Artigo

IGNORÂNCIA

 

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)                   

                         “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente” (Martin Luther King)

Machado de Assis conta no seu livro “Balas de Estalo” uma anedota vivida pelo Barão de Drummond (ele gravou com dois “m”) e o Coronel Gordilho. Este último foi motivo de chacota porque, interpretando mal uma ordem superior, prendeu o maçom Luís Prates acusado de participação no movimento revolucionário de 1817 que estourou no Nordeste.

Tempos depois interpretando o fato, o Barão assim se referiu: “O autor da prisão (de Luís Prates) foi o Gordilho que depois, “por merecimento da sua ignorância”, se tornou Marquês de Jacarepaguá e senador do Império.

Machado chamou a expressão “por merecimento da sua ignorância” uma “bala de estalo” – um artefato que riscando na caixa de fósforo estoura, e que usei muito quando eu era menino na época de São João. A frase, por exprimir o julgamento negativo de uma premiação é realmente um estalo.

Triste é que a ignorância entre os poderosos imperiais atravessou os anos e chegou à República na esfarrapada Democracia que vivemos. Ninguém “ignora” a palavra

Ignorância; é um substantivo feminino dicionarizado como falta de saber, de conhecimentos; a característica de quem não tem informação ou não está a par do que se passa à sua volta.

O povão na sua inteligência ampliou o conceito de ignorância para boçalidade, estupidez, grosseria e rudeza. Num dos meus últimos artigos fui criticado por citar como exemplos da decadência cultural no Brasil a intelectualidade eleita pela mídia, e a composição da Academia Brasileira de Letras e do Supremo Tribunal Federal.

Respondo à crítica através deste artigo que é lido por milhares de seguidores no Twitter e no Facebook. Julgo com a sabedoria dos antigos gregos que nos legou uma lição do grande Aristóteles: “o ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”; isto basta para reafirmarmos minha menção aos “novos intelectuais”, “novos imortais” e novos “ministros togados”.

Como a “ignorância e a arrogância são duas irmãs inseparáveis, com um só corpo e alma” no dizer de Giordano Bruno, nós as encontramos como uma atração fatal dos fascistóides lulopetistas.

Haveria um exemplo maior de ignorante do que o pelego Lula da Silva, embora driblando a opinião pública com a astúcia e os ardis de pelego escolado na política sindical? E que, através dele, também tivemos na Presidência “por merecimento da sua ignorância” Dilma Rousseff, que foi defenestrada do cargo, mas continua a divulgar – sem o menor acanhamento – o seu besteirol de “work alcholic”.

Consideramos, também, a estupidez da fração populacional brasileira que se revela cega e faz ouvidos moucos às revelações sobre Lula e Dilma. Chega a 30% da população, incluindo pessoas que ocupam posições de relevo social.

Registram-se artistas, jornalistas, professores e até escritores, assumindo a ignorância ao defender o lulopetismo como se fora socialismo, e confundindo o narcopopulismo como finado stalinismo. Desconfia-se que é por interesse. Fala-se que é mercenarismo. Seja como for, fingidores ou não, travestem-se de ignorantes.

Dizem, também, que muitos destes surfistas da ignorância política o fazem por vaidade, repetindo como papagaios as palavras-de-ordem dos chefetes partidários para atrair holofotes.

Esta versão me agrada, por que os psicólogos dizem que a ignorância está sempre pronta a admirar-se a si própria, e parece ser o diagnóstico correto para os seguidores do Partidos dos Trabalhadores e suas linhas auxiliares…

A MAÇÃ

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O pecado original não foi a maçã que Eva comeu, foi achar que Adão precisava compartilhar exatamente o que ela havia experimentado” (Paulo Coelho)

Não tenho certeza e a “pesquisa Google” não contém, mas dizem que foi o grande Isaak Newton, o pai da Lei da Gravitação Universal, o autor da frase: “Física, liberta-me da metafísica”, que exclamou depois que uma maçã lhe caiu na cabeça.

Newton foi astrônomo, alquimista, filósofo natural, teólogo e cientista inglês, mas é mundialmente reconhecido como físico e matemático; e a estória da maçã, que muitos julgam ser fantasia, foi divulgada por Voltaire em seu “Ensaio Sobre Poesia Épica” e confirmada por John Conduitt, que trabalhou com Newton e era casado com uma sobrinha dele.

Eu acredito piamente que Newton teve o primeiro pensamento sobre o sistema de gravitação ao ver uma maçã cair da árvore quando caminhava em seu jardim, mas a frase “Física, liberta-me da metafísica” é duvidosa, por que não é tão genial como a lei da física batizada com o nome dele.

Vem de longe a ideia. Os filósofos da Grécia antiga já classificavam a ciência com três vertentes: Física, a Ética e a Lógica, divisão que consideravam de acordo com a natureza das coisas, e, para lhe completar resta apenas determinar com exatidão as subdivisões necessárias.

Immanuel Kant em defesa da ciência escreveu que “pode-se denominar empírica toda filosofia que se apoia na experiência científica”, mas distinguiu com a sua Lógica, que a visão filosófica se limitando ao pensamento, deverá ser considerada como Metafísica.

Completou este entendimento com a ideia de uma dupla metafísica: uma Metafísica da natureza e uma Metafísica dos costumes. Não sei aonde se enquadra a Maçã como a fruta responsável pela expulsão de Adão e Eva do paraíso no conceito da Metafísica da Natureza…

No Livro da Gênesis, a Bíblia traz que “Adão e Eva foram expulsos do paraíso por comerem “o fruto da árvore que está no meio do jardim”, não menciona que o fruto proibido era a maçã; isto foi herdado das antigas religiões que a representavam como perigosa causadora de confusão, discórdias, pecados, quebra de tabus e rebeldia.

Temos na mitologia grega a deusa Eris usando a maçã para provocar a guerra de Tróia, e o nórdico deus Loki que usando as maçãs da deusa Iduna derrubou os deuses do santuário de Asgard. Acho até que vem dessas lendas a tentação de Branca de Neve para morder a maçã que a bruxa má lhe ofereceu.

Nos dias atuais pouco importa aos pregadores das tradições judaico-cristãs que era indeterminado na Bíblia o fruto proibido no paraíso, fosse banana, pera ou uva. Eles insistem em dizer que o fruto proibido era a maçã…

Os agitadores patológicos, como o ditador Maduro e seus seguidores brasileiros, se aproveitam disso para combater os Estados Unidos usando a cidade de Nova Iorque como um centro satânico, a “Grande Maçã”. Entretanto, o apelido “Big Apple” dado a Nova Iorque, é elogioso, lembra a oportunidade de todos de comerem às custas dela…

Quando escrevia no New York Morning Telegraph, o escritor John Fitzgerald creditou o apelido aos jóqueis e treinadores que aspiravam os prêmios patrocinados pela prefeitura nova-iorquina nas corridas do hipódromo.

Mais tarde, no final dos anos 20 e início dos anos 30, também os músicos de jazz começaram a referir a Nova York como “The Big Apple” por que ali é que os músicos e artistas ganhavam dinheiro.

Não pensam assim dos portadores dos neurônios degenerados do bolivarianismo, eles preferem à Nova Iorque, a maçã podre das ditaduras cubana e venezuelana…

 

ALIENAÇÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Eu só pediria licença para lembrar que os alienados são precisamente os que têm uma ideia fixa” (Mário Quintana)

É insuportável a gente ouvir o pelego Lula da Silva dizer que ‘o povo não tem que pagar Imposto de Renda sobre salário’, e que a tributação deve recair sobre os “ricos”. É uma cretinice um pouco menor do que a da revista IstoÉ ao dar espaço para este cretino.

Lula, que governou o País durante 14 anos, intervindo pessoalmente ou manipulando o seu fantoche Dilma Rousseff, em vez de taxar os ricos como diz agora, deu aos banqueiros a melhor época da sua história, com lucros extraordinários.

Outro exemplo mais do que perfeito da ação governamental lulopetista foi a criação de um grupo de bandidos travestidos de “capitalistas nacionais”, muitos dos quais encontram-se presos ou emaranhados em acusações de práticas corruptas.

Embora seguindo na minha atividade jornalística a lição de Eduardo Galeano, procurando “uma linguagem sem solenidade que permita pensar, sentir e se divertir, nada habitual nos discursos de esquerda”, obrigo-me a mergulhos acadêmicos para discutir com autodenominados intelectuais que ainda defendem Lula.

Falar de “alienação” exige a fuga do coloquial. Vem do latim, alienatione, substantivo feminino. Define-se dicionarizadamente como alheamento, anulação da personalidade individual e até perturbação mental e loucura; juridicamente é a transferência para outra pessoa de um bem ou direito.

Um professor culto ensinaria que “A alienação é a diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar ou agir por si próprios”. Isto, como verbete, só foi registrado pelos dicionários filosóficos do século passado…

Entretanto, como se vê na origem etimológica latina, a palavra já era conhecida e usada em vários sentidos. Impôs-se na antiga Grécia com a pregação de Heráclito sobre as relações humanas com o Logos, e Platão interpretando o mundo natural…

Foi o pensador Hegel que firmou o seu emprego filosófico e foi adotado sem reservas pelo pensamento mundial. Marx apropriou-se do termo, dando-lhe um significado exclusivamente político, enquanto os hegelianos encontram versões de alienação de desalienação até na idolatria e no Velho Testamento, base das religiões judaico-cristãs.

A aplicação filosófica de alienação impera a partir da Idade da Razão, aplicada pelos teóricos do Contrato Social, trazendo com Rousseau e Montesquieu sua definição correta.

Nem mesmo os povos do chamado primeiro mundo se educaram socialmente para evitar a alienação e chegar à desalienação. Nos terceiro e quarto mundos, nem mesmo a elite intelectual libertou-se de crendices alienatórias e, no Brasil, com a sua sociedade originariamente dividida, foram tímidos os avanços para a libertação mental.

Uma Nação sofrendo os traços civilizatórios de um feudalismo atrasado que os portugueses nos trouxeram, e a miscigenação com povos autóctones na Idade da Pedra Polida e migrantes escravizados animalescamente, explica o nosso atraso social, político e econômico.

A dita “intelectualidade brasileira” – empobrecida de valores autênticos nos últimos anos – aplica os termos alienação de duas maneiras: ou interpretando o marxismo de a-politização, ou incriminando os desajustes sociais. Seus interlocutores omitem a incapacidade coletiva de adaptação ao sistema político degenerado e decadente.

Não exagero: Vejam a composição atual da Academia Brasileira de Letras, do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Por si, seus membros são incapazes de reverter o retardamento cultural que impede o desenvolvimento do País.

Não chegamos aonde deveríamos ter chegado, por causa da alienação. E a justificativa é simples: Os indivíduos só se libertarão por si próprios da auto alienação através da educação, tornando-se livres, criativos e produtivos. Sem cotas, nem bolsas…

 

 

A RODA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”                                                                       (Charles Darwin)

Em conversa com o meu filho Maurício falei-lhe de um interessante documentário que assisti sobre as grandes descobertas da humanidade, registrando que em primeiro lugar foi a Teoria da Evolução de Charles Darwin. Afeito à discussão, Maurício disse que na opinião dele a maior descoberta foi a invenção da roda…

Embora os passos da civilização distingam teoria e prática, o domínio da natureza pela invenção da roda foi na verdade um salto gigantesco na trajetória do desenvolvimento tecnológico do ser humano.

Os estudiosos do assunto ainda não chegaram à época do emprego da roda. Há quem fale do seu uso já no Neolítico, dando início à Idade do Bronze. Outros, menos ousados, calculam em 6.000 anos a.C. e, comprovadamente pela Arqueologia, ocorreu cerca de 3500 a.C. na antiga Suméria.

Seu múltiplo uso foi na cerâmica, na fiação e o mais importante como roda de água movida por bois. Inicialmente eram feitas com três tábuas presas por suportes em forma de cruz, e a tábua central possuía um furo natural no nó da madeira.

Em torno de 1500 a.C., a roda com raios surge na Mesopotâmia e foi utilizada em carros de guerra que se espalharam pelos países, e os egípcios dominaram a sua tecnologia, com rodas de quatro raios, bastante leves. Diz-se que ao mesmo tempo, na China, a roda também esteve presente em veículos de duas rodas, as “bigas”, que os romanos vieram a adotar, na guerra e em corridas esportivas.

A História Antiga nos traz uma curiosidade: as civilizações pré-hispânicas nas Américas que edificaram templos magníficos, pirâmides que se rivalizavam com as egípcias e observatórios astronômicos superiores aos da Babilônia, desconheceram o uso do ferro, da roda, do arado e do transporte por animais.

Passeando nos caminhos históricos chegamos à Grécia e à Roma, onde a roda d’água evoluiu para o moinho hidráulico e daí, para o moinho de vento, foi um pulo que permitiu o grande avanço veio na Idade Moderna.

Os princípios dinâmicos da roda se casaram com as antigas experiências da pressão do vapor na velha Grécia, renascendo mais de mil anos depois com a máquina térmica do físico francês Denis Papin.

Nos fins do século 17 surgiu a primeira máquina a vapor de interesse industrial criada por Thomas Savery, um engenheiro militar inglês, e esta atualizou-se dez anos depois com uma nova máquina térmica à explosão sem risco.

Assim nasceu a Revolução Industrial, cuja velocidade – principalmente em períodos de guerra – chegou ao radar, ao computador, à Era Atômica, aos foguetes e a ida do homem ao cosmos.

A roda contribuiu enormemente do ponto de vista prático; para a humanidade, mas na minha opinião de apaixonado pela Teoria da Evolução, vejo justiça boa e perfeita em elegê-la como a maior descoberta para a inteligência humana, trazendo a mesma libertação que Galileu nos legou na Astronomia jogando no lixo o sistema geocêntrico.

Darwin derrubou as lendas das religiões antigas e a fantasia de Adão e Eva do sistema judaico-cristão. Temendo enfrentar a Igreja Anglicana, levou mais de 20 anos para publicar seu livro, prefaciando-o com a afirmação de que “o homem ainda traz em sua estrutura física a marca indelével da sua origem primitiva“.

Cem anos após a morte de Darwin, o professor Isaac Asimov, um dos maiores escritores de ficção científica, enfrentou a ortodoxia norte-americana escrevendo sobre a Teoria da Evolução: “Os criacionistas fazem com que uma teoria pareça coisa inventada depois de se beber a noite inteira”

 

FASCISMO(2)

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Em uma democracia, ninguém sabe o que será o próximo governo. Sob o fascismo não existe nenhum próximo governo. ” (Michael Kalecki)

Este é o “FASCISMO(2)”. Ao escrever o primeiro “Fascismo”, preocupei-me em mostrar a evolução histórica do regime italiano, sua adoção pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e também pelos totalitaristas romenos, húngaros, espanhóis e portugueses.

Agora que a palavra “fascismo” virou figurinha fácil entre os globalistas e seus aderentes, os narcopopulistas bolivarianos, chegou a necessidade de voltar ao assunto, com um título igual ao que foi usado em 2015.

A versão fascista dos nossos dias é o aparecimento global dos “antifas”, grupo criado por intelectuais ligados a Barack Obama nos EUA e, segundo informações, financiado por George Soros. Chegou e se expandiu na Europa, e é caricaturado na América Latina pelos pelegos sindicais e professores obreiristas.

“Antifas” é um termo recém-nascido, formado pelo prefixo grego “anti” (ação contrária) e a derivação precedente de fascismo, “fas”. Tornou-se a sigla do movimento que nos faz lembrar uma profecia de Winston Churchill: “Os fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas”.

Um dos eminentes contribuintes ideológicos do “antifas” nos EUA, é o historiador americano, da Universidade Yale, Timothy Snydere. Se ele não recomendasse a leitura do livro “Harry Porter e as Relíquias da Morte”, de J.K. Rowling, poderia até ser levado a sério por algumas tiradas inteligentes no seu livro “Sobre a Tirania”.

Uma delas é o reconhecimento de que atualmente uma grande massa social tem acesso imediata aos fatos via Internet e interage com a mesma velocidade. Isto, nós, navegadores da web já sabíamos e comprovamos a força das redes sociais sobre o poder.

Noutra abordagem, Timothy, embora defensor do globalismo, reconhece (um tanto timidamente) que já não há um Estado-Nação livre da globalização, e que isto repete historicamente os anos 30 com tentativas de ressurgimento do totalitarismo.

É verdade. Acompanhamos crescimento de ideias favoráveis a um Estado forte e tendências por um governo centralizador da política e da economia. O engraçado é que entre nós o fermento deste bolo é o populismo caricato do PT e seus puxadinhos.

Tenho me empenhado na luta para deixar aos pósteros uma sociedade democrática, com liberdade e justiça; por isso, registro a minha convicção de que o globalismo se George Soros & Cia impede uma democracia autêntica.

Como se trata de uma política internacional, o globalismo acentua a desigualdade social e como consequência disto, o populismo cresce e o racismo aparece…

No Knesset, parlamento israelense, transita um projeto de lei impedindo que ONGs recebam verbas da Fundação Sociedade Aberta de Soros. Como Israel, há muitos países que reconhecem como indesejável a atividade de Soros; e é por aí que mora o perigo da nossa geração assistir a Liberdade internada na UTI em estado terminal…

Já são percebidos os sintomas de degenerescência da Democracia no Brasil. Uma grande parcela de brasileiros já constata que não a nada mais antidemocrático do que um Executivo fragilizado, um Legislativo corrupto e um Judiciário que não faz Justiça…

O STF perde a credibilidade, Temer não consegue aprovar as reformas necessárias ao País; e o Congresso está pervertido.

Assim, a esperança no futuro cede lugar ao desânimo e ao enfraquecimento da luta para vencer o crime político organizado. Isto é muito triste. Lutemos para que os fascismos do século passado sejam enterrados em cova bastante funda para que não voltem como mortos-vivos.

 

 

SINÔNIMOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Vivo sem explicação possível. Eu, que não tenho sinônimos” (Clarice Lispector)

Escreveu o jornalista e escritor italiano Pitigrilli – muito popular na minha mocidade – que “não existem sinônimos matematicamente equivalentes” e quando me iniciei no jornalismo, meu chefe de redação nos ensinava que só deveríamos usar sinônimo se tivéssemos dúvidas sobre a ortografia da palavra que queríamos empregar…

Existem alguns dicionários de sinônimos. Possuo alguns, uso, porém, um que herdei da estante do meu pai, o “Grande Dicionário de Sinônimos e Antônimos” do filólogo Osmar Barbosa, com mais de 27 mil verbetes, uma edição Ediouro, sem data de publicação…

Folheando o “Grande Dicionário” a gente comprova que não existe mesmo dois vocábulos com o mesmo sentido. Buscando alguns exemplos, vejo que o autor empregou como sinônimo para “círculo”, anel, arco e aro, e no sentido social, assembleia ou grêmio… Para “música” apresentou filarmônica, harmonia e melodia…

Lembrei-me de abordar este tema por causa dos xingamentos que os tuiteiros têm apresentado para qualificar (com toda razão) os ministros do STF, useiros e vezeiros em atropelar a legislação e mesmo a Constituição, que deveriam obrigatoriamente interpretar com honestidade.

Seriam injúrias, certamente, por que querem realmente ofender, e muitas delas poderão ser sustentadas diante de um tribunal. Seriam calúnias? Sim, por que o intuito é ofender quem comete um desatino. Seria também difamação por que tem a intenção de desacreditar publicamente alguém que não cumpre suas obrigações.

A Lei escrita não vê como vejo.  Essa tríade está tipificada como crime no código penal: Calúnia (art. 138); Difamação (art. 139) e Injúria (art. 140).

Não sei sinceramente como classificar o ato do ministro Gilmar Mendes negando a transferência para um presídio federal de Sérgio Cabral, criminoso condenado, corrupto insensato que destruiu o Rio de Janeiro roubando e permitindo seus comparsas a roubar.

O discernimento de muitos juristas honestos não consideraria uma impropriedade ponderar que Gilmar trai os princípios mais caros do Direito Positivo. É um traidor, ao permitir que os juízes de primeira instância fiquem à mercê da máfia chefiada por Cabral. No caso, o juiz Bretas, ameaçado explicitamente por Cabral.

Isto nos faz lembrar de uma discussão (que minha mãe chamaria de briga de comadres em ponta de rua) entre Gilmar e seu colega Barroso no plenário do STF. Irritado por Barroso ter citado o Mato Grosso “onde está todo mundo preso”, Gilmar, que é de lá, lembrou que Barroso soltou o bandidaço Zé Dirceu e este replicou que isso se deu por decreto de Dilma concedendo indulto.

“Não transfira para mim essa parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade de colarinho branco”, disse Barroso, que não é flor que se cheire, mas fechou a discussão acusando: “Vossa excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é estado de direito, é estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário”, disse.

Este quadro dispensa dicionários de sinônimos e os artigos do Código Penal, do mesmo modo com tratamentos dados no Senado aos seus membros, como gravou Shakespeare o diálogo entre Brabantio e Iago em “Otelo”.  Brabantio disse a Iago: -“Sois um miserável” e Iago respondeu: – E vós, um senador…

Foi um xingamento implícito, ao contrário do que mudou entre os senadores o sentido da palavra “Amante” que apareceu numa denúncia premiada. Para eles é Vossa Excelência.

 

 

DELETAR

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br 

“Uma palavra nova é como uma semente fresca que se joga no terreno da discussão” (Ludwig Wittgenstein)

Dicionarizado, o verbete “verbo” é um substantivo masculino com sinonímia de “expressão” “discurso” “palavra” e “vocábulo”. Na semântica, é uma classe de palavras que representa ação, processo ou estado, e na sintaxe constitui a disposição do predicado nas sentenças.

Trocando em miúdos, o verbo registra os acontecimentos representados no tempo, como ação, estado, processo ou fenômeno. E é por isso que as frases e os períodos se desenvolvem em torno de um verbo, que se flexionam em número, pessoa, modo, tempo, aspecto e voz.

A linguagem falada e consequentemente a escrita vive em constante movimento, com uma terminologia que nasce, vive, engatinha, cresce, adoece (às vezes vai para a UTI) envelhece e morre. Foi assim que nasceu um novo verbo que ainda não chegou à pré-adolescência, “Deletar”.

Quase com as mesmas letras tem um parente, “Delatar”, já muito velho e usado através de gerações. Deletar é filho da Internet significando apagar, eliminar, suprimir em parte ou no todo de um texto, seja arquivo, desenho ou informação.

Agentes da chamada “nova mídia”, ativa nas redes sociais, usam a teclinha “Del” até em demasia e na simbologia do Twitter o delete está presente.

Antigamente não se empregava o deletar, mas era comum suprimir fatos, excluir ideias, desaparecer com fotos, exilar e até matar pessoas. Na descrição de um estado totalitário temos no livro “1984” de George Orwell, a bíblia da Democracia.

Ali está instituído um Ministério da Verdade, criado exclusivamente para distorcer os acontecimentos históricos, passados e presentes ao bel prazer dos dirigentes do partido único ocupante do poder, que é o sonho dos aprendizes de ditador dos nossos tempos.

A caricatura brasileira do centralismo fascista, o Partido dos Trabalhadores, tem como princípio a aplicação da mentira para ludibriar os incautos. Distorce a visão das utopias inerentes à formação da juventude, divide a sociedade em castas, confunde os gêneros e a opção sexual, elege parceiros e inimigos ao sabor dos interesses da hierarquia partidária.

Acaba de ser teclado o deletar das acusações de que o impeachment de Dilma foi um golpe, da palavra-de-ordem “Fora Temer” e o esquecimento dos xingamentos ao PMDB, partido que como aliado, indicou o candidato a vice-presidente da República na chapa lulopetista.

A falta de coerência é lucrativa eleitoralmente. Lula na excursão que fez no Nordeste se abraçou com Renan Calheiros e o filho deste, o governador das Alagoas; ambos têm interesse nesta parceria. Renan terá os votos do PT para o Senado e Lula os votos dos peemedebistas alagoanos…

Agora é oficial. O hierarca Luiz Marinho, alta autoridade petista, suspendeu a proibição das alianças estaduais com os partidos “golpistas”. É claro que com a sem vergonhice comum aos petistas, Dilma apoiará isto na maior cara de pau e o fanatismo dos cultuadores da personalidade de Lula fará o resto.

Me parece que no processo de faxina iniciada pela Lava Jato, com a primorosa atuação da PF, do MPF e de juízes federais, tem feito a cabeça de muita gente por que o repúdio aos corruptos já atinge mais de 90% dos brasileiros.

É por isso que o emprego do verbo deletar do lulopetismo na História Política recente não pega bem. Este vilipêndio torna-se repugnante para quem tem espírito patriótico, e indigno até mesmo para as pessoas com discernimento ainda ligadas ao PT e puxadinhos.

 

SONHO MEU

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Vai mostrar esta saudade, sonho meu/ Com a sua liberdade, sonho meu” (Dona Ivone Lara)

O meu sonho não alcançará os 600.000 anos que a História da Humanidade registra com as andanças do ser humano já dotado de inteligência. Apenas passa pelas lições de Maquiavel e o famoso discurso de Martin Luther King.

Desejo este sonho para suceder ao terrível pesadelo que me atormenta e que aflige e que revolta milhões de brasileiros sofridos ao ver a nossa Pátria refém de quadrilhas políticas infiltradas nos três poderes da República. Esta sensação de angústia oprime a Nação inteira.

Embora acordados, vivemos um pesadelo que sobretudo nos humilha por ver o País sem lideranças patrióticas, sem ordem, espoliada por grupos desonestos, enfrentando toda sorte de calamidades sociais.

Além de todos esses males, estamos na mesma situação em que Maquiavel, dando conselho ao duque Francesco Sforza, governante de Milão, lembra que “ao estar desarmado se obriga a ser submisso, e isso é uma das infâmias de que um príncipe se deve resguardar”.

Ora, bastamos substituir “príncipe” por “cidadão” para mostrar a nossa realidade de brasileiros submissos a pessoas que gozam de foro privilegiado, que andam com guarda-costas e carro blindado, e suspeitosamente pregam com lindos argumentos o desarmamento da cidadania.

Pulando do século 15, da Itália dos Príncipes, para a atualidade, completamos a descrição no pesadelo que se abateu sobre nós, com Martin Luther King, que discursou: “Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto evidentes que todos os homens são criados iguais”.

Passaram 54 anos que o grande líder norte-americano se referiu ao seu País como nós queremos aludir ao nosso, onde é insuportável ver a Constituição rasgada por pessoas e corporações que se consideram “mais iguais do que os outros”.

No Brasil, os governantes, parlamentares e magistrados são figuras monstruosas no meu pesadelo. A sua conformação assombrosa aterroriza. Sua presença é repugnante, mas as suas ações, porém, mais do que assustam, me revoltam.

Vejo um Presidente da República gastar bilhões do Erário para escapar de um processo onde é acusado e se diz inocente. Ora, se é inocente, por que evita ser julgado? Ao seu lado, deputados mercenários, traindo o compromisso com seu eleitorado trabalham a soldo pelo próprio interesse.

E há os juízes, fechando o firo no jogo corrupto dos três poderes. É inimaginável vermos muitas sentenças com corruptos, assaltantes do dinheiro público, gozando de liberdade graças a filigranas jurídicas e, pelas mesmas escamoteações, tendo o bloqueio dos seus bens liberado.

No sonho meu, com a liberdade inspirada por dona Ivone Lara, obrigo-me a livrar as caras de alguns governantes, parlamentares e juízes. Seria errado generalizar a feiura ética e moral dos figurantes que protagonizam a farsa da infeliz República Brasileira.

Como não citei nomes dos monstrengos do meu pesadelo, também não menciono as suas (raras) exceções que enfeitarão o sonho que espero sonhar em breve…

 

 

NANISMO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Se o governo comprar um circo, o anão começa a crescer” (Delfim Netto)

Homens e mulheres que desejam o bem da humanidade vibram com o progresso da ciência e o desenvolvimento da nanotecnologia para o domínio da natureza e o bem-estar dos povos, eliminando a fome da face da Terra.

Este “nanismo” está presente na manipulação de átomos e moléculas, que permitem produzir minúsculos componentes auxiliares das pesquisas, facilitando descobertas industriais. E é bem-vindo.

O “nanismo”, entretanto, não está somente na escala nanométrica aplicada à produção de circuitos e dispositivos eletrônicos. Chega ao ser humano como um transtorno físico caracterizado pela deficiência de crescimento nos indivíduos.

Por carência nutricional, especialmente de proteínas e calorias, registram-se casos de pessoas cuja altura é muito menor do que a média dos demais membros na mesma população. Esta situação incide principalmente nos países subdesenvolvidos.

Estudos sobre a ocorrência de nanismo humano ocorreram tempos atrás no Nordeste Brasileiro, mas sem qualquer comprovação científica. Mesmo assim, teses acadêmicas provocaram censos escolares nos Estados do Ceará, Paraíba e Piauí para verificação de déficit estatural.

Na administração pública, na política e na Justiça encontramos uma contradição: é o gigantismo burocrático criando escândalos de corrupção, como o que ocorreu 24 anos atrás no esquema conhecido como Anões do Orçamento. Na época, foi um “Deus nos acuda! ”. Hoje é furto de trombadinha. E lá já estava envolvido Geddel Vieira!

A referência ao nanismo também chegou à política internacional quando o Estado de Israel desmoralizou a diplomacia brasileira, então dirigida pelo “comissário” Marco Aurélio “Top-Top” Garcia dirigindo o Itamaraty “do B” fazendo tremerem nos seus túmulos o Barão do Rio Branco e Ruy Barbosa.

O Chanceler israelense indignado com o visível favoritismo do Itamaraty para grupos extremistas palestinos, desdenhando da soberania de Israel e da autodeterminação dos povos, chamou o nosso País de “anão diplomático”.

Temos, também, envergonhados, o nanismo jurídico gerador de impunidade, permitindo que cresçam e se multipliquem libertação dos corruptos que provocam a indignação nacional. A redução da Justiça aumentou com a ascensão do PT ao poder, e o consequente preenchimento das cadeiras do STF ao varejo ideológico.

Os novos “anões” foram os falsos sindicalistas, oportunistas, sem ideologia, e corruptos de índole e formação, receberam as chaves dos cofres das empresas estatais, dos fundos de pensão e dos programas ditos sociais. O Chefão ficou com os bancos públicos, particularmente o BNDES.

Esses anões da pelegagem não roubaram sós: distribuíram com seus associados as sobras do butim. Dessa maneira, arrastaram nesta divisão dos bens públicos aos parceiros ditos “de esquerda” como se viu na Petroquisa.

Fez-se igualmente no Legislativo da mesma maneira, comprando parlamentares mercenários para garantir a “governabilidade”, obedecendo à lição nanica de Fernando Henrique Cardoso, o “presidencialismo de cooptação”, adotado e ampliado pelos pigmeus petistas.

A “honestidade Fabiana”, figura anã de FHC, foi seguida por Lula e o seu fantoche Dilma Rousseff, é, infelizmente, mantido por Michel Temer, o vice que os lulopetistas elegeram ocupando hoje a presidência da República.

GÊMEOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A sutileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes” (Montesquieu)

Volto à tese que se mantém nas redes sociais sobre a identidade geminada do fascismo com o comunismo. O jornalista português José Rodrigues dos Santos levantou uma tese sobre a origem marxista do fascismo, pasmando uns e indignando outros no seio da intelectualidade europeia, muitos ainda presos às teorias econômicas de Karl Marx.

Isto me levou ao estudo a respeito dos gêmeos. Acho que não há ninguém no mundo que não conheça uma pessoa com um irmão gêmeo, uma qualidade especial de irmandade.

Diz-se “gêmeo” de filhos nascidos no mesmo parto. A palavra é originada do Latim, geminus, “dobrado, duplicado, igual”, sinônimo de “dídimo” que por sua vez vem do grego “duas vezes”.

Estrelas idênticas a olho nu representam na Astrologia o signo de Gêmeos que patrocina no mapa astral as pessoas nascidas entre os dias 21 de maio e 20 de junho.

No caso da reprodução humana há nascenças de mais de dois indivíduos tendo sido registrados, nascidos com vida, cinco irmãos; e há algo inusitado, de que gêmeos podem ser fecundados em óvulos fecundados por parceiros diferentes.

Reportando ao estudo de José Rodrigues dos Santos afirmando que socialismo e fascismo são filhos nascidos de Marx, devem ser gêmeos pois vieram à luz ao mesmo tempo, após a 1ª Guerra Mundial; mas não são idênticos.

Além de serem gêmeos bi vitelinos, desiguais, se tornaram inimigos figadais durante a Guerra Civil da Espanha, quando os nazistas defenderam o caudilho Francisco Franco contra a República defendida pelos comunistas.

Isto criou a ideia de que se tratam de duas doutrinas opostas, de um lado a direita nacionalista e do outro, os esquerdistas internacionalistas. Entretanto, tratou-se apenas de lados opostos num só plano.

Apesar disso, os fascistas negros e vermelhos convergiram algumas vezes, com os codinomes de comunismo e nazismo; ocorreu, por exemplo, no pacto Molotov-Ribentrop promovido por Hitler e Stálin para invasão da Polônia. Depois, no correr da História estas variantes do marxismo se dividiram politicamente.

Ambos deixaram, porém, uma herança sórdida: o “populismo”, adotado por esquerdistas intelectuais e pelegos sindicais, filhotes bastardos de Mussolini. Os dois se confundem pela adoção da arte de enganar, através de estratagemas, mentiras, fraude e até da violência para conquistar e manter-se no poder

As ilações das pessoas mais velhas, nascidas na década de 1930, deduzem historicamente esta versão, que é ignorada pelos jovens que sem a vivência e por não estudar as experiências capituladas na História.

Explica-se assim a busca desesperada dos populistas latino-americanos de estabelecer ditaduras antidemocráticas, mas “legais”. Ocorreu na Venezuela, onde implantou-se uma ditadura, que no Brasil foi almejada pelos lulopetistas. Aqui, pelo despreparo intelectual, incompetência e corrupção, perderam o bonde da História…

A ditadura populista foi abortada no Brasil pela degeneração do Partido dos Trabalhadores, cujas hierarquia e burocracia transformaram o partido numa seita para usá-la como organização criminosa. Manteve-se graças ao culto divinização de Lula, arrecadação de propinas, assaltos às empresas estatais e roubo nos fundos de pensão.

Como o nazismo foi destroçado na 2ª Guerra Mundial e o comunismo ruiu soterrado sob a queda do Muro de Berlim, a faxina promovida pela PF, MPF e juízes federais, o populismo dos pelegos lulopetistas está chegando ao seu fim….