Arquivos Mensais: setembro 2009

Poesia

RAPARIGA

 

Tu própria, que podes ter a noção e ao mesmo tempo

o atrevimento de simplesmente expor

de vez em quando uma opinião

ou um seio: quando começa isso,

 

e no fundo quando acaba? As mulheres

são feitas de raparigas, aos quarenta

ainda deitam a língua de fora como aos quinze,

ficam cada vez mais jovens,

 

não sabem não seduzir. Como a poesia:

um gato que prudentemente caminha sobre as teclas

de um piano e olha para trás:

ouviste? viste-me?

 

Ah, o ar jovem das raparigas de quarenta,

como umas vezes querem, e outras não,

mas afinal sempre, se repararmos bem.

Onde estão os bons velhos tempos? Estão aqui, esses tempos.

 

HERMAN DE CONINCK

 

O Poeta

HERMAN DE CONINCK, poeta belga (Mechelen, 1944) foi traduzido em Outubro de 1994 nos seminários de tradução coletiva de Mateus. A Quetzal editou-o em 1996, num livrinho revisto, completado e apresentado pelo poeta Nuno Júdice, intitulado “Os Hectares da Memória”.

Coninck, um dos mais importantes flamengos do pós-guerra, foi mais um desses poetas europeus – como Egito Gonçalves, – que tanto incomodaram os puristas por possuir uma notável capacidade de apreender de um cotidiano aparentemente estéril e banal, instantes sagazmente luminosos, através do uso de uma linguagem com notável capacidade discursiva, onde o humor não é o menor dos seus recursos.

Foi um poeta do seu tempo: a fruição do leitor na leitura dos seus poemas resulta, suponho, da identificação com imagens suas contemporâneas que, com aparente objetividade, se dão a ler no poema.

Herman de Coninck morreu subitamente numa rua de Lisboa, em 1997, a caminho de uma reunião de poetas.

 

Fonte:  Saiba mais aqui

Análise de um socialista autêntico

O pior corrupto é o corrupto “de esquerda”

O corrupto de “esquerda” é cínico e arrogante. Pela facilidade de meter a mão no dinheiro público sob proteção do manto escarlate e pelo deslumbramento com os podres poderes é capaz de delitos muitos mais danosos porque, ao contrário dos corruptos tradicionais, age em bandos, interagindo em verdadeiras teias em que faz o meio de campo com lideranças corporativas, doma a mídia e banha de um invólucro “social” e até “patriótico” suas pernadas no Erário.

Esse corrupto, diferente do tradicional, serve à sua patota, mas cria expectativas para que terceiros se beneficiem no futuro de outros butins. Tem um discurso bem articulado e sabe como imobilizar, pela cooptação, com algumas prebendas e favorecimentos a granel, aqueles que poderiam atrapalhar seus os passos.

PEDRO PORFíRIO, jornalista

Fuxico

Boi de piranha

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, tem dito que a candidatura de Ciro Gomes a presidente faz parte do plano de Lula para eleger Dilma.

CLÁUDIO HUMBERTO, jornalista

Frase da vez_2/30

“Ser candidato à Presidência da República é oportunidade e destino, e não um ato de vontade”.

Henrique Meirelles, presidente do BC

Comentário (II)

O governo está meio brabo com o Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendou a paralisação de obras do PAC com indício de irregularidades graves. O presidente do Tribunal disse que esse é o trabalho deles. E é mesmo esse o trabalho do TCU. Não se pode atacar o TCU porque está atrasando as obras. O que o governo precisa fazer é corrigir as irregularidades. Das 219 obras auditadas, em 49 delas foram encontradas irregularidades graves.

MÍRIAM LEITÃO, jornalista

Opinião

A única saída digna para o governo brasileiro da armadilha em que se meteu parece ser a concessão de asilo a Zelaya em território nacional.

Ricardo Nobçat, jornalista

Câmbio

Dólar fechou em baixa a R$ 1,772

O dólar caiu mais de 1% diante do real nesta quarta-feira (30) e fechou o mês de setembro com queda de mais de 6%.

A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 1,772, baixa de 1,17%. Foi a menor cotação de fechamento desde 9 de setembro de 2008. No mês, o dólar desvalorizou 6,24%. Em 2009, até agora, acumula queda de 24%.

G1 – Portal de Notícias

Ciranda financeira

Bovespa teve alta de 0,46% nesta quarta

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,46% nesta quarta-feira (30), último pregão do mês de setembro, a 61.517 pontos. No mês, a Bovespa teve valorização de 8,9% e, no ano, a alta foi de 63,8%.

Em um pregão volátil, o mercado acionário doméstico escapou da orientação negativa das bolsas norte-americanas, apoiado nos ganhos das ações de bancos e de companhias ligadas a commodities. O giro financeiro da sessão foi de R$ 6,1 bilhões.

G1 – Portal de Notícias

Artigo

O feio e o bonito na política brasileira

 MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Uso o adjetivo pátrio no título para esclarecer que essa conversa atoleimada de classificar candidatos a postos eletivos como “feio” ou “bonito” só pode ocorrer nesta terra que já foi dos índios Botucudos, extintos na década de 40 do século passado.

Esses nossos ancestrais que viveram a leste das Minas Gerais, sul da Bahia e do Espírito Santo, eram indivíduos bastante atrasados, da era da pedra lascada. Sofreram sangrenta perseguição restando deles, salvos pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1939, uma ínfima população de 68 indivíduos. Mas ficaram na linguagem popular como gente bruta.

Índios à parte, defendemos que o exame analítico dos políticos seja oferecido aos estudiosos através de intelectuais sérios, não caindo na mediocridade com que o pretendente à presidência da República, Ciro Gomes, quis deflagrar na sua pré candidatura.

Sempre tivemos o perfil dos agentes políticos de forma inteligente, através de valiosas observações por este Brasil afora. No Rio Grande do Norte, temos duas plaquetes de uma importância extraordinária. Um deles, do professor e escritor Itamar de Souza, estuda o prestígio do compadrio e a figura do compadre na atividade social e política, principalmente nas disputas partidárias e eleitorais. A outra obra cabe ao médico Maurilton Morais, com uma abordagem corajosa sobre a influência do sexo na política.

A temática é longamente explorada com aspectos de origem regional, hereditariedade, comportamental, racial e classista, tudo oferecendo uma base científica para o papel do indivíduo na sociedade e na História.

Eis, porém, que chega o Plano B de Lula, Ciro Gomes, escalado para atacar o candidato tucano, José Serra, enquanto o Plano A, a ministra Dilma, desempenhará o papel de administradora, mãe do PAC, madrinha do Bolsa Família e tia da Minha Casa Minha Vida. Uma ternurinha, se é que possamos dizer assim.

Ciro, furibundo, é quem vai partir para o ataque. Sentado no banco de reserva, tem que fazer a lição de casa para conquistar as boas graças do Chefe, pois dependerá da sua competência no ataque ao adversário, a boa vontade para substituir o Plano A se necessário.

A primeira investida de Ciro foi chamar José Serra de feio “de corpo e de alma”. Ele tentou usar a feiúra para queimar o concorrente pensando numa banca examinadora virtual, com pessoas de sensibilidade, exigentes quanto à beleza, perfeccionistas na comparação com os demais e estetas na apuração dos traços fisionômicos.

A sorte do governador de São Paulo é que ele não está disputando concurso de Mr. Brazil (com “z”), ou se apresentando para destaque de escola de samba; modelo da revista “Caras”, ou disputando com travestis, sempre apurados na qualidade do belo.

Existe um ditado antigo que reza: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Se a sabedoria popular funciona, Serra não sofrerá prejuízo algum com a aleivosia de Ciro Plano B. Pelo contrário, é este – disputando a indicação pelo Partido Socialista Brasileiro – quem sairá prejudicado pelo primarismo.

Aos herdeiros de João Mangabeira e Miguel Arraes não deve agradar o discurso em comício de ponta de rua em subúrbio fortalezense. Os socialistas têm a tradição da cultura e elegância no trato da política. Ciro surge como a negação disso.

Frase da vez_1/30

“A disputa em torno de Toffoli não diz respeito a seu passado, e sim a seu futuro. Como ele votará como ministro? Sempre com o PT? Com suas teses?”

Joaquim Falcão, professor de direito constitucional na FGV-Rio