou na Argentina Cristina K.