Arquivo do mês: janeiro 2010

Poesia

BLUSA FÁTUA

 

Costurarei calças pretas

com o veludo da minha garganta

e uma blusa amarela com três metros de poente.

pela Niévski do mundo, como criança grande,

andarei, donjuan, com ar de dândi.

 

Que a terra gema em sua mole indolência:

“Não viole o verde de as minhas primaveras!”

Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:

“No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”

 

Não sei se é porque o céu é azul celeste

e a terra, amante, me estende as mãos ardentes

que eu faço versos alegres como marionetes

e afiados e precisos como palitar dentes!

 

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta

garota que me olha com amor de gêmea,

cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,

com flores os bordarei na blusa cor de gema!

 

Maiakóvski

(tradução: Augusto de Campos)

 

O Poeta

Vladimir Maiakóvski (1893-1930) é o maior poeta russo moderno, aquele que mais completamente expressou, nas décadas em torno da Revolução de Outubro, os novos e contraditórios conteúdos do tempo e as novas formas que estes demandavam.

Maiakóvski deixa descortinar em sua poesia um roteiro coerente, dos primeiros poemas, nitidamente de pesquisa, aos últimos, de largo hausto, mas sempre marcados pela invenção. “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária”, era o seu lema, e nesse sentido Maiakóvski é um dos raros  poetas que conseguiram realizar poesia participante sem abdicar do espírito criativo.

Blog-Jornalismo_balanço semanal

União para o crime – Bens da Cutrale encontrados em assentamentos do MST levam a polícia a indiciar sete integrantes do bando por furto, formação de quadrilha, porte ilegal de arma e invasão de propriedade.

Tarja vermelha – A máquina de maldades de Hugo Chávez fecha as últimas vozes remanescentes de oposição; o caudilho só não consegue fazer chover e venezuelanos ficam no escuro.

Muita pompa, pouca substância – Em seu balanço anual, Obama tenta recuperar a sintonia com a opinião pública e promete criar empregos. Sobre conquistas, ele não tinha muito que falar.

O mundo ficou chinocêntrico – Na 40ª edição do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, a China concentra as atenções dos participantes do encontro.

A conta do autoritarismo – Hugo Chávez silencia a mídia opositora e detona uma onda de protestos. A combinação da insatisfação popular com crise econômica poderá derrubá-lo?

 “A corrupção é um crime sem rosto” – Para o psicanalista Joel Birman, políticos fazem vítimas anônimas e propagam a ideia de que seus delitos são menos danosos que os outros.

A resposta de Temer – O presidente da Câmara revida os ataques do PT, une o PMDB e consegue consenso no partido para ser o vice de Dilma.

Concurso: o sonho da estabilidade – Mais de dez milhões de brasileiros se preparam para disputar uma das 80 mil vagas que já foram abertas este ano nos serviços públicos federal, estadual e municipal.

Avatar – A máquina de fazer dinheiro chamada Cameron – Ex-caminhoneiro, ele rodou o filme mais caro da história sob a desconfiança de Hollywood. Mas, ao bater todos os recordes de bilheteria, firmou-se como um gênio da indústria cinematográfica e um exemplo de empreendedorismo e perseverança

A luz apagada de Davos – O encontro nos Alpes deveria celebrar a retomada global, mas foi marcado por mais uma onda de incerteza sobre a saúde dos países desenvolvidos.

A voz que fez Obama agir – O lendário Paul Volcker, o mais durão dos economistas dos anos 80, convenceu o presidente dos Estados Unidos a enquadrar os bancos. Conseguirá ir além?

Ele viu no Brasil o seu oásis – O emir do Catar, Hamad Al Thani, quer ser sócio do Banco do Brasil e da Petrobras. E pode trazer para o país o primeiro grande fundo soberano do Oriente Médio, que tem US$ 65 bilhões.

Um caldo de galinha – EUA 1 – Obama não se rende aos republicanos, mas tenta satisfazer o povo e os democratas com meias-medidas, sem ir à raiz dos problemas.

acharge.com.br/Sponholz

Escritor e crítico literário Wilson Martins morre aos 87

O escritor e crítico literário paulista Wilson Martins morreu no sábado, aos 87. Radicado em Curitiba, Martins morreu em decorrência de complicações cirúrgicas, cinco dias após sofrer uma operação para extração da bexiga.

Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças, também na capital paranaense. O escritor não deixa filhos.

O corpo está sendo velado no cemitério Luterano, em Curitiba, até às 17h. Em seguida, será encaminhado a um crematório, conforme seu desejo registrado em cartório.

Martins nasceu em São Paulo, em 1921. Sua carreira acadêmica tem passagem por universidades norte-americanas. Ele lecionou na Universidade de Nova York durante 26 anos, até se aposentar, em 1992.

Sua obra literária inclui 12 volumes do livro “História da Inteligência Brasileira” –que lhe renderam prêmios de literatura, como o Jabuti e o Machado de Assis.

O escritor teve passagem por diversos periódicos brasileiros, como “O Globo” e “Jornal do Brasil”.

Fonte: Folha Online

Guilherme Fiúza fala sobre Manuel Zelaya

Tchau, Zé

 

Manuel Zelaya deixou a embaixada brasileira em Honduras. Espera-se que tenha recolhido as pontas de cigarro e arrumado as camas. Encerra-se um episódio histórico para a diplomacia brasileira: quatro meses de vigília para nada.

A pantomima do Brasil em Tegucigalpa mostrou toda a consistência da doutrina bolivariana – ou melhor, chavista (vamos deixar Simon Bolívar fora dessa). Zelaya, ou, carinhosamente, Zé, deitado na rede, com seu chapéu e seu violão, é o retrato emblemático do projeto de continente dessa nova (?) esquerda.

Deveria haver uma razão nobre para um país transformar um pedaço do seu território no exterior em casa de cômodos. Centenas de “revolucionários” amigos do Zé passaram pela embaixada brasileira, deram ordens e contra-ordens, mudaram a decoração, berraram palavrões para os inimigos do lado de fora, cantaram, hibernaram.

Até que saiu barato. Lula, Amorim, Top Garcia e companhia meteram o Brasil onde não deviam, obedecendo ao coronel Chávez – esse que está se desmilingüindo ao vivo na Venezuela. Evidentemente, a bravata não teve a menor importância, as posições brasileiras no conflito interno foram solenemente ignoradas e Honduras seguiu seu caminho.

O papelão brasileiro de “árbitro” que não apitou nada poderia ter dado em coisa pior. A casa da Mãe Joana verde-amarela estava pronta para um incidente mais grave. A conta de luz, cafezinho e papel higiênico deixada pelos amigos do Zé ao contribuinte brasileiro é um preço camarada para uma confusão dessas.

O patético caso Manuel Zelaya serve para ilustrar algo simples: a forma superficial, quase pueril, com que o Brasil vem aderindo a essa onda desvairada e paranóica que varre a América do Sul. Um alinhamento automático com posições radicalmente tolas.

Chávez, Kirchner, Evo Morales, Rafael Corrêa e todo o autoritarismo neopopulista passam exatamente pela mesma situação: crise econômica e institucional. Chegaram lá com a receita, idêntica, de aparelhamento do Estado, gastança demagógica e divisão da sociedade – sob o pretexto de vingança contra a burguesia e “popularização” da cultura e da informação (com rédea curta).

O Brasil não está indo para o mesmo buraco porque Lula, até agora, só jogou para a platéia chavista. Como se vê nos novos decretos e projetos propostos pelo governo, a entrada para valer do país na doutrina (sic) é o coração do Plano Dilma Rousseff.

Aí os amigos do Zé vão ter um monte de repartições aconchegantes para hibernar.

 

Guilherme Fiúza, jornalista e escritor. Escreve semanalmente para Revista Época

Superfaturamento

Fraudes em 10 aeroportos podem chegar a R$ 1 bilhão

A Polícia Federal apontou superfaturamento de R$ 991,8 milhões nas obras de dez aeroportos administrados pela Infraero, informam os repórteres Fausto Macedo e Bruno Tavares. São os de Corumbá, Congonhas, Guarulhos, Brasília, Goiânia, Cuiabá, Macapá, Uberlândia, Vitória e Santos Dumont. Todas as obras foram contratadas no primeiro mandato do governo Lula (2003-2006).

Blog-Jornalismo_Noticiário

Planalto: Após susto, Lula entra em campo = Depois de passar por rigoroso checkup no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, Lula admitiu: está preocupado com a crise de hipertensão sofrida quarta-feira à noite. Prometeu cuidar da saúde, mas afirmou que vai cumprir agenda de viagens pelo Brasil.

Maior crime ambiental do Rio acaba sem punição = Dez anos depois do vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo de um duto da Reduc, da Petrobras, na Baía de Guanabara, a ação criminal contra os responsáveis pelo desastre chega ao fim com todos os réus absolvidos e o caso arquivado pela Justiça Federal.

A palanqueira: Dilma faz 46 eventos em 4 meses = O governo nega que seja campanha, mas, nos últimos quatro meses, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participou de 46 atos públicos país afora, nos quais não faltaram discursos, fotos com aliados e platéias saudando a sua candidatura à Presidência da República.

Governo dá aval a megaempresa do setor elétrico = A empreiteira Camargo Corrêa, que assumiu no ano passado o comando da CPFL, conta com apoio do governo para comprar o controle da Eletropaulo e da AES Sul, além de adquirir do Banco do Brasil e do fundo de pensão Previ a parte deles no grupo Neoenergia.

Polícia flagra 200 por dia sem habilitação em estrada federal = A Polícia Rodoviária Federal autuou, por dia, mais de 200 motoristas que não tinham carteira de habilitação em 2009 – sem contar as vencidas ou esquecidas em casa. A alta é de 58% em relação a 2007, mesmo sem aumento significativo no contingente de fiscalização.

Enchente será arma de Dilma; Serra amplia viagens por SP = A campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) pretende usar as enchentes em São Paulo para desconstruir a imagem de bom administrador do pré-candidato tucano José Serra.

Petrobrás cresce e já movimento 10% do PIB = Por meio de aquisições e investimentos maciços, a Petrobras aumentou seu peso na economia brasileira, com ramificações em diversas áreas. O valor adicionado pela estatal e seus investimentos já representam 10% do PIB, quase o dobro de 2002.

Revistas semanais

 VEJA

Capa –  Suor, sufoco e susto * Entrevista: Peter Ward * Especial: Haiti, o caos depois do desastre * O país que nunca foi *  Banditismo institucional * Bolsa-cabresto * A obsessão totalitária * Tarja vermelha * Natureza mutilada

ÉPOCA

Capa – Entrevista: Ian Bremmer “O estatismo é um risco para o Brasil” * O berço do esquema do panetone * O estilo da senhora Arruda * Serra arma o palanque * A lição do Chile para o Brasil * Virei sem-terra e entrei na faculdade * Como adotar um país: O futuro brasileiro no Haiti * Obesidade + Diabetes = Diabesidade * Mais poder ao proprietário

ISTOÉ

Capa – Concurso: O sonho da estabilidade * O Homem Que Faz Dinheiro * O Verde Pragmático * O novo desafio de Aécio * O candidato indeciso * A resposta de Temer * O momento de Lula * Amarga Rotina De Uma Missão Brasileira * O desmanche de Chaves *  Entrevista: Joel Birman “A corrupção é um crime sem rosto” * Comportamento: “A ditadura não acabou”

ISTOÉ Dinheiro

Capa – Entrevista: Luiz Eduardo Barretto Filho  “O motor do turismo é a classe média, não a Copa” * A luz apagada de Davos * Distribuição de lucro ou de prejuízo? * Novas regras, velhas dúvidas * A nova montanha de lucros da VALE? * Para onde vai o dinheiro do BID * Os fundos, o doleiro e o rombo * Ele viu no Brasil o seu oásis * Especial: Quando e como desacelerar

CARTA CAPITAL

Capa – Pouco a comemorar  * Ameaças por todos os lados * Cara de pau sem limites * ‘A senhora é deputada?’ * O standard de Gilmar Mendes * Internacional: Tempo de reflexão * Economia: O dragão dá um leve soluço * Os primeiros responsáveis  * Impunidade fardada * A fatura dos bombeiros  * Os fantasmas se divertem

EXAME

Capa – Brasil: Vizinhos que não dão inveja * O mínimo já não é mais tão mínimo * Negócios: O presidente, o consultor e o racha * Sete Perguntas: Poderia ter sido pior * Finanças: A classe C vai à bolsa

Manchetes de hoje_31.jan.10

FOLHA DE SÃO PAULO – Governo dá aval a megaempresa do setor elétrico

O GLOBO – Maior crime ambiental do Rio acaba sem punição

CORREIO BRAZILIENSE – Após susto, Lula entra em campo

O ESTADO DE SÃO PAULO – Fraude em 10 aeroportos podem chegar a R$ 1 bilhão

JORNAL DO BRASIL – Transporte ruim e sem punição

ESTADO DE MINAS – Fisco acentua fiscalização para fechar cerco aos sonegadores

JORNAL DO COMMERCIO (PE) – Lula faz exames, diz que está bem e que vai continuar viagens

Cartola – Verde que te quero Rosa

Faixa do Disco ” Verde Que Te Quero Rosa ” de 1977