Arquivos Mensais: fevereiro 2007

Lula quer dominar a radiofonia

A condenável tentativa de impor um Conselho Federal de Jornalismo para fiscalizar o exercício profissional dos jornalistas e disciplinar os órgãos de imprensa, assim como a criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual – Ancinav, para controlar a produção cultural, fracassaram sob o peso da opinião pública. Mas Lula da Silva não desistiu.

Os primeiros projetos totalitários se apoiaram nos pelegos da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj, deixando explícita a instalação de expedientes regulatórios, que nada mais eram do que uma forma velada de censura.

Agora vem o lulismo-petismo noutra investida com um sistema nacional de rádio submetido ao PT-governo. O projeto está pronto e deve ser anunciado em breve; tem o objetivo, segundo consta, de transmitir a comunicação oficial dos diversos órgãos administrativos à população, através de emissoras ligadas à Radiobrás e outras a ser concedidas.

Batizando o monstrengo de Rede Pública de Rádio, Lula da Silva propõe fazer circular mensagens federais, estaduais e municipais em convênio com as concessionárias de canais radiofônicos dos governos estaduais e municipais, assembléias legislativas, câmaras municipais, ongs e sindicatos.

Na década de trinta do século passado a Ditadura Vargas tomou uma iniciativa semelhante para alcançar a sociedade com noticiário dirigido pela ótica governamental. Era copiado dos governos totalitários de Mussolini e Hitler, que usaram o rádio para divulgar as arengas fascistas. Depois, a ditadura militar de 54/69 implantou um sistema de comunicação por rede, aproveitando a tecnologia dos satélites; e os governos eleitos após destinaram verbas para a Rádio Nacional e outras emissoras públicas a fim de utilizá-las politicamente.

Desta vez, porém, a ambição desmedida pelo poder de Lula da Silva e seus pelegos, representa um perigo iminente porque coincide com a implantação da radiodifusão digital que entregue às mãos da pelegagem cerceará a liberdade de expressão. Uma real ameaça à democracia.

Se o modelo fosse xerocado da TV-Cultura, seria até aceitável. Acompanharia as experiências dos países civilizados, como a excelente BBC inglesa e o respeitado Le Monde francês. Não se pode, porém, confiar que o lulismo-petismo, carimbado por atos vergonhosos de corrupção ativa e passiva, assuma uma tarefa que exige lisura editorial e respeito aos princípios republicanos.

No Rio Grande do Norte, concretizamos um projeto de comunicação republicana, iniciativa louvável da Imprensa Oficial. Trata-se do mensário “Três Poderes da República” que, homenageando o jornal pioneiro de Pedro Velho, divulga com isenção e sem propaganda política, as atividades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Encontramos nesta prática jornalística a base de uma editoria apartidária, praticando um autêntico jornalismo de Estado, com respeito às instituições republicanas. Ao contrário do que faz o Departamento Estadual de Imprensa, não acreditamos que um governo que por duas vezes tentou controlar jornais e produção cinematográfica e televisiva, cumpra este papel. Lula da Silva quer na realidade disciplinar os jornalistas, artistas, dramaturgos e produtores culturais.

Após as anteriores tentativas de domesticar a comunicação social, Lula da Silva deve dar total transparência nas suas intenções ao criar a Rede Pública de Rádio; até agora não o fez, porque nem o presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci, tomou conhecimento do projeto. Bucci, aliás, sequer foi comunicado a respeito. Imagine-se como será apresentado à sociedade esse monstrengo anti-democrático. Isto é mal.

O “marxismo” dos Irmãos Marx

Os “Irmãos Marx”, todos sabem quem são. Comediantes, eles ocuparam um importante espaço no cinema, tão importante que os canais pagos de televisão passam seus filmes até hoje. Groucho, o porta-voz do grupo, é autor de frases antológicas; sendo uma de importância filosófica: “Não entro em clube que me aceita como sócio!”.

A rapaziada dos filmes “pastelão” nada tem a ver com Karl Marx, o genial fundador do comunismo científico. Em comum, apenas que ambos atravessam os anos mantendo seguidores e fãs.

Karl Marx estudou a vida econômica e política da sociedade burguesa e, crítico do capitalismo, deixou uma vasta obra que traz uma concepção de um mundo novo, livre de superstições, conservadorismo e exploração do homem pelo homem. Deste trabalho científico, nasceu o marxismo.

Os partidos socialistas e comunistas do mundo inteiro adotam o marxismo aproveitando-o em parte ou no todo, mas nem todos, porém, seguem-no com exatidão. Desde os primeiros tempos surgiram tentativas de falsificação das idéias de Karl Marx, tendo uma delas surgido na Rússia quando crescia o movimento socialista. Foi o chamado “marxismo legal”, lançado por intelectuais da burguesia liberal.

No Brasil, onde a história do socialismo é curta (foi Silvio Romero o primeiro leitor do Manifesto Comunista), também apareceram várias organizações piratas se fazendo passar pelo socialismo proletário. Muitos partidos usurparam inclusive os adjetivos “comunista” e “socialista” usando-os como rótulo para passar um fictício socialismo pequeno-burguês filho do liberalismo.

Ainda é contemporânea esta pirataria traiçoeira. Uma delas vem dos arrivistas que conquistaram a hegemonia no Partido dos Trabalhadores, impondo o pelegão Lula da Silva como um “homem de esquerda”. Nada mais falso.

Em 1975, mais precisamente no dia 19 de abril de 1975 – aniversário de Getúlio Vargas – o pelegão, hoje re-Presidente da República, assumiu a direção do Sindicato dos Metalúrgicos com um discurso de onde tiramos um trecho muito elogiado por Delfin Neto. Disse Lula da Silva:
“O momento da história que estamos vivendo apresenta-se, apesar dos desmentidos em contrário, como dos mais negros para os destinos individuais e coletivos do ser humano. De um lado, vemos o homem esmagado pelo Estado, escravizado pela ideologia marxista, tolhido nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitado em sua capacidade de pensar e se manifestar. E, no reverso da situação, encontramos o homem escravizado pelo poder econômico, explorado por outros homens, privados da dignidade que o trabalho proporciona, tangidos pela febre de lucro, jungidos ao ritmo da produção, condicionados por leis bonitas, mas inaplicáveis, equiparados às máquinas e ferramentas.”

Parece que foi escrito pelo general Golbery ou algum ghost-writer da Volkswagen, bem adaptado à personalidade do atual Presidente da República.

Intelectuais oportunistas, padres de passeata, pelegos sindicais e dissidentes do movimento comunistas usaram Lula da Silva para fundar um partido, e com ele chegaram ao poder na República Federativa do Brasil. Vemos que o Pelegão continua o mesmo; mas os seus joysticks, multiusuários da vitoriosa carreira é que perderam a vergonha.

Diziam-se politicamente marxistas. Com variações, mas marxistas. Hoje submetem-se às maiores safadezas, como faz um deles, o ministro (!?) Tarso Genro, que tem o descaramento de dizer que “o Governo Lula não precisa de reforma política”, numa flagrante contradição com o que expôs o Presidente nos comícios, ao ser reeleito e ao tomar posse.

A dialética da pelegagem apaga o que não interessa ao PT-governo, mas está registrado no horário eleitoral do TSE que Lula disse na campanha: “A crise ética que se abateu sobre o País é a crise de todo sistema político e não apenas de alguns partidos ou de determinadas pessoas. Por isso, nós vamos fazer a reforma política”.

No primeiro discurso depois de vitorioso no segundo turno, falou o Pelegão: “Os partidos políticos precisam se fortalecer e para isso nós vamos discutir logo no começo do mandato a reforma política que o Brasil tanto necessita”. Ao tomar posse em primeiro de janeiro, resumiu um compromisso: “A reforma política deve ser prioritária no Brasil”.

Tarso Genro e os “marxistas” do PT não são marxistas seguidores de Karl Marx, mas “marxistas” dos Irmãos Marx…