Arquivos Mensais: janeiro 2009

Poesia

“Ó belos olhos, brunos, desviados,

Ó quentes ais, ó lágrimas vertidas,

Ó negras noites a esperar perdidas,

Ó dias claros sem razão tornados!

Ó tristes prantos, votos obstinados,

Ó penas gastas, horas despendidas,

Ó mortes mil em mil redes tendidas,

Ó rudes males contra mim fadados!

Ó risos, frontes, braços, mãos ardentes!

Ó alaúde, viola e voz plangentes!

Tanto archote a abrasar uma mulher!

De ti me queixo: tendo eu fogo tanto,

Meu coração apalpas e, no entanto,

Sobre ti não voou chispa sequer”.

 

Louise Labé

 

(Trad. Felipe Fortuna)

 

 

A Poetisa

 

 

Convivi por mais de dez anos com uma mulher fora do comum: além de belíssima, dominava o latim e o italiano e manejava com perfeição o arco-e-flecha. Perfeita amazona, talentosa ao tocar alaúde, essa mulher é uma das poetas mais intensas que se pode ler: e confessou seu amor por um poeta e diplomata quando ainda se encontrava casada com um comerciante da sua cidade natal. Viajante fugaz, artista passável, esse amante deixava a mulher fora de si com sua presença, porém muito mais com as seguidas ausências, que a faziam rimar versos de aguda saudade: “Ó belos olhos, ó olhares cruzados, / Ó quentes ais, ó lágrimas roladas, / Ó negras noites em vão esperadas, / Ó dias claros em vão retornados! (…) / De ti me queixo: esses fogos que trago / No coração causaram muito estrago, / Mas não te queima um lampejo sequer.”

 

 Essa mulher se chama Louise Labé, viveu e morreu em Lyon entre 1522 e 1566 e seu único livro – Obras, publicado em 1555 –, se transformou num modelo do lirismo apaixonado da Renascença e de todos os tempos. Também se tornou a manifestação pioneira e irradiante do feminismo. Pois, consciente da sua singularidade em meio aos literatos, Louise Labé escreveu que “As severas leis dos homens não mais impedem as mulheres de se aplicarem às ciências e às disciplinas. (…) Aquelas que têm facilidade devem empregar essa honesta liberdade que nosso sexo antigamente tanto desejou para cultivá-las; e mostrar aos homens o equívoco em relação a nós quando nos privavam do bem e da honra que delas podiam vir.”

 

Sua lucidez ia a extremos e flagrava até mesmo o mau comportamento de outras mulheres, que recriminavam os modos liberados (ou libertinos) da poeta. Contra essas mulheres algo invejosas, Louise Labé escreveu em sua “Elegia III”: “Não condeneis de maneira tão rude / Um jovem erro em minha juventude, / Se um erro foi: porém, quem sob o Céu / Se vangloria de jamais ser réu?” Conhecedora dos pontos culminantes dos sentimentos, a poeta compôs ainda a “Disputa de Loucura e de Amor”, impressionante peça teatral acerca das poucas diferenças e das muitas similaridades entres aqueles dois deuses que regem a vida humana.

 

 Traduzi a obra integral de Louise Labé, finalmente publicada em 1995 numa edição que suponho agora esgotada. Juntei-me assim a um cortejo de admiradores da poeta lionesa, fascinados com sua obra de apenas 24 sonetos, 3 elegias e uma peça. Rainer Maria Rilke, também seu tradutor, considerava a poeta uma das grandes amantes já existentes, cuja força sentimental ultrapassaria o ser amado. Na História da Loucura (1972), Michel Foucault classificou o texto em prosa como crucial para o questionamento da distinção entre razão e loucura, considerada a possibilidade de infiltração de uma na outra. Obviamente, a vida e a obra tão intensas de Louise Labé muitas vezes se enredaram em controvérsias e incompreensões, algumas chocantes. O teólogo Calvino preferiu chamar a poeta de plebeia meretrix, como se estivesse gritando na rua. E até Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo (1949), sentenciou: “Louise Labé era sem dúvida uma cortesã: de todos os modos, teve uma grande liberdade de comportamento.”

 

 Nenhuma dessas críticas e opiniões negativas conseguiu abalar o culto em torno àquela obra excelente. Em 2006, porém, a professora Mireille Huchon publicou um livro radical: Louise Labé, Uma Criatura de Papel. Especialista na literatura do século XVI, respeitada docente da Sorbonne, ela formulou a seguinte tese: o único livro de Louise Labé teria sido elaborado por pelo menos três escritores, todos homens, incluindo-se o amante Olivier de Magny; a poeta amorosa seria, portanto, uma invenção de beletristas que pretenderam “louvar Louise”, seguindo a moda iniciada pelo italiano Petrarca ao “louvar Laura” em seus poemas… Em suma: toda a obra de Louise Labé não passaria de uma espetacular impostura, de uma fraude que conseguiu atravessar séculos. Por meio de explicações eruditas e análises que beiram a investigação de um detetive, estaria provado que Louise Labé fora mesmo “uma criatura de papel”, ou uma “mulher de palha” que jamais escrevera um verso.

 

 

 

Mangabeira, o campeão de diárias para viagens ao exterior

O ministro Mangabeira Unger passou 97 dias de 2008 viajando pelo exterior (mais de um quarto do ano). De acordo com reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada na edição deste domingo de O GLOBO, o ministro recebeu R$ 35.176 em diárias, cerca de três vezes o seu salário.

 

Dados da Controladoria Geral da União (CGU) mostram que ele superou 35 colegas de Esplanada e foi quem recebeu, ano passado, as maiores verbas para gastar fora do Brasil.

 

A reportagem mostra ainda que o governo gastou R$ 457 mil para bancar despesas pessoais de ministros em viagens internacionais ao longo de 2008.

Leia mais em Mangabeira embolsou, em diárias de viagens, o triplo do seu salário em 2008

Fonte: Noblat

Billie Holiday – You Go To My Head

You go to my head

You go to my head,

And you linger like a haunting refrain

And I find you spinning round in my brain

Like the bubbles in a glass of champagne.

 

You go to my head

Like a sip of sparkling burgundy brew

And I find the very mention of you

Like the kicker in a julep or two.

 

The thrill of the thought

That you might give a thought

To my plea casts a spell over me

Still I say to myself: get a hold of yourself

Can’t you see that it can never be?

 

You go to my head

With smile that makes my temperature rise

Like a summer with a thousand Julys

You intoxicate my soul with your eyes

Tho I’m certain that this heart of mine

Hasn’t a ghost of a chance in this crazy romance,

You go to my head.

chargeonline.com.br/Sponholz

chargeonline.com.br/Sponholz

Palmada no bumbum

O governo federal decidiu exigir licença prévia para importações. É um certo estilo de combater a abertura de mercado a golpes de carimbo, mas é direito dele.

 

Assustador é o mesmo governo federal suspender a medida em coisa de 48 horas – depois de ouvir as primeiras reações contrárias, entre elas um pito da Miriam Leitão ao vivo (“são uns malucos”).

 

Qual será afinal a diretriz de política econômica do governo? A que prescreve um entrave burocrático nas operações de importação, ou a que o remove? Há uma terceira opção possível, talvez a mais provável: não haver diretriz alguma.

 

Como se sabe, a era Lula fundou o estatismo neoliberal. Esse sistema hermafrodita consiste basicamente em deixar o Banco Central governando (ninguém está aí para correr riscos eleitorais) e colocar uns ministros jogando pedras nele. A fórmula é perfeita: o país segue seu trilho e o povo continua achando o governo bonzinho.

 

Aí tem de tudo, até assessor especial do presidente da República mandando cartinha pela internet para dizer que “A América do Sul e Latina estão vivendo o momento mais rico de sua história de 500 anos”, graças ao que está acontecendo na Venezuela, na Bolívia, no Brasil e no Equador – ou seja, graças ao chavismo.

 

Assim os meninos aloprados de Lula vão brincando de revolução nacionalista, e de repente alguém tem a idéia de fazer uma traquinagem contra as importações.

 

Não tem problema. Uma traquinagem é só uma traquinagem. Um pito da Miriam Leitão resolve.

 

Pensando bem, o melhor é deixar os meninos gastando 80 milhões de reais do contribuinte na Farra Social Mundial. Pelo menos lá eles não mexem com a vida real.

 

 

Fonte: Guilherme Fiúza, jornalista, é autor de Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme.

A Amazônia vai para o brejo!

Clique no Jabor para ouvir o comentário!

A Amazônia vai para o brejo sob os narizes dos presidentes

Frase da vez – 1/1

“Eu tenho dito, o povo pobre não sera o pagador desta crise.”

Presidente Lula, fazendo média no Fórum Social Mundial

Damien Rice – The Blower’s daughter Live Acoustic

Conexão

 

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Obrigado pela compreensão.

Alanis Morissette – Ironic

Clipping com a cantora Alanis Morissette que é uma das cantoras-compositoras mais bem-sucedidas no rock feminino, a partir da metade dos anos 90. Nascida em 1 de junho de 1974, Alanis Nadine Morissette foi criada com os seus dois irmãos, Wade e seu irmão gêmeo Chad, em Ottawa, Canadá por pais francês-canadenses e húngaros. Aos 10 anos de idade a precoce Alanis tinha ganhou um papel no Nickelodean TV Show, apresentando o programa: “You Can’t Do That on Television” e pôde gravar seu primeiro single, “Fate Stay With Me“.

Após apresentar a sua fita demo nas principais marcas, Alanis assinou com a Maverick o selo da Madonna. “Jagged Little Pill, foi lançado no verão de 1995. Em virtude do estouro do single “You Oughta Know“, que se tornou o hino das neo-feministas, o álbum alcançou disco de platina e o Top 10. Em seguida os singles “Hand In My Pocket“, “All I Really Want” e “Ironic” mantiveram “Jagged Little Pill no álbum desenha os próximos dois anos, enquanto vendendo 28 milhões de cópias no mundo todo, ao final das contas.

Choveram prêmios em cima da Alanis, devido ao enorme sucesso de “Jagged Little Pill que lhe rendeu, inclusive Grammys para Álbum do Ano, Melhor Performance Rock Vocal Feminino (com “You Ougtha Know”), Melhor Canção Rock e Melhor Álbum Rock. Após uma temporada na Índia, Alanis lançou em novembro de 1998, “Supposed Former Infatuation Junkie”, novamente pelo selo da Maverick e vendeu mais de 7 milhões de cópias no mundo. Depois da terminar uma turnê ao lado de Tori Amos, Alanis Morissette foi para a Nova Zelândia e Austrália a uma outra turnê, gravando nesse intervalo o “MTV Unplugged” lançado no final de 1999. gravado na “Brooklyn Academy of Music” em meados de setembro. Na gravação, a canadense executou versões acústicas para várias cancões, de tais como “You Oughta Know“, “Univited” e uma regravação do The PoliceKing Of Pain“.

 

Fonte: Vagalume