Arquivos Mensais: maio 2012

CPI dá passo à frente e convoca governadores do PSDB e do PT

Convocação de Cabral é rejeitada; comissão quebra sigilo de Demóstenes

A CPI que investiga a relação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários convocou para depor os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Perillo terá de explicar a venda de uma casa pela qual teria recebido cheques de pessoas ligadas a Cachoeira, e Agnelo será chamado a falar sobre conversas em que ex-servidores do governo discutem contratos públicos com integrantes da quadrilha. Foi rejeitada a convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). A convocação de Agnelo surpreendeu o PT. A CPI quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico do senador Demóstenes Torres (sem partido – GO) e de mais 18 empresas ligadas ao grupo de Cachoeira.

Bombeiros abafam crise com o STF

No STF, no governo e na base, o dia ontem foi de colocar panos quentes na crise provocada pelas declarações de Gilmar Mendes sobre Lula. No Supremo, o presidente Ayres Britto minimizou o episódio, enquanto governistas evitaram responder às críticas da oposição. Até mesmo Lula preferiu não citar o caso, mas reclamou: “Tem pessoas que não gostam de mim.” (O Globo)

CPI decide convocar Perillo e Agnelo, mas poupa Cabral

Governadores tucano e petista terão de depor sobre Cachoeira; já o peemedebista não terá de explicar relação com Delta

A CPI do Cachoeira aprovou a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Com a ajuda dos tucanos, a comissão decidiu não chamar o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), para explicar sua relação com o principal acionista da empreiteira Delta, Fernando Cavendish. No caso do petista, a insatisfação da base com o Planalto, por causa da demora na liberação de emendas e no preenchimento de cargos no governo, foi decisiva para sua convocação. O PMDB também está insatisfeito com o governo, mas decidiu acompanhar o PT, que votou contra a ida de Agnelo, em troca do apoio à não convocação de Cabral. Sobre a quebra de sigilo da Delta, o governador disse: “Por que eu temeria?”. (Estadão)

Juros caem mais e já mudam poupança

Taxa de 8,5% ao ano é a menor da história no país e cadernetas renderão menos a partir de agora

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem, por unanimidade, reduzir os juros básicos da economia em 0,5 ponto percentual, para 8,5% ao ano. É a menor taxa na história do país. Com isso, depósitos em caderneta de poupança feitos a partir de 4 maio último estão agora sujeitos a novas regras, com rendimento menor. Mesmo assim, essas aplicações continuam entre as mais vantajosas do mercado financeiro, principalmente para quem tem investimentos até R$ 25 mil. Pela primeira vez, os diretores do BC tiveram o seu voto divulgado publicamente, obedecendo à Lei de Acesso à Informação, que também entrou em vigor em maio. (O Globo)

Chamadas de 1ª página_5ª-feira, 31.mai.12

O GLOBO – Presidente do TRE-SP é afastado por tribunal

FOLHA DE SP – CPI convoca governadores Perillo e Agnelo, mas não Cabral

ESTADÃO – CPI decide convocar Perillo e Agnelo, mas poupa Cabral

CORREIO BRAZILIENSE – CPI convoca Agnelo e Perillo para depor

VALOR ECONÔMICO – Atuação de Aécio ajuda a blindar Cabral na CPI

ESTADO DE MINAS – CPI chama Perillo e Agnelo. Cabral, não

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – CPI convoca Perillo e Agnelo e libera Cabral

ZERO HORA – CPI convoca Agnelo e Perillo, mas livra Cabral

Respondam os lulo-petistas: o PNDH3 era bom ou ruim?

Eu só quero entender: o PNDH3 era a consolidação ideológica do governo de Sua Majestade Metalúrgica ou não passou de um balão de ensaio do apagado pelego Paulo Vannuschi, ministro dos Direitos Humanos?

No lançamento do PNDH3, Vannuschi se travestiu de ideólogo, com a sisudez de candidato à Academia Brasileira de Letras. Arrotou vanguardismo “de esquerda” e se arvorou de pai do Brasil Sindicatão, e agora, vendo de crista baixa o seu projeto remexido e descaracterizado diz que as mudanças foram positivas…

É certo que às vésperas de uma Copa do Mundo o povão não quer saber de outra coisa senão do futebol e do patriotismo esportivo, mas os letrados deste país devem estar pensando sobre a escancarada expressão de “multi-ideologia”, tema de discussão nos botequins parisienses.

O que diabo é “multi-ideologia”? Uma nova jogada de marketing de Obama ou a “governabilidade à européia” dos países que adotam o parlamentarismo? Parece que essas duas versões e outras mais, porque o jornal espanhol El Pais chamou Lula de “multi-ideólogo” e isso embaralha tudo.

Se os conservadores britânicos que ganharam a eleição por uma meia dúzia de três ou quatro votos fazem alianças com os liberais-democratas para assumir o poder em lugar dos trabalhistas, praticam a “multi-ideologia”, Lula faz o contrário: incentiva o mensalão, alia-se aos 300 picaretas, dá força a Renan Calheiros e José Sarney para garantir a “governabilidade”.

Não pode ser considerado “multi-ideologia”, por exemplo, o lance oportunístico do Presidente, cedendo às pressões de vários setores da sociedade, entre eles as duas poderosas frações da Igreja Católica e das Forças Armadas. Lula se dobrou por pura malandragem.

Mesmo assim condescendendo em transfigurar o PNDH3, não agradou, pois atendeu as queixas de uns e desprezou as reclamações de outros. Tirou a legalização do aborto, considerando-o uma “questão de saúde”; agradou religiosos e desagradou feministas.

Anuiu aos reclamos dos militares no caso da anistia aos torturadores, mas descontentou até a UNE – a mais pelega das entidades do movimento popular; atendeu aos ruralistas, mas recebeu severas críticas de pastorais católicas e do MST.

Afastou as ameaças à liberdade de imprensa, acabando com as propostas de punição de rádios e TVs por desrespeito aos direitos humanos e riscou o texto referente à disciplinamento dos jornalistas, o que deixou os stalinistas e afins fulos de raiva.

Tendo, como exemplo o PNDH – de curto período de vida – vê-se que – não é fácil assumir uma política “multi-ideológica” no Brasil, e sim a sua caricatura, graças ao jogo de cintura de Lula. Este conquistou uma imensa popularidade aconchegando sob as asas dos privilégios, banqueiros e estudantes ativistas, católicos e defensores do aborto; conservadores e gays; preservacionistas do meio ambiente e desmatadores; corruptos de todos os naipes e moralistas tipo Suplicy e Paulo Paim.

Dessa maneira, distribuindo cargos e verbas públicas a personalidades, partidos, meios de comunicação, sindicatos e organizações não-governamentais este “multi-ideologismo” à brasileira vai levando, porque a terminologia política que vale para as democracias européias é subvertida no Brasil.

Aqui, a ideologia não tem vez. Perde para as transigências circunstanciais e as acomodações diante dos fatos. Em linguagem corriqueira: a multi-ideologia do PT-governo é oportunismo do bom e do melhor.

Sá de Miranda

COMIGO ME DESAVIM

 
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.

Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

 

Lula ajuda ‘bandidos’ que querem ‘melar’ mensalão, diz Gilmar

Ministro do STF se considera alvo de boatos que, segundo ele, o petista espalha

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse que o ex-presidente Lula está dando vazão a boatos criados para abafar o julgamento do mensalão. Gilmar acusou “gângsteres”, “bandidos” e “chantagistas” de tentar “melar” o processo ao disseminar informações segundo as quais ele teria recebido favores do contraventor Carlinhos Cachoeira. As declarações foram dadas um dia depois de Lula se dizer “indignado” com a acusação de Gilmar de que ele o teria pressionado a adiar o julgamento do mensalão. Em entrevista ao repórter Fausto Macedo, o ministro acusou Paulo Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal, de divulgar as “fantasias” a seu respeito. (Estadão)

A guerra do mensalão

Ministro Gilmar Mendes diz que pressão sobre o STF é coisa de gângster

Num clima acirrado pela iminência do julgamento do mensalão, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou que existe uma tentativa de controlar e enfraquecer a Corte. Ao GLOBO, disse: “O Brasil não é a Venezuela de Chávez; ele mandou até prender juiz.” Para Gilmar, o objetivo é atingir a independência do STF: “O intuito, obviamente -, é afetar a própria instituição, trazê-la para a vala comum.” Repetiu que o ex-presidente Lula o pressionou a adiar o julgamento e o acusou de centralizar a divulgação de informações falsas contra ele, numa manobra que associou a gângsteres. O PT conclamou a militância a defender Lula, que não se pronunciou. A oposição quer o ex-presidente na CPI. A Procuradoria Geral mandou para o MP do DF o pedido de investigação sobre Lula. (O Globo)

Chamadas de 1ª página_4ª-feira,30.mai.12

– Globo: A guerra do mensalão – ‘Brasil não é a Venezuela, onde Chávez prende juiz’

 

– Folha: Meta de Lula é melar o julgamento, diz Mendes

 

– Estadão: Lula ajuda ‘bandidos’ que querem ‘melar’ mensalão, diz Gilmar

 

– Correio: Carola, mas nada santo

 

– Valor: SuperCade apressa onda de aquisições de R$ 10 bi

 

– Estado de Minas: Onde mora o perigo

 

– Jornal do Commercio: Transpetro acredita na reação do estaleiro

 

– Zero Hora: Combate a roubo de carros

Hélio Pellegrino

ALGUMA COISA

 

Alguma coisa resta: um gesto
nos tendões da mão engelhada.
Uma efusão inacabada
na ferrugem da pele-resto.

Alguma coisa que é da raça
dos minerais, insubornável,
além do amargo e do caroável,
do que perdura — e do que passa.

Alguma coisa inscrita: um grito
no fulgor do dedo anular.
Um puro incêndio sem queimar
— como um segredo afinal dito.