Arquivos Mensais: agosto 2009

Poesia

E A MORTE PERDERÁ O SEU DOMÍNIO

 

E a morte perderá o seu domínio.

Nus, os homens mortos irão confundir-se

com o homem no vento e na lua do poente;

quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos

hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.

Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;

mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;

mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;

e a morte perderá o seu domínio.

 

E a morte perderá o seu domínio.

Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar

não morrerão com a chegada do vento;

ainda que, na roda da tortura, comecem

os tendões a ceder, jamais se partirão;

entre as suas mãos será destruída a fé

e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;

embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;

e a morte perderá o seu domínio.

 

E a morte perderá o seu domínio.

Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos

nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;

onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor

erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;

ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer

como pregos as suas cabeças pelas margaridas;

é no sol que irrompem até que o sol se extinga,

e a morte perderá o seu domínio.

 

Dylan Thomas

( tradução: Fernando Guimarães)

 

O Poeta

Dylan Marlais Thomas  nasceu em Swansea, no País de Gales, a 27 de outubro de 1914. Considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, juntamente com W.Carlos Williams, Wallace Stevens, T.S. Eliot e W.B. Yeats.

Dylan Thomas teve uma vida muito curta, devido a exagerada boemia que o levou ao fim de seus dias aos 39 anos, mas, ainda teve tempo de nos deixar um legado poético que o tornou um dos maiores influenciadores de toda uma geração de escritores.”

Art Blakey num solo genial!

Art Blakey (1919-1990) foi um dos maiores bateristas do jazz. Juntamente com Big Sid Catlett, Kenny Clarke e Max Roach, forma o quarteto dos pais da bateria contemporânea. Blakey pontificou basicamente em dois estilos: o Bepop e principalmente o Hard Bop (do qual é um dos artífices), mas também se interessou por outras formas de percussão étnica que alargaram os horizontes do jazz.

Além de tocar com Miles Davis e Thelonious Monk, Blakey foi também fundador, líder e catalisador de um grupo bastante influente, que ao longo de décadas teve diversas formações: os Jazz Messengers. Os Jazz Messengers podem ser considerados uma verdadeira academia de jazz: por ali passaram nomes do quilate de Horace Silver, Lee Morgan, Wayne Shorter, Freddie Hubbard e Wynton Marsalis, entre outros.

Frase da vez_2/31

“Criam 7 mil novas vagas para vereadores com a desculpa que limitarão os gastos das câmaras, gostaria de saber até quando vão manter esse limite; quando o povo esquecer ou já em 2010 ?”

Fábio Henrique Barboza ([email protected])

Opinião

ÉTICA

Jader, Jucá, Delúbio, Dirceu, Lula, Renan, Collor, Sarney e agora Palocci. Como ensinar aos nossos filhos os valores morais? Quando nossas crianças veem na TV todas essas bandalheiras e ninguém ser punido, o que dizer a elas? Filhos, antes de cometer um ato imoral, ilegal, se não quiserem sofrer as consequências, por favor, tornem-se políticos?!

Vera Lucia Alves Oguma ([email protected])

Comentário (II)

Chantagem explícita

Certamente o presidente Lula julgava que todo o esforço despendido na “salvação” do presidente do Senado, José Sarney, haveria de produzir a maior tranquilidade no relacionamento com seu mais importante aliado da base de sustentação, o PMDB. Tendo forçado os três membros do PT no Conselho de Ética a contrariar a orientação do líder da bancada – Aloizio Mercadante, o protagonista da já famosa renúncia à renúncia irrevogável.

O que o Planalto não esperava era que, em lugar de mostrar-se apascentado, o PMDB se tornasse muito mais voraz do que sempre foi e apelasse para a chantagem explícita como sempre faz: sem a liberação dos recursos orçamentários para as suas emendas parlamentares, a bancada da Câmara continuaria obstruindo a pauta de votações de interesse do governo.

 ESTADÃO

Câmbio

Dólar sobe a R$ 1,889 e fecha o mês ganhando 1,23%

A cotação do dólar comercial encerrou esta segunda-feira em alta de 0,48%, a R$ 1,889 na venda, após uma sessão instável. Com este valor, a moeda fecha o mês de agosto com ganho de 1,23%. No ano, a perda ainda é de 19,03%.

O Banco Central comprou dólares no mercado à vista e a taxa da operação ficou em R$ 1,875. Pela manhã, o dólar operou em alta impulsionado pela forte queda de 6,74% na Bolsa de Xangai após temores de que bancos locais reduzam o ritmo de empréstimos para realizar uma oferta abundante de novas ações.

UolEconomia

Ciranda financeira

Petrobras puxa queda de 2% na Bovespa

O índice Ibovespa, referência para o mercado nacional, teve queda de 2,1% no dia, fechando aos 56.488 pontos. No acumulado do mês de agosto, porém, o indicador contabilizou valorização de 3,15%.

Entre as ações mais negociadas da Bovespa, a Petrobras ON caiu 4,5% no dia (o papel PN também sofreu, com desvalorização de 3,6%), mas outras ações importantes ligadas a commodities também sofreram: a Vale ON, por exemplo, teve desvalorização de 4%, enquanto a Usiminas perdeu 3,6%. No setor de construção, a Gafisa ON teve fortes perdas, de 4,3%.

G1 – Portal de Notícias

Carlos Chagas comenta

FACA NA MANTEIGA OU SORVETE AO SOL?

 

A entrada da senadora Marina Silva no PV, ontem,   e a óbvia estratégia de seu lançamento posterior como candidata   à presidência da República, não apenas retira  o caráter plebiscitário do primeiro turno   das eleições do ano que vem. Pode causar  razoável estrago no PT, caindo  como  granada na candidatura de Dilma Rousseff,  que perde a certeza do segundo lugar cativo no segundo  turno. O primeiro, pelas pesquisas, pertence a José Serra.

A pergunta que se faz é que reação terá  o  presidente Lula diante da  ida de Marina  para a decisão final com o governador paulista. Admitirá engolir a rejeição de Dilma e dele próprio, passando a  apoiar a ex-ministra do Meio Ambiente? Ou cruzará os braços,  deixando o caminho livre para a volta dos tucanos  ao poder?

Pode não acontecer nada disso, é claro, tendo em vista a hipótese de viabilizar-se a transferência de popularidade do presidente para a chefe da Casa Civil.  Não  parece  impossível.

A concluir desse  lance inesperado dos verdes está o  fato de que não haverá uma  eleição em 2010, mas duas igualmente dramáticas, ao contrário de 2002 e 2006, quando desde o início a luta foi travada entre Lula e Serra, antes,  e Lula e Alckmin, depois, tanto no primeiro quanto no segundo tempo.  O  segundo,  em ambas as disputas, foi um vídeo-tape do primeiro. Agora, não. Muda tudo, conforme a performance de Dilma ou Marina.

No palácio do Planalto e arredores, os companheiros mantém a confiança em  que com o apoio do PMDB e o restrito tempo de televisão do PV na propaganda gratuita, a candidatura de Marina Silva acabará dissolvida como sorvete ao sol. Pode ser, mas a imagem que seus adeptos fazem é oposta: acreditam que a ex-ministra entra como faca na manteiga na candidatura de Dilma.  Daqui por diante as pesquisas eleitorais ganharão nova dimensão.

acharge.com.br/J. Bosco

acharge.com.br/J. Bosco

Artigo saído n’ O Metropolitano. Nas bancas

Pequena contribuição à História do Brasil

MIRANDA SÁ, jornalista  ([email protected])

Estão gravadas na retina de quem tem olhos de ver, a trajetória do Partido dos Trabalhadores e a participação da sua antiga militância, levantando as bandeiras da ética, da justiça social e da liberdade.

A História do Brasil descreverá os episódios relevantes da convergência das esquerdas com o PT, ressaltando-se a preservação da Constituição e as garantias dos Direitos Trabalhistas, do modelo de Previdência Social Pública, da Reforma Agrária e da Soberania Nacional, como princípios fundamentais do Brasil sonhado.

Os democratas e patriotas fizeram frente comum com as esquerdas, aceitando o discurso eleitoral de Lula da Silva  que se elegeu presidente da República. Empossado, viajou para Washington e negociou a entrega do nosso Banco Central com Wall Street, dando a presidência a um homem do BankBoston.

Essa abertura para a traição nacional se expressou politicamente pela subalternidade do PT-governo, dando continuidade à reforma da Previdência iniciada no governo neoliberal de Fernando Henrique. Os arautos do lulismo escondem, mas os trabalhadores perderam 5 anos na aposentadoria e os servidores públicos aposentados e pensionistas foram sobre-taxados.

Assim, o Partido no poder deixou de ser “dos Trabalhadores” para render-se ao Deus Mercado. Para se sustentar, levantou a necessidade de mudanças na CLT e já fala agora em reduzir a contribuição patronal para a Previdência. E a pior das violências se traduz pelos impostos exorbitantes – os mais altos do mundo – que atingem principalmente os assalariados.   

A ação governamental distanciou Lula da Silva dos interesses nacionais, embora com a sua inegável habilidade de pelego sindical tenha mantido altos níveis de popularidade. Está no discurso fraudulento e mistificador, a dialética montada para o exercício do poder: de um lado, usa a cooptação das entidades estudantis, populares e sindicais, corrompendo seus dirigentes.

De outra parte, adotou o assistencialismo como forma de anestesiar as massas miseráveis da periferia urbana e os bolsões rurais de sem-terras. O execrável assistencialismo das “repúblicas bananas” e o populismo característico das ditaduras latino-americanas foram abraçados para satisfazer os obreiristas.

Dos governos anteriores, do coronelismo de Sarney ao neoliberalismo de FHC, ficaram – devidamente maquiados – os programas “do leite”, “do gás”, “da luz” e outros,  unificados sob o título de “Bolsa Família”. Uma ajuda sem contrapartidas que reconhece a vadiagem como um direito e forma um contingente de desocupados sustentados pelo governo.

Aí entra a organização e a exploração eleitoral à moda do coronelismo, do mesmo modo como a Reforma Agrária limitou-se à criação de “assentamentos para os camponeses”, mal acabados e mal assistidos, verdadeiros currais de pessoas humanas postas à disposição de demagogos ou do próprio governo.

Com essas manobras, sustentadas pelos mensalões e a distribuição de cargos e privilégios para os 300 picaretas do Congresso Nacional, o presidente garante a governabilidade e a popularidade, manobrando o PT como um mamulengo que faz o que seu mestre mandar.

Ultimamente Lula impõe uma candidatura presidencial de escolha pessoal e o partido se conforma subserviente; desautoriza a bancada de senadores e eles, cabisbaixos, executam a tarefa infame.

Dessa maneira, aquele PT que admirávamos, que os trabalhadores olharam com o olhar da esperança e o povão seguiu messianicamente, se esboroou entorpecido pelos vícios que antes condenava. Os idealistas cegos devem se lembrar da antiga frase de Fidel Castro que usaram inflacionariamente: “A História Julgará”.