Arquivo do mês: junho 2007

Renangate se ramifica envolvendo outros senadores

O recém-eleito presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB), acusado pelo Ministério Público Federal de receber propina em troca de emendas ao Orçamento, está sendo impelido a dar explicações aos seus pares até por membros da base de apoio ao PT-governo. Com isto e mais as declarações do ex-presidente do Conselho, Sibá Machado, de que há pressões externas sobre os conselheiros, a crise que atinge o Senado Federal recrudesce, exarcebando os ânimos da “banda ética” da Casa.

A partir do processo movido pelo PSOL contra Renan Calheiros, o Congresso Nacional atravessa uma turbulenta crise. Dois presidentes e três relatores já passaram pelo Conselho de Ética sob o cerco de uma tropa de choque que impôs inicialmente o arquivamento do processo e agora quer enviá-lo para o Supremo Tribunal Federal, com o objetivo livrar Renan das acusações que lhe pesam tanto nos considerandos iniciais, como nas posteriores suspeitas da Polícia Federal sobre a alegada comercialização de gado nas Alagoas.

Para macular ainda mais a Casa de Ruy Barbosa, surgiram casos infamantes, com acusações diretas a dois outros senadores, Joaquim Roriz e Leomar Quintanilha. Contra Roriz pesa uma gravação telefônica que induz participação em desvio de dinheiro do Banco de Brasília e as conseqüências escandalosas dessa transação; contra Leomar, forma-se um juízo baseado em evidências, que abrem novo flanco na batalha pela moralização do Parlamento. Joaquim Roriz para defender-se apelou para o testemunho de Deus e de Nossa Senhora; Leomar Quintanilha diz que não renuncia à presidência do Conselho, mas ainda não mostra disposição de rebater as denúncias contra si.

Crise no Senado vai para História do submundo político

“O mais recente produto da indiferença pelo destino do Senado Federal, é a disposição de Renan Calheiros arrastá-lo consigo para os porões da desonra, pior do que a indecorosa farsa de Roriz. Seja lá como for os dois já fazem parte da desairosa história do submundo político”.

(Retoque de um editorial do Estadão)

Procurador-geral contra manobra golpista de Renan

Parece que abortou o golpe dos renanzistas (inspirado por Zé Sarney) de transferir o processo de quebra de decoro parlamentar contra Renan Calheiros para o Supremo Tribunal Federal. Falando sobre a possibilidade de um recurso ao STF, pronunciou-se o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza: “A falta de decoro é questão interna e deve ser resolvida única e exclusivamente no Parlamento”.

VIDEOCLIPE DA BANDA BUGS – LANÇAMENTO NA INTERNET

O BUGS, grupo rocker made in Natal-RN, teve recentemente a sua
música DOCE AVENIDA transmutada em videoclipe pelo videomaker
JOCA SOARES.

Já colhendo bons resultados, o clipe foi selecionado e exibido no
Festival Curta Natal 2007, onde teve ali a sua única aparição pública,
chegando assim até agora intacto para o seu lançamento oficial na
própria internet pelas vias principais do YouTube.

Com momentos de lirismos lisérgicos, o transcorrer do videoclipe vai
passo a passo mergulhando o espectador num universo de intensa
psicodelia surreal. Assista com moderação

Videoclipe Doce Avenida – Banda Bugs

http://www.youtube.com/watch?v=_kGOerS6KnA

Roriz usou grana do BRB para subornar juízes

Autorizada pela Justiça Federal, a PF flagrou em escuta telefônica o senador Joaquim Roriz combinando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin Moura. Defendendo-se, o Senador brasiliense usou a tribuna do Senado para um discurso patético tentando explicar e justificar o saque do cheque – que não era seu – do qual subtraiu R$ 300 mil emprestados para pagar uma bezerra nelore, e devolveu o restante ao empresário Nenê Constantino, seu amigo dono da Gol Linhas Aéreas. A retórica chorosa, fastidiosa e vazia não convenceu nem Deus nem Nossa Senhora, a quem apelou como testemunhas da sua lisura.

“Quem em sua vida nunca pediu um empréstimo a um amigo?”, recitou Roriz enfaticamente, apelando para um comprometimento coletivo: “Será que um senador não poderia pedir um empréstimo a um amigo de longa data?”. E, numa anáfora, tentou convencer os seus pares (e a audiência da TV-Senado): “Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus! A que ponto chegamos?”

Esta declamação empolada que a ninguém persuadiu, estimulou a reportagem investigativa de uma revista elitista, que quer desestabilizar o PT-governo denunciando a corrupção. VEJA traz neste fim de semana um furo: a parte do dinheiro que não foi usada para transações pecuárias “teve destino explosivo”: serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006. Pelo jeito, vai ter muita gente importante ajoelhada, rezando na Catedral de Brasília…

Presunção da inocência segundo Lula da Silva

Cláudio Humberto conta que o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, criticou o presidente Lula pela declaração sobre ser inocente até prova em contrário. Assim aparteou Maia: “Esses marginais que espancaram a trabalhadora doméstica ainda não foram condenados. Servem como exemplo?”, perguntou, pedindo ao presidente que “pare de falar besteira (…), antes era improvisação, cinco anos depois é grotesco”.

Medidas duras não resolveram problemas de vôo

Qual a explicação para a volta do caos nos aeroportos do País? O Presidente deu carta branca à Aeronáutica, que acusou, remanejou, puniu e prendeu controladores de vôo, mas os problemas do tráfego aéreo voltaram com as mesmas características de antes. Novas medidas, como o seqüenciamento dos vôos, que impõe um intervalo maior entre as decolagens, em vez de melhorar, agravou a situação.

Os principais aeroportos do país voltaram a apresentar atrasos e cancelamentos de vôos neste sábado e a própria Infraero constata que das 836 decolagens programadas até as 12h30, 302 partiram com atraso de mais de uma hora e 88 foram canceladas. Um boletim posterior registra que das 0h às 16h30 o índice aumentou e de 36,6 para 42,9% e das 1.154 decolagens programadas no período, 496 saíram com atraso de mais de uma hora e 126 foram cancelados.

No aeroporto de Congonhas, São Paulo, dos 162 vôos previstos hoje para ocorrer até as 16h30, 65 tiveram atrasos de mais de uma hora, e 19 foram cancelados. Em Guarulhos, das 158 decolagens programadas, 57 atrasaram por mais de uma hora e sete foram canceladas; no aeroporto de Brasília, houve 43 atrasos e quatro cancelamentos. Houve tumulto no chek-in da Gol na manhã de hoje em Guarulhos, quando passageiros de vôos transferidos de São Paulo para Campinas tentaram impedir que outras pessoas se registrassem na companhia aérea para embarcar. Foram 33 os vôos deslocados para Viracopos e destes, oito sofreram grande atraso.

Sibá Machado disseca no Acre o “renangate”

No Acre, depois de renunciar à presidência do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT), entrevistado pela imprensa local, disse que há no Conselho um “jogo de interesses” para livrar Renan Calheiros de uma punição. Relatou que, ao repassar à Polícia Federal os documentos da defesa de Renan, para que fossem submetidos à perícia, recomendou que as investigações não fugissem da sua competência, e o relatório pericial, embora preliminar, trouxe muitas dúvidas sobre as alegadas transações agropecuárias do presidente do Senado. Pegada de surpresa com o texto da PF, a tropa de choque de Renan pressionou para que a pauta do Conselho entrasse em ritmo sumário.

A nova tática dos leões de chácara de Renan é transferir as apurações do âmbito do Conselho para o Supremo Tribunal Federal, isto é, mandar para as calendas gregas o processo que deveria julgar se o pagamento da pensão alimentícia da filha que teve com Mônica Veloso era paga por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. O encargo de passar à beneficiária a pensão que Renan alega ter sido feito com recursos próprios, merece segundo os peritos da PF, um exame mais vagaroso e acurado.

Sibá fez outra surpreendente revelação nas suas entrevistas ao sítio Acre 24 Horas: confidenciou que o ex-relator Epitácio Cafeteira (PTB), que sugeriu o arquivamento do processo sem averiguações dos documentos apresentados pela defesa, renunciou ao cargo e não pediu licença para tratamento médico, como vem sendo divulgado. Disse Sibá que Cafeteira entrou em pânico diante das pressões dos aliados e da opinião publica.

Dos senadores ou de nós depende a salvação do Senado

A lucidez e a experiência de Hélio Fernandes nos orientam. Aspas para ele:

“Meu alvo, meu objetivo, minha intenção não é atingir o Senado, destruí-lo, desmoralizá-lo, desprezá-lo, colocá-lo diante do pelotão de fuzilamento da opinião pública. Não sendo tudo isso é ao mesmo tempo tudo isso, pois o Senado, como um todo está se deixando dominar pela parte. E ou reage agora ou não haverá mais tempo.
É preciso que a maioria decente e consciente, que ainda existe, lógico, abandone a omissão, a displicência, o “não tenho nada com isso” e reaja com autoridade, com dignidade, com responsabilidade, livrando-se da minoria atuante, imprudente e comprometida que vai acabar por levar ao paredão, a representatividade e a democracia.
Sem a representatividade, mas não essa, não há democracia. Não pode haver democracia com essa representatividade que na verdade não representa coisa alguma. Muitos chegam ao Senado sem voto, outros chegam com votos, “obtidos” ninguém sabe como. Mas chegam. Dominam. Maculam. Impõem. Contaminam. Desprezam. Intimidam. Ameaçam. Mentem. Desqualificam. Desmoralizam.
“(…) Esse é o retrato digital e virtual do Senado corporativista, que em vez de reagir só faz se desgastar, levando a opinião pública a condenar todos, sem livrar ninguém.
“(…) Os que mais desmoralizaram o Conselho de Ética e o próprio Senado: Sibá Machado, Cafeteira, Wellington Salgado, Leomar Quintanilha, todos teleguiados, sem vontade e sem qualificação. Sibá Machado provou do próprio veneno da submissão. Aceitando o cargo para servir sem pudor, quando se convenceu que era demais, que não deveria se comprometer mais ainda, foi execrado, aviltado, insultado. Elogiado na imprudência, foi agredido na tentativa de reabilitação”.

O odor que emana do Senado

Vamos ao Editorial do Estadão para ver o que está pensando a imprensa golpista das elites. Abre aspas:

Já não tivesse dito na véspera que “o que não pode é o Senado ficar sangrando e, mais do que isso, fedendo”, o representante de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, teria motivos de sobra para dizê-lo, em tom ainda mais enfático, na quinta-feira. Até os mais calejados observadores dos costumes políticos nacionais hão de ter sentido vergonha pelas novas demonstrações de cinismo e ignomínia que enxovalharam nesse dia a Casa, sangrando há cinco semanas em razão das jogadas do seu presidente Renan Calheiros para enterrar, custe o que custar, as denúncias contra ele. O vexame mais espetaculoso foi proporcionado pelo senador peemedebista Joaquim Roriz, que está para o Distrito Federal (DF) – onde exerceu quatro mandatos de governador – como os velhos coronéis do voto de cabresto e do assistencialismo estão para os grotões do Brasil arcaico.

No fim da semana passada, com se sabe, a imprensa divulgou trechos de gravações feitas pela polícia do DF, em 13 de março, nas quais se ouve Roriz acertando a partilha de uma bolada, no escritório do magnata dos transportes Constantino de Oliveira, o Nenê, com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Tarcísio Franklin de Moura. Ele é um dos 19 presos da Operação Aquarela, por suspeita de desvio de R$ 50 milhões do banco. A intragável versão de Roriz é a de que pedira a Nenê um empréstimo de R$ 300 mil para um negócio com gado, recebeu um cheque de R$ 2,2 milhões, sacou-o e devolveu o troco. Investigado pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma, e alvo de um pedido do PSOL para que seja processado no Conselho de Ética, Roriz enfim apareceu para se defender.

O que apresentou da tribuna, em 40 minutos, diante de apenas 13 dos seus 80 pares, foi uma grotesca farsa de um cinismo que chegou a assumir ares de deboche. Maltratando as palavras, a sintaxe e a lógica, falou de sua compaixão pelos pobres (“só pensava, dia e noite, em quem passava necessidade e fome”), se irmanou a Calheiros no papel de vítima da “imprensa opressora” (“a imprensa, quando quer, massacra”), apregoou o seu fervor religioso (“prostrado de joelhos, pedi a Nossa Senhora que me desse forças”), abanou duas folhas de papel como se fossem procurações para a quebra dos seus sigilos, verteu, como diria Nelson Rodrigues, lágrimas de esguicho – e não convenceu ninguém. Perto dos 71 anos, Roriz está no pior dos mundos: se renunciar para não ser cassado, ou se enfrentar o processo e for cassado, como tudo indica que será, perderá o direito ao foro privilegiado e poderá a qualquer momento juntar-se aos detentos da Aquarela. Mas isso é problema dele.

Problema dos senadores, que nesse caso tornarão a ofender a sensibilidade olfativa de Jarbas Vasconcelos, será a tentação de transformar Roriz em boi de piranha, para que Calheiros passe impune, com as suas fabulosas boiadas, as suas ligações promíscuas com o lobista de uma empreiteira – e a sua recusa em se aperrear com a hemorragia do auto-respeito da instituição, desencadeada por sua patológica teimosia de se abraçar ao cargo. O mais recente produto dessa indiferença pelo destino da Casa, que ele parece disposto a levar consigo aos porões da desonra, foi a torpeza que fez par com a indecorosa farsa de Roriz. É mais uma história de submundo político. Tendo o petista Sibá Machado renunciado à presidência do Conselho de Ética, Renan acionou a sua tropa de choque para indicar, como sucessor, o também peemedebista Leomar Quintanilha, do Tocantins.

Eis um personagem que se sente bem na atmosfera em que vive a Casa. Ele figura em dois inquéritos abertos no Supremo, a pedido do Ministério Público. É acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A polícia localizou 14 cheques no total de R$ 283 mil em favor de um irmão e de um assessor de Quintanilha, emitidos por uma empreiteira beneficiada por emendas ao Orçamento de sua autoria. Para se eleger no Conselho com votos da oposição, anunciou que seu candidato para a relatoria, igualmente vaga, era o capixaba Renato Casagrande, do PSB, favorável ao aprofundamento das investigações sobre Renan. Eleito, simplesmente deu o dito pelo não dito. “Está passando do limite”, protestou Casagrande. Qual a novidade? Jarbas Vasconcelos não havia afirmado que “a situação está ficando insustentável”?