Arquivos Mensais: agosto 2008

Poesia

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida …
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa …
“Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! …”

Florbela Espanca

A Poetisa

Florbela Espanca, nascida Flor Bela Lobo, (Vila Viçosa, 8 de dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de dezembro de 1930) foi uma poetisa portuguesa, precursora do movimento feminista em seu país, teve uma vida tumultuada, inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.

Filha de Antônia da Conceição Lobo, empregada de João Maria Espanca, que não a reconheceu como filha. Porém com a morte de Antônia em 1908, João e sua mulher Maria Espanca criam a menina. O pai só reconheceria a paternidade muitos anos após a morte de Florbela.

Em 1903 Florbela Espanca escreveu a primeira poesia de que temos conhecimento, A Vida e a Morte. Casou-se no dia de seu aniversário em 1913, com Alberto Moutinho. Concluiu um curso de Letras em 1917, inscrevendo-se a seguir para cursar Direito, sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa.

Sofreu um aborto involuntário em 1919, ano em que publicaria o Livro de Mágoas. É nessa época que Florbela começa a apresentar sintomas mais sérios de desequilíbrio mental. Em 1921 separou-se de Alberto Moutinho, passando a encarar o preconceito social decorrente disso. No ano seguinte casou-se pela segunda vez, com Antônio Guimarães. O Livro de Sóror Saudade é publicado em 1923. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio.

Em 1925 casou-se pela terceira vez, com Mário Lage. A morte do irmão, Apeles (num acidente de avião), abala-a gravemente e inspira-a para a escrita de As Máscaras do Destino.Tentou o suicídio por duas vezes em Outubro e Novembro de 1930, às vésperas da publicação de sua obra-prima, Charneca em Flor.

Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicida-se no dia do seu aniversário, 8 de Dezembro de 1930. Charneca em Flor viria a ser publicado em janeiro de 1931.

Anita Malfati

Composição numa mesa - déc de 10 - Anita Malfati
Composição numa mesa (Déc. de 10)

A Pintora

Anita Catarina Malfati (SP,1889-1964,SP)Não fazia nem um mês desde que o Brasil deixara de ter imperador para se transformar numa República, quando nasceu Anita Malfatti. São Paulo, sua cidade natal, contava com menos de 50 mil habitantes – e acabara de ganhar seu primeiro transporte coletivo, o bonde puxado a burro.

Os primeiros estudos artísticos de Anita foram orientados pela mãe. Elisabete, de nacionalidade norte-americana, era pintora, desenhista e falava vários idiomas. Anita se formou professora aos 19 anos, no Mackenzie, em São Paulo. Nessa época, morreu seu pai, responsável pelo sustento da família. A partir de então, a mãe passou a dar aulas de idiomas e de pintura, e Anita começou a trabalhar como professora. No entanto, seu talento para a pintura sensibilizou o tio e o padrinho de tal forma que eles juntaram dinheiro para mandar a moça estudar na Academia de Belas-Artes de Berlim, na Alemanha.

Lá, Anita foi a uma grande exposição de pintura moderna. “Eram quadros grandes. Havia emprego de quilos de tintas, e de todas as cores. Um jogo formidável. Uma confusão, um arrebatamento, cada acidente de forma pintado com todas as cores. O artista não havia tomado tempo para misturar as cores, o que para mim foi uma revelação e minha primeira descoberta. Pensei: o artista está certo”, ela contaria muitos anos mais tarde, ao recordar sua estada na capital alemã.

Ela acabava de ter contato com a arte dos rebeldes, desligados do academicismo ensinado nas escolas. Na ocasião, Anita se deu conta de que nada no mundo era incolor ou sem luz. Fascinada, aproximou-se do grupo e passou a ter aulas, primeiro com Luís Corinth, o pintor daquelas telas, e depois com Bischoff-Culm, aprendendo pintura livre e a técnica da gravura em metal.

A pintora voltou ao Brasil e realizou sua primeira exposição individual, em 1914. Em seguida, foi para os Estados Unidos onde estudou com Homer Boss, com a liberdade de pintar o que desejasse, livre de imposições.

Foi esse período que marcou a fase mais brilhante de sua criação. Anita produziu telas como “O homem amarelo”, “Mulher de cabelos verdes”, “O Japonês”, ainda hoje tidas entre suas melhores obras.

Em 1917, São Paulo já contava com quase 500 mil habitantes – mas ainda era uma cidade acanhada em termos de vida cultural. Nesse ano Anita fez outra exposição, muito importante porque foi considerada a semente do modernismo. “Foi ela, foram os seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras” disse o escritor Mário de Andrade, outro expoente do modernismo brasileiro.

No entanto, o editor e autor Monteiro Lobato, em artigo publicado no jornal “O Estado de S.Paulo”, criticou a mostra, esperando atingir seu alvo principal, os modernistas, como Di Cavalcanti, companheiros da pintora. Ela recebeu mal a crítica. Entrou em depressão e parou de pintar. Um ano depois, decidida a ser mais convencional, foi tomar aulas de natureza-morta com Pedro Alexandrino Borges, e se tornou amiga da pintora Tarsila do Amaral.

Os trabalhos de Anita foram exibidos na Semana de Arte Moderna de 1922 e em outras exposições, onde foi premiada e consagrada. Em 1933, conquistou a grande medalha de prata do Salão de Belas-Artes em São Paulo – nesse ano, a cidade completava a marca de um milhão de habitantes. Expôs na 1ª. Bienal paulista, em 1951. Quando a população paulistana passava dos quatro milhões, em 1963, Anita mereceu sala especial nessa mesma exposição.

A pintora teve um amigo, confidente, sua paixão platônica de toda uma vida: Mario de Andrade. Ao que tudo indica, Mario sabia do amor de Anita, mas os dois nunca falaram sobre isso. Ele morreu, solteiro, em 1945. No décimo aniversário da morte do escritor, ela escreveu-lhe uma carta:

“Tenho medo de ter desapontado a você. Quando se espera tanto de um amigo, este fica assustado, pois sabe que nós mesmos, nada podemos fazer e ficamos querendo, querendo ser grandes artistas e tristes de ficarmos aquém da expectativa.”

charge do sponnholz
Fonte: charge do Sponholz

Francis Hime e Raphael Rabello – Jazz Brasil 1993-TV Cultura

Francis Hime (Rio de Janeiro, 31/08/1939) iniciou seus estudos de piano aos 6 anos. Em 1955, se mudou para a cidade de Lausanne, na Suíça, onde permaneceu até 1959, dedicando-se à música. De volta ao Brasil, Francis passou a desenvolver uma amizade com alguns dos artistas que faziam parte do já consolidado movimento da bossa nova, tais como Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo, Dori Caymmi, Wanda Sá e Marcos Valle.

É dessa época sua primeira parceria com Vinícius, “Sem mais adeus”, gravada na época por Wanda Sá e posteriormente por vários outros intérpretes. Em 1969, formou-se em engenharia e casou-se com a cantora e letrista Olívia Hime, com quem viria a ter três filhas: Maria, Joana e Luiza.

No mesmo ano, Francis mudou-se para os Estados Unidos, onde deu continuidade a seus estudos musicais. Lá permaneceu por 4 anos. Francis Hime possui mais de quinze discos e dvds lançados.

É parceiro de grandes nome da música brasileira, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Toquinho, Dias Gomes, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Ruy Guerra, Paulo César Pinheiro, Ivan Lins, Victor Martins, Cacaso, Capinan e outros. Entre suas composições, destacam-se aquelas feitas em parceria com Chico Buarque, tais como: “Vai passar”, “Atrás da porta”, “Luíza”, “Trocando em miúdos”.

Míriam Leitão no Panorâmica Econômico

Dê todos os descontos que quiser dar. Diga que a convenção democrata foi uma festa, um show musical, pirotécnico; diga que todos recitaram um roteiro escrito, que foi um jogo de cartas marcadas. Ainda assim, ficará a exibição de uma vigorosa força partidária. A maior crítica aos partidos americanos é a de que eles bloqueiam os outsiders, os que vêm de fora. Barack Obama venceu também essa barreira.

O feio sentimento da inveja se aproximou de mim em alguns momentos desta convenção. Quis dois ou três partidos assim para chamar de meus. Um desses momentos: a repórter da CNN perguntou a um delegado por que ele tinha, no peito, a medalha da convenção de 1960, a qual escolheu John Kennedy. O rapaz contou que seu avô, que morreu antes de ele nascer, tinha sido delegado:

— Ontem, antes de eu vir para cá, minha avó me deu de presente.

Obama, há oito anos, sequer pôde entrar na convenção. Tinha perdido a eleição, estava endividado, seu cartão de crédito foi rejeitado no estacionamento, e ele não tinha ingresso. “Oito anos depois, ele é a convenção”, escreveu a revista “Economist”.

O sonho de superar obstáculos é, sem dúvida, inspirador. “Se você trabalhar duro, você vence”, disse Michelle Obama, entre outros. É um bom recado, mas levado a extremos, culpa-se o excluído pela exclusão: é como se ele ou ela não tivesse trabalhado duro. A vantagem é que o Partido Democrata acredita em políticas ativas de inclusão. Até ali: 24% dos delegados eram afro-americanos, uma representação que é o dobro de sua participação na população. Que partido brasileiro poderia mostrar uma estatística assim?

Os próximos 65 dias serão eletrizantes. Ontem, John McCain deu um golpe de mestre ao escolher uma mulher jovem que venceu a política tradicional. Tenta atrair os democratas descontentes com a escolha de Joe Biden. Ninguém se arrisca, no empate técnico das pesquisas, a garantir quem vai ganhar. Barack Obama, se ganhar, inevitavelmente vai decepcionar muitos dos seus apaixonados. É matemático. Não se pode agradar a tanta gente com expectativa diferente. Mas a idéia dos democratas de explorar o “sonho americano” tem base.

Obama nasceu antes da lei federal que, em 1965, instituiu o voto dos negros. O direito era garantido em vários estados, e negado em outros. É espantosa a caminhada dos negros a partir daquele ponto. Obama não é exemplo único. Há uma forte elite negra na representação política do país. Ele venceu a rejeição imediata que seu nome provocaria no pós 11 de Setembro. No meio dos dois estranhos nomes, ele ainda tem um “Hussein”. Venceu o antiislamismo atiçado pelas informações de que eram muçulmanos seu pai e seu padrasto. Por fim, venceu a poderosa máquina dos Clinton.

Hillary disputou como se fosse já dona da candidatura; como se os compromissos com os superdelegados fossem suficientes. Foi atropelada por uma estratégia inteligente. A derrota de Hillary mostrou que os filtros do sistema político americano deixaram passar um desafiante que chegou pelas bordas. Obama é a chance de envolver os muito jovens na política num país onde o voto não é obrigatório.

Ele tem outras barreiras a vencer. Uma delas é a crítica de que é jovem demais e inexperiente. Nesse ponto, Bill Clinton deu uma grande ajuda no seu discurso. “Em 1992, fui acusado de ser jovem e inexperiente. Isso soa familiar?” Clinton falou isso depois que ele e outros lembraram que seu governo tirou o país da recessão, iniciou um ciclo de forte crescimento, oferta de empregos, aumento da renda, e entregou o país com equilíbrio orçamentário.

Obama terá que vencer a idéia de que não será um bom “comandante-em-chefe”, comparado a um veterano do Vietnã. Ele preparou o golpe contra a idéia de que os falcões republicanos são os donos da defesa. Lembrou que os que morrem nas guerras são democratas e republicanos, e que é do partido de Roosevelt e Kennedy:

— Não digam que os democratas não defenderam o país.

Seu discurso, noves fora as paixões que acende, teve estratégia. No início das primárias, Obama mostrava-se como uma ponte na divisão bipartidária americana. Na convenção, foi o homem de partido que ataca o adversário em pontos certos, que mostra as virtudes de um lado contra o outro.

A grande crítica racional ao candidato é que ele é muito pouco específico em suas posições. Cria boas idéias, mas não as define. Os próximos dois meses e pouco serão tempos de definição. Se Obama vencer a maior das disputas, a eleição em si, entrará no governo com vantagens, como o possível controle nas duas casas do Congresso. Na maioria das cadeiras em disputa, os democratas estão na frente por circunstâncias locais. Terá também a força da economia se recuperando. Assumirá com o país em recessão, porém, ao longo dos trimestres, a economia começará a sair da crise. A mesma onda na qual Bill Clinton surfou.

Fale mal do “sonho americano” e diga que ele é uma criação de marketing político. Mostre todos os defeitos da democracia deles. Sei vários. Mas é difícil não admitir: este é um momento emocionante.

charge do Glauco

Fonte: chargeonline.com.br/Glauco

História – há 11 anos…

Morre a Princesa Diana – No dia 31 de agosto de 1997, morre a princesa Diana e seu namorado, Dodi Al Fayed. Eles estavam em Paris e morreram em um acidente de automóvel.

O motorista perdeu o controle da direção quando tentava fugir de fotógrafos. A morte da princesa provocou comoção em diversos países.

Fonte: CPDOC/JB

NOTICIÁRIO

Ibope: Crivella e Paes têm empate técnico
Pesquisa do Ibope divulgada pela TV Globo e “O Estado de S.Paulo” mostra empate técnico no Rio entre os candidatos Marcelo Crivella (PRB) e Eduardo Paes (PMDB). Crivella caiu de 28% para 24%. Paes subiu de 12% para 19%. Jandira Feghali (PCdoB) foi de 11% para 10%.

Portabilidade: troca em 21% de pós-pagos
Com a portabilidade, que começa amanhã, pesquisa estima que 21% dos donos de pós-pago levem o número para outra operadora. No Rio, isso valerá em fevereiro. Mas, se não trocar de telefônica, o carioca já pode manter o número fixo quando se mudar.

Lula engajado na campanha eleitoral
Debaixo de garoa, presidente Lula fez, ontem, sua primeira participação na campanha de rua da petista Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo em carreata pelas ruas do bairro de São Miguel Paulista, na zona leste da capital.

“Os estragos do câmbio”

As importações do País crescem e o superávit comercial cai, mas o câmbio não seria tão decisivo se as empresas não fossem afetadas por um ambiente institucional desfavorável.

CNJ abre sindicância no Judiciário do Rio
O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro César Asfor Rocha, determinou sindicância para apurar irregularidades no Tribunal de Justiça do Rio. Documentos desmentem o juiz Marcelo Marinho sobre leilão arrematado pelo seu irmão, Marlan Jr.

Negócio da China ‘made in Brazil’
Empresas brasileiras estão indo para a China seduzidas pelas vantagens fiscais e mão-de-obra barata. De lá, exportam para o próprio Brasil. Pior: boa parte, em menos de dois anos, fecha sua planta por aqui.

Seqüestro relâmpago bate à porta
Criminosos capturam um morador do DF a cada 15 horas. Em 2008, média mensal desse tipo de crime já cresceu 26% com relação ao ano passado. Vítimas contam ao Correio a experiência aterrorizante por que passaram ao serem privadas da liberdade, roubadas e agredidas.

IMATURIDADE

Jandira Feghali: “O PT errou comigo”

Sabatinada pelo Jornal do Brasil na série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB) atacou o PT. Para ela, seu nome deveria ter sido consenso da esquerda, mas faltou “maturidade” aos petistas. Jandira promete ampliar em 100% o Programa Saúde da Família e assegura parcerias com Cabral e Lula.

RAPOSA/SERRA DO MEL

Indefinição sobre reserva deixa Roraima paralisada

A disputa pelas terras da Raposa Serra do Sol está travando o desenvolvimento de Roraima. “Quem vai investir numa área marcada pela incerteza?”, diz o economista Gilberto Issa, que calcula em 2 milhões de hectares a área que pode ser explorada pela agricultura no Estado. Força Nacional mantém 140 homens na região.