Arquivos Mensais: novembro 2008

Poesia

MOMENTO NUM CAFÉ

 

Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida.

 

Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

Liberta para sempre da alma extinta.

 

Manuel Bandeira

 

O Poeta

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife (PE) em 1886. Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio levou o menino a ser matriculado no colégio Pedro II.

Com 17 anos, Manuel Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de saúde.

Em 1913 partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, pois estava começando a Primeira Guerra Mundial. Em 1917 publicou seu primeiro livro: A Cinza das Horas.

 

 

Dizzy Gillespie & Louis Armstrong – Umbrella Man

 

 Dizzy Gillespie e Louis Armstrong  fazem uma performance com a canção “Umbrella Man.” A apresentação realizou-se em 1958. Infelizmente não foi possível identificar o local.

Frase da vez_3/30

“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”

 

Fernando Pessoa, poeta português, que hoje faria 120 anos.

Propostas de Simon dificultam sua eleição

A candidatura de Pedro Simon (PMDB-RS) à presidência do Senado, bem vista na opinião pública, enfrentará obstáculos. É que ele defende medidas moralizadoras e supressão de privilégios que jamais seriam aceitos pelos colegas, como a redução da cota de passagens aéreas.

 

Hoje, cada senador recebe cinco passagens por mês, ida e volta, para seu Estado de origem; Simon quer reduzi-las para apenas uma.

O olhar do tempo

A tragédia de Santa Catarina alerta para um risco que o Brasil tem negligenciado: as mudanças climáticas vão aumentar a freqüência e a gravidade de eventos extremos, como secas, enchentes e ciclones. Os dados de população divulgados esta semana pelo IBGE repetem o aviso de que o Brasil está no melhor momento demográfico, mas vai envelhecer. Precisamos nos preparar para o Século XXI.

 

Neste século, a humanidade terá que combater intensamente os efeitos da mudança climática através da adaptação e da mitigação. Adaptação não é capitulação. Os cientistas estão avisando que uma parte do estrago está feito e é irreversível. Está no estoque de gases de efeito estufa já emitidos pela humanidade. Contra ele nada podemos. Esse estoque vai elevar a temperatura da terra e o nível do mar, vai intensificar furacões, ciclones, enchentes, secas.

 

A população brasileira se concentra no litoral, as cidades ocupam de forma irregular as encostas, desmatam e concretam o espaço urbano. As obras de escoamento são adiadas. O planejamento urbano é sistematicamente desligado de qualquer preocupação ambiental. Uma chuva mais forte mata e desabriga. Como será no futuro, quando as enchentes ficarem piores e mais freqüentes?

 

O semi-árido nordestino, onde mora a população mais frágil, corre o risco da desertificação. A Amazônia é determinante de todo o clima brasileiro, mas, aqui, comemoramos quando num ano são destruídos “apenas” 11.968 km² de floresta. O Sul está sendo vítima de eventos inesperados e extremos. O furacão Catarina, secas fortes e chuvas intensas, mesmo neste ano que não tem El Niño, estão impressionando os cientistas. “É a fotografia de que o aquecimento global pode já estar atuando com mais intensidade no Sul do país”, disse o climatologista Carlos Nobre ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.

 

Fonte: Míriam Leitão/Leonardo Sezerino

Anos Dourados – Tom Jobim


“A morte de Tom Jobim não foi apenas a queda de uma árvore, foi a derrubada de uma floresta”

  Arnaldo Jabor

Fonte: charge do Sponholz

Frase da vez_2/30

“Se a gente ficar no lenga-lenga, nós não vamos votar nada.”

 

Paulo Bernardo (Planejamento) sobre a votação da reforma tributária no Congresso

A imprensa e a sociedade brasileira aprenderam a prestar atenção nas doações de campanha. E os políticos, a escondê-las.

As contas de campanha são as impressões digitais de uma candidatura. O exame das listas de financiadores esclarece mais sobre o caráter de um político que os programas de governo, normalmente elaborados para apresentar aos eleitores a imagem mais asséptica possível do candidato.

O velho ditado poderia ser adaptado a “diga-me quem paga suas contas eu direi quem és”. Há algum tempo, a imprensa e a sociedade brasileira aprenderam a prestar atenção nesses números. E os políticos, a escondê-los.

 

A repórter Cátia Seabra, da Folha de S. Paulo, passou os últimos dias examinando com lupa as contas dos principais candidatos à prefeitura da capital paulista. Comprovou o que se suspeitava. Divergências políticas à parte, os partidos usam a mesma estratégia quando se trata de disfarçar quem municiou seu caixa de campanha.

 

Nada menos que R$ 42,7 milhões não serão identificados, graças a um truque contábil. Em vez de doar o dinheiro ao candidato, as empresas entregam a verba aos partidos. Esses repassam a dinheirama aos candidatos. Nas prestações de contas, o valor aparece como “contribuição do partido”.

 

A estratégia serve para disfarçar doadores. Porque no Brasil estabeleceu-se uma lógica perversa. Com as campanhas cada vez mais caras, os partidos passaram a depender cada vez mais de um punhado de grandes financiadores. E quem investe, invariavelmente, são empresas que têm contratos com o governo ou atuam em setores que sofrem interferência e regulamentação estatal.

A campanha de 2006, que elegeu o presidente da República, governadores e renovou as bancadas no Congresso e nas assembléias legislativas, custou cerca de R$ 1,5 trilhão. Um terço dessa montanha de dinheiro veio de apenas 200 doadores. Na época, eu e o repórter Lúcio Vaz usamos essas informações para traçar um mapa dos donos do poder no Brasil. Em destaque, bancos, empreiteiras, mineradoras e siderúrgicas.

 

Lembro que houve uma tempestade de protestos. O assessor de uma das maiores financiadoras telefonou reclamando: “Vocês estão criminalizando as doações legais, ao vincular o dinheiro doado com os contratos das empresas com o governo. Se isso continuar, ninguém vai dar dinheiro no Caixa 1”. O problema é que, depois do mensalão e outros escândalos, o Caixa 2 se transformou numa prática perigosa. Nossos políticos, sempre criativos, não se apertaram. Inventaram o Caixa 1.5. O dinheiro entra nos cofres do partido, que cumpre a tarefa de disfarçar quem é o mecenas.

 

Numa dessas matérias, o tesoureiro do DEM, Saulo Queiroz, falou com invulgar sinceridade sobre o esquema. “Tem uma instrução do TSE que abriu essa brecha. Quem primeiro utilizou foi o PT. As empresas mais espertas descobriram que poderiam fazer assim. Esse modelo não identifica o doador, não carimba a doação. Quando a empresa faz doação para um candidato que não vai ganhar, faz dessa maneira (para o partido) porque fica escondido.”

 

A estratégia não é privilégio de nenhum partido. Na campanha de São Paulo, todos usaram e abusaram do instrumento. O comitê eleitoral do prefeito Gilberto Kassab (DEM) arrecadou R$ 34,4 milhões. Desses, R$ 17,6 milhões foram repassados pelo partido. Na campanha do tucano Geraldo Alckmin, mais da metade dos R$ 16 milhões gastos passou antes pelo cofre do partido. A petista Marta Suplicy contabilizou em sua campanha R$ 14,4 milhões em supostas doações partidárias.

 

Pode conferir em qualquer outra contabilidade de campanha nas capitais. Tanto faz o candidato ou a cidade. O partidoduto estará lá, ajudando a tornar as contas menos transparentes.

 

Na campanha presidencial dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama operou um milagre político, do qual já falei em outras colunas. Inverteu a lógica do financiamento e trocou as grandes corporações por doações individuais, feitas pela internet. Deu tão certo que conseguiu fazer a campanha mais cara da história americana. Dados compilados pelo jornalista Fernando Rodrigues mostram que 3,5 milhões de pessoas fizeram doações, que somaram US$ 500 milhões. Mais que isso, quem doou dinheiro acabou se incorporando à campanha.

 

No Brasil, andamos na contramão. Menos participação e menos transparência.

 

 Fonte: Gustavo Krieger

Melhores e piores executivos esportivos de 2008

Resultado final da sondagem da Time

Eis o resultado final da sondagem da revista Time sobre os melhores e piores executivos esportivos de 2008.

Fonte: Juca Kfouri

Fica o nosso protesto por nem sequer escreverem corretamente o nome do bravo presidente da CBF.