Arquivo do mês: agosto 2011

Nara Leão canta Joana Francesa

Artigo

Um dilema no combate à corrupção: tática ou estratégia?

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

A imprensa está prenhe de notícias sobre os corruptos e corruptores que se multiplicam pululando no pantanal que cobre o governo Dilma. Das diversas ilações, uma é mais do que hipótese: a comprovação histórica de que se trata da herança deixada pelo ex-presidente Lula da Silva.

Há, igualmente, inúmeras versões sobre o tratamento dado pela Presidente à neoplasma maligna que degenera o organismo administrativo. A designação (de criatividade marqueteira) “faxina”, fez da Chefe da Nação uma “faxineira”, a varrer a devassidão e os devassos encontrados em ministérios.

Depois vieram desmentidos sobre a “faxina” e a divulgação de outras prioridades em repetidos discursos da própria, em variadas ocasiões. Tivemos também manifestações – até de líderes oposicionistas – de apoio à varredura presidencial para remover malfeitos e malfeitores. O que poucos enxergaram (e eu entre eles) é que Dilma vive um dilema no combate à corrupção, diante de uma alternativa de Estado Maior: ou aplica uma estratégia ou se limita às manobras táticas para ganhar tempo.

A arte de planejar e executar o processo de alcançar o objetivo final não é coisa para amador. Karl Von Clausevich, autor da “Arte da Guerra”, reverenciado por quase todos os líderes mundiais que fizeram história, tem o mérito de ter sido político e estrategista militar, e, por esta abrangência, superou Maquiavel.

Legando-nos o princípio de que “a paz é a continuação da guerra” e a diferença entre tática e estratégia, Clausevich oferece as condições objetivas para analisar a tática de Dilma parando com a “faxina”, sendo aplaudida à unanimidade pelos companheiros de partido e aliados mais próximos.

Ficou claro que se a “faxina” continuasse, todos os quadros do primeiro escalão do governo viveriam na insegurança; nenhum ministro ou dirigente de empresa estatal estaria seguro no exercício do cargo. Por outro lado, qualquer contínuo de órgão público na Esplanada dos Ministérios sabe que resta muito lixo para varrer.

Talvez pelo faro, servidores públicos, jornalistas e estudiosos da realidade política, vêem como os contínuos… Está em todas as cabeças a certeza de que uma mudança é urgente e está próxima. É inexorável a renovação e o aperfeiçoamento da administração federal, sob pena da lama inundar o Palácio do Planalto e afundar para todo e sempre a esperança de um Brasil melhor.

Quem entrou na pauta desse mapa estratégico foi o ex-ministro e eminência parda do PT, José Dirceu. Descoberto pela reportagem investigativa da revista Veja o seu bunker no Hotel Naoum, em Brasília, trouxe revelações dignas de exame, no todo ouem parte. Recebendopolíticos de alto coturno, inclusive deputados e senadores tucanos, José Dirceu despacha com ministros, com o líder do governo Cândido Vaccarezza e com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli; mas analistas dizem que ele não tem essa força toda, não, que mais da metade do que demonstra é pura farsa.

Seja lá como for, sabe-se que no Hotel Naoum, fica a sede de um grupo capaz de traçar o plano “B”, estratégico, no caso de Dilma ir buscar na oposição, mais propriamente nos governos de São Paulo e Minas Gerais, o apoio para se libertar da chantagem lulo-petista de ameaças à governabilidade.

Se assim ocorrer, Dilma terá a entusiástica aprovação de Fernando Henrique Cardozo, em contradição com o governo paralelo de José Dirceu que, inegavelmente, se confronta com o governo oficial.

Se o Palácio do Planalto edita o Diário Oficial da União, o Hotel Naoum cochicha e conchava com empresários, “consultores”, titulares de ONGs e OSs, funcionários graduados e, pasmem, até com militares das Forças Armadas, as chamadas “melancias”.

Não é pouco para um deputado cassado, e réu do STF como chefe da quadrilha do mensalão; tanto que, estrebuchando pela violação do seu circuito das sombras, Dirceu acusa os repórteres de tentarem invadir o reduto, e manda porta-vozes exigirem da Fenaj e da ABI uma ação contra Veja.

Felizmente a opinião pública e a Rede Social da Web resistem ao manobrismo extremista (e para-fascista) do Mussolini caboclo. Milhares exigem o reinício da faxina anticorrupção e a punição dos corruptos e corruptores, seja como tática, seja como estratégia…

 

Dilma pede juros menores; líderes querem ‘nova CPMF’

Analistas, no entanto, acreditam que BC hoje deve manter taxa

Na véspera da divulgação da nova taxa básica pelo Banco Central, a presidente Dilma Rousseff defendeu ontem abertamente a redução dos juros. Os analistas, no entanto, são unânimes ao prever que a taxa de 12,50% ao ano será mantida hoje pelos diretores do BC, diante da preocupação com a inflação, que encosta em 7% nos últimos 12 meses. A declaração de Dilma foi dada no dia seguinte ao anúncio de que o governo poupará mais R$ 10 bilhões para engordar o superávit fiscal e ajudar o país a manter a expansão econômica. “A melhor resposta à crise é o crescimento do país, mas também precisamos melhorar as condições nas quais nós crescemos. Se tem uma coisa que o Brasil quer é que haja diminuição de impostos. Não posso dizer quando vamos ter, mas abrimos o caminho para ter isso e queremos ter juros que comecem a cair”, disse a presidente. Apesar disso, governo e partidos aliados já discutem no Congresso fontes alternativas de financiamento para a Saúde, que podem trazer de volta a CPMF ou até mesmo a legalização dos bingos para aumentar a arrecadação no setor.(O Globo)

Primeiras páginas_31.ago.11

O GLOBO – Dilma pede juros menores; líderes querem ‘nova CPMF’

FOLHA DE SÃO PAULO – Assessoria leva 70% de verba no Rio sem licitação

CORREIO BRAZILIENSE – Tribunal confirma pena de 3 anos contra Luiz Estevão

O ESTADO DE SÃO PAULO – Governo paga por projeto fantasma para a Copa

ESTADO DE MINAS – Deputados livram colega de cassação

ZERO HORA – Aliados de Dilma estudam novo imposto para saúde

VALOR ECONÔMICO – Líder de três governos, Romero Jucá fragiliza-se e fica isolado no Senado

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Jaqueline Roriz escapa da cassação

Roberto Menescal e Carlos Lyra

Dilma quer usar ‘extra’ de R$ l0 bi para pagar juros

Planalto acha que medida abrirá caminho para reduzir custo do dinheiro

O governo decidiu aproveitar arrecadação extra de R$ 10 bilhões prevista para 2011 e pagar parcela maior dos juros da dívida pública. Gastos programados serão mantidos, disse o ministro Guido Mantega; a ideia é segurar novas despesas.

Na avaliação do Planalto, a medida deixará o país mais preparado para a possibilidade de uma nova recessão nos EUA e na Europa e abrira espaço para que o Banco Central possa diminuir a taxa básica de juros da economia, hoje de 12,5%. (Folha SP)

Governo investiu o mínimo no bonde que matou cinco

Secretário diz estranhar que motorneiro não tenha levado veículo para oficina

Dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro (Siafem) mostram que, entre 2007 e 2010, o Estado do Rio empenhou apenas 7% dos gastos previstos na “revitalização, modernização e integração” dos bondinhos de Santa Teresa. O governo também deixou de aplicar 14% dos recursos destinados à “manutenção das atividades operacionais e administrativas” da empresa Central, vinculada à Secretaria estadual de Transportes. Questionada, a secretaria não informou quanto aplicou em manutenção no período. O secretário Júlio Lopes disse estranhar que o motorneiro Nelson Correa não tenha levado o bonde para a oficina, após uma pequena colisão horas antes da tragédia que matou 5 e feriu 57 pessoas. O governador Sérgio Cabral passou o dia no Espírito Santo e não comentou o acidente. (O Globo)

Primeiras páginas_30.ago.11

O GLOBO – Na Serra, mais dispensas de licitação

FOLHA DE SÃO PAULO – Justiça cumpre 16% das decisões de 1ª instância

CORREIO BRAZILIENSE – Amizade no gabinete da mulher de Negromonte

O ESTADO DE SÃO PAULO – Câmara deve livrar Jaqueline Roriz hoje

ESTADO DE MINAS – Contra o aumento do número de vereadores

ZERO HORA – Maia: emenda da Saúde será votada

VALOR ECONÔMICO – Oposição pode ajudar em reformas e ‘faxina’, diz Aécio

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – FHC e Aécio: ajuda da oposição a Dilma

Elizeth Cardoso canta Maysa

Dilma busca apoio político para vetar novos gastos

Presidente convoca às pressas Conselho Político; PMDB não abre mão de emenda que amplia despesa

A presidente Dilma Rousseff deve anunciar hoje medidas de aperto fiscal para conter efeitos da crise econômica e permitir a redução dos juros. Dilma convocou às pressas uma reunião do Conselho Político para esta manhã, com o objetivo de garantir apoio ao pacote e conter pressões dos aliados por aumentos de despesas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai falar aos líderes da preocupação de não deixar que o baixo crescimento dos países do Primeiro Mundo afete a economia brasileira. A meta oficial de expansão do PIB para 2011 ainda é de 4,5%, mas o ministro já admitiu que ela pode ficar em 4%. Apesar da mobilização, o PMDB vai avisar ao Planalto que já fechou acordo para aprovar a emenda 29, que amplia gastos com a saúde. Também estão na pauta do Congresso o reajuste do Judiciário e o fim do fator previdenciário. (Estadão)