Artigo

SEITA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected]

“Toda seita é uma bandeira de erro. Não há seitas na geometria… “ (Voltaire)

Seita, do latim secta – “secionar”, “dividir”, “sectar”, é um conceito utilizado para conjuntos de pessoas unidas para professar doutrina, ideologia, sistema filosófico ou político adotados coletivamente.

O “Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, qualifica “seita” como “sistema que se afasta da crença ou opinião geral”. E o Aurelão registra que “seita” é um grupo coeso de pessoas que participa de uma doutrina comum.

Há quem observe que “seita” seria uma organização contra um meio que considera hostil ou descrente. O grupo então se fecha e vê o restante da sociedade como má, passível de punição.

As seitas estudadas pela História têm formação diversa, de caráter científico, filosófico, político ou religioso. A antiguidade grega registra o pitagorismo, liderado pelo filósofo e matemático Pitágoras de Samos.

Nas chamadas grandes religiões encontramos milhares de seitas. O islamismo tem dezenas e muitas separações também dividiram o cristianismo, particularmente com os cismas da Igreja Católica.

Movimentos nacionais romperam com o Vaticano, sendo o principal o   anglicanismo, no Reino Unido. Temos também igrejas particulares, como as Igrejas Católicas Orientais, as Igrejas Ortodoxas Russa e Grega e a Igreja Católica Copta.

Quanto ao movimento protestante, aparecem os pentecostistas, metodistas, Assembleia de Deus, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová e os Mórmons, fora as denominações que grassam no Brasil.

Há também as seitas esotéricas, sendo a principal delas a Rosa-cruz; e, mais recentemente, a Igreja da Cientologia, também conhecida como Dianética.

Na política, agruparam-se autodenominados socialistas, proudhonismo, georgismo, fabianos e marxistas, sendo estes últimos subdivididos em marxismo-leninismo, stalinismo, trotskismo e maoísmo.

No Brasil, os aderentes do stalinismo e do trotskismo, antagônicos, (Trotsky rompeu com Stálin), ambos de ideologia totalitária, que se juntaram a outras tendências para fundar o PT, inevitavelmente transformado numa seita de fanáticos com uma teoria política narcopopulista de orientação bolivariana.

É impressionante a adesão confusa a um partido de flagrantes distorções ideológicas, com militantes praticando o culto da personalidade de Lula da Silva, um pelego sindical astuto e psicótico.

O nível mental desses militantes lulopetistas se justifica com as últimas declarações de Lula, que depondo como réu num processo que o julga por tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato, esbravejou contra o bombardeio de denúncias que o envolvem, e se comparou com Deus.

Disse (e está gravado): “Se o senhor soubesse quantas pessoas usam o meu nome em vão. As pessoas tinham que ler mais a Bíblia para não usar tanto o meu nome em vão”. Este tresloucado disparate deixou os lulopetistas contritos (e alguns ajoelhados).

Felizmente os lulopetistas se reduziram a um pequeno número. O fracasso da “greve geral” que convocaram trouxe-nos a alegria de constatar que os aderentes diminuíram bastante.

São poucos os que ainda cultuam a figura obscena de Lula, que pôs o Brasil em estado pré-falimentar pela incompetência e pelo roubo. E, com mil aleluias, vimos que o Pelegão está agora na “Lista de Janot” e que irá enfrentar Sérgio Moro no juizado de 1ª instância para uma condenação exemplar.

 

 

 

SEM-FUTURO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro.” (John Kennedy)

A reforma da previdência é necessária e urgente para garantir os benefícios dos contribuintes passados, presentes e futuros. Infelizmente não é assim que vê a oposição populista – autodenominada “socialista”. Os sem-futuro.

É claro que para os estudiosos do problema, que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir não creem no alardeado “rombo na Previdência”. Os que assim consideram escondem a massa de devedores da dupla contribuição, dívida que chega a trilhões. Estão aí, entre os maiores, com bilhões de reais caloteados, a massa falida da Varig e a JBS/Friboi, onde a Famiglia Lula da Silva tem interesses.

Os sem-futuro, na maioria “parasitas do dinheiro público” como se refere um editorial do Estadão, fazem de tudo para contaminar as reformas. A pelegagem se mostra hostil, incapaz de assumir responsabilidades. Entre eles se apresenta o pelegão Paulinho da Força, dono do partido fisiológico Solidariedade.

Há nos demais partidos – para não falar da esquerda bolivariana, PT e seus puxadinhos – parlamentares que, por demagogia, se mostram “defensores” dos contribuintes, sem levar em conta a realidade.

Entretanto, cobradas as dívidas, que é uma exigência nacional, o projeto traz medidas positivas nas regras de transição e a proposta de que os benefícios se desliguem da referência com o salário mínimo.

É preciso destacar, particularmente, a conjuntura de que a população brasileira está vivendo mais, com mais idosos do que no século passado. Uma conquista maravilhosa que deve ser acompanhada de garantias vindouras, já que as novas gerações que sustentam o espólio previdenciário, diminuem.

Uma verdade incontestável é que os governos dos três níveis, federal, estadual e municipal, nunca levaram a sério o fundo previdenciário, usando-o a seu bel prazer e distribuindo benesses a torto e direito.

Veja-se que a União se responsabiliza por privilégios colonialistas, atendendo políticos, com aposentadorias e pensões absurdas e militares, que mantêm vantagens próprias diferenciadas dos demais. Os Estados gastam inexplicavelmente R$ 35,8 milhões por ano com pensões de ex-governadores e viúvas.

Com esta constatação é fácil provar que a soma dos calotes com os disparatados privilégios para algumas categorias, que existe um “rombo”; um enganoso argumento dos que resistem às reformas.

Outras deduções ilusórias dos sem-futuro, está na diferenciação de gênero, distinguindo a mulher trabalhadora – que já goza de vários benefícios – do homem trabalhador, usando a “dupla jornada” (no trabalho externo e na moradia) como se atualmente os homens, em grande parte, também não se submetessem a este expediente.

É preciso que tenhamos a obrigação de olhar para o porvir. Não é o destino que vai construir a base previdenciária para atender quem contribui durante anos como garantia de uma velhice tranquila.

Sei, e não me sinto solitário, que tais considerações não agradam a muitas pessoas, mas é preciso que alguém fale e diga tudo para garantir que os contribuintes obtenham o direito adquirido da aposentadoria integral.

E isto não ocorrerá sendo negada a Previdência aos que têm direito, se forem mantidos privilégios que favorecem aqueles que são “mais iguais do que os outros”…

 

 

 

COMPROMISSO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O que destrói a humanidade? Política, sem princípios; Prazer, sem compromisso; Riqueza sem trabalho; Sabedoria sem caráter… (Mahatma Gandhi)

Anos atrás me empolguei com o livro de Howard Fast intitulado “Compromisso”. Um dos meus autores norte-americanos preferidos, Fast conta a história de um jornalista impedido de publicar uma reportagem sobre a fome em Bengala, na Índia, pela censura branca dos donos dos jornais.

Por denunciar o colonialismo inglês atuando na Índia durante a 2ª guerra, o repórter é perseguido e termina acusado de subversivo, sendo preso pelo Comitê McCarthy a pedido do serviço secreto britânico, na época policialesca que envergonha os EUA na História da Humanidade.

Compromisso é um substantivo masculino que vem do latim, “compromissus”, particípio passado do verbo “compromittere” que, por sua vez, se origina de “promessa”, ou seja, “com promessa”.

Há, em hebraico, ao menos duas palavras com a mesma raiz de Elohim, deus, “aquele que se compromete e cumpre”, ambas expressando diretamente uma promessa ou juramento.

A primeira é alah, e diz respeito ao compromisso objetivo, à descrição do que é acertado; e a segunda, davar, referindo-se à palavra emprenhada para cumprimento de uma promessa tenha o promitente a consciência de suas implicações ou não.

Nas línguas neolatinas, a sinonímia de “compromisso” é riquíssima: além de promessa escavaquei acordo, ajuste, combinação, convenção, contrato, palavra, pacto, tratado, trato…

Compromisso é uma obrigação que os políticos brasileiros não cumprem. De tal maneira é o desprezo que os parlamentares sem o menor pudor descumprem as suas promessas e rasgam os contratos, que provocam indignação e revoltam a cidadania.

Será uma injustiça, porém, limitar ao Poder Legislativo esta ignomínia. A infâmia contamina a vida política nacional de cima para baixo, do presidente da República aos prefeitos, passando pelos governadores. E tem mais, o Poder Judiciário não escapa da perda de credibilidade, com desembargadores e juízes que vendem sentenças.

Do ponto de vista histórico, uma coisa é indiscutível: foi a pelegagem lulopetista, quando chegou ao poder, que institucionalizou o desprezo pelas obrigações contraídas. A começar pela traição ao programa do próprio partido e a aliança com os 300 picaretas do Congresso.

A expressão “ter um compromisso” nada significou para Lula da Silva e seu poste, Dilma Rousseff quando exerceram a presidência da República.  E não somente isto: além de lavarem as mãos – como Pilatos – diante da corrupção dos partidários, parceiros e aliados, participaram da roubalheira com um cinismo de corar uma estátua de mármore.

A triste constatação de um Brasil despojado dos valores éticos e morais, e a total falta de compromissos dos dirigentes constitucionais nos levam a crer na necessidade de passar uma borracha nas instituições para recomeçar do zero…

Como a esperança é a última que morre, daremos mais uma chance ao Poder Judiciário (leia-se STF), para que assuma o compromisso de cumprir a lei, punindo os empresários e políticos corruptos sejam quais forem, e a qual partido pertençam ou sirvam.

Para isto devemos revigorar o entusiasmo patriótico e voltar às ruas. Um País contaminado pela corrupção, com as casas do Congresso conspurcadas, o STF semi-partidarizado e a Presidência cercada pelos que querem acabar com a Lava Jato não há outra saída: “Às ruas, povo brasileiro! ”

MARCHINHAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho”. (Carlos Drummond De Andrade)

Acho que foi o diabo quem inventou essa história do “politicamente correto”. No carnaval é que se vê que esta barbaridade está na contramão da alegre confraternização social. Lembrando que é a inversão de valores que domina os temas carnavalescos.

Essa desgraça que se abateu sobre o mundo é a razão do fim das marchinhas políticas, caricaturais, denunciantes e de protesto. Na minha juventude cantei e gravei marchinhas do desabafo popular, começando por “DAQUI NÃO SAIO” de Paquito e Romeu Gentil.

Lembrando a agonia de despejo forçado pela modernização urbana do Rio de Janeiro, cantamos “Daqui ninguém me tira/ Onde é que eu vou morar/ O senhor tem paciência de esperar/ Inda mais com quatro filhos/ Onde é que vou parar? ”

Os protestos da época induziram uma nostalgia pelo governo de Getúlio Vargas e os compositores Haroldo Lobo e Marino Pinto “estouraram” no carnaval de 50 com “RETRATO DO VELHO” fazendo o povo cantar: “Bota o retrato do velho, outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho/ Faz a gente trabalhar”.

Eleito Getúlio, o Rio de Janeiro sem autonomia política, sofria problemas estruturais, o que levou Vitor Simon e Fernando Martins a comporem “VAGALUME”, o protesto uníssono dos cariocas: “Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/ De dia falta água/ De noite falta luz. ” Sobre o mesmo tema, apareceu em 1954 “TOMARA QUE CHOVA”, de Romeu Gentil e Paquito: Tomara que chova/  Três dias sem parar (bis)/ A minha grande mágoa/ É lá em casa não ter água/ E eu preciso me lavar”…

Na minha velha cabeça sempre achei que as marchinhas traduziam o contentamento coletivo do reinado de Momo… E são insuperáveis. Há pelo menos umas 100 que se tornaram clássicas, e hoje mais fortes do que nunca pela bestialidade das proibições.

A mais antiga, e ainda cantada, é a “ABRE ALAS” da inolvidável Chiquinha Gonzaga. E vieram depois com a força da tempestade “LINDA MORENA” (Lamartine Babo), PIERROT APAIXONADO (Noel Rosa E Heitor Dos Prazeres) e “MAMÃE EU QUERO” (Jararaca e Vicente Paiva).

Me perdoem os “politiqueiros corretos” que não passam de uma tomografia computadorizada da imbecilidade reinante entre os que se autodenominam de “vanguarda”. Adoro “O TEU CABELO NÃO NEGA”, de Lamartine Babo; a MULATA É A TAL” (Braguinha-Antônio Almeida) e “NEGA MALUCA” (Fernando Lobo-Evaldo Rui). Procuro e não acho racismo nas letras destas canções.

Tampouco encontro misoginia e preconceitos em “ALLAH-LÁ-Ô” (Haroldo Lobo-Nássara), “AURORA” (Joel e Gaúcho), “NÓS OS CARECAS”, “MARA ESCANDALOSA”, “SASSARICANDO”, “BALZAQUEANA”, (Wilson Batista) e “CABELEIRA DO ZEZÉ”.

Ainda lembrando os protestos, tivemos “PRAÇA ONZE”, “ZÉ MARMITA”, “ACENDE A VELA”, “TOMARA QUE CHOVA”. Mas quando o romantismo aflorava, entoávamos “TAÍ” (Joubert de Carvalho) e “QUEM SABE, SABE” (Jota Sandoval-Carvalhinho).

Sob o domínio da alegria pura, dançávamos com a CHIQUITA BACANA” (Haroldo Lobo e David Nasser), “TOURADAS EM MADRI” e “YES, NÓS TEMOS BANANA” (Braguinha e Alberto Ribeiro). “SACA-ROLHA” (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ” (Ivan, Homero e Glauco Ferreira) e “CACHAÇA”(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato).

Dito isto, vê-se que abomino o “politicamente correto”, que não passa de uma “PIADA DE SALÃO” (Klecius Caldas e Armando) …

 

TONS DE CINZA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O ser humano se engrandece no exato grau em que trabalha para o bem-estar do seu semelhante” (Mahatma Gandhi)

O Programa “Estúdio I” da G. News, sempre nos leva a trocar de canal para não ouvir intervenções idiotas dos lulopetistas enrustidos que ali pululam. Outro dia, num intervalo dos inconsequentes ataques a Trump (marca registrada da Globo), trouxeram quase 15 minutos de críticas a João Dória, o prefeito da capital paulista.

Único argumento: “Dória está pintando a cidade de cinza”. As moiçolas vespertinas, posando de “gênias”, engatam a quinta marcha na contramão da opinião pública. Não veem Dória flanando nas pesquisas que lhe deram 44% de ótimo e bom e 33% de regular, somando 77% de aprovação. Contra ele, o cabalístico e malfadado 13% do fanatismo lulopetista.

Contra Dória, que em menos de dois meses trouxe medidas e realizou programas de agrado popular, os opositores gratuitos só têm um argumento, injustificável, idiota mesmo, reclamando que ele está pintando a cidade de cinza.

Dória tem dado um banho nos políticos profissionais como administrador. Empresário bem-sucedido (pelo trabalho, não é nenhum Eike Batista, glória empresarial do PT), organiza São Paulo estabelecendo responsabilidades pela produção e traçando metas exequíveis. Isto vem se refletindo em todo País…

Em 30 dias obteve resultados que a grande maioria de prefeitos não realiza nos quatro anos de mandato. O primeiro balanço mensal da sua gestão dá inveja aos cidadãos e cidadãs bem informados de outros estados. Além disto, Dória presta contas à população diariamente, através das mídias sociais, ou seja, sem propaganda paga.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização”.

Vestiu um macacão e foi às praças, com a indispensável ajuda do secretário Gilberto Natalini. Assim, revitalizou o Parque do Ibirapuera, que estava abandonado. No Ibira, recuperou os banheiros públicos e o parquinho a custo zero para a Prefeitura. O seu projeto “Cidade Linda” chegou ao centro da cidade e entregou praças na periferia à população, com replantio de grama, flores e instalação de bancos.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização!

A avaliação nas pesquisas do trabalho que Dória vem realizando lhe faz justiça: O Prefeito vestiu uma bata de enfermagem e o Programa Corujão Saúde já realizou mais de 70 mil exames atendidos pelos melhores hospitais particulares.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

No campo da economia a Prefeitura tem recebido doações das empresas paulistanas para as benfeitorias em diversos bairros e economizou 10 milhões por mês dos cofres municipais cortando o aluguel de carros e vans.

Pelo lado social Dória realizou a façanha de manter as passagens de ônibus a R$ 3,80, enquanto as cidades do entorno subiram para R$ 4,20 ou mais. Imprimiu melhorias nos albergues para o povo da rua com a ajuda de uma rede de hotéis e distribuição de produtos de higiene doados pela Unilever.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

Os “movimentos tentáculos do PT”, autodenominados “populares”, estão paralisados diante do apoio crescente do povo paulistano ao modo de governar de Dória. A efetivação de parcerias público privadas efetivas, o apoio dado pelo empresariado e o trabalho permanente e ininterrupto do Prefeito e seus auxiliares entusiasmam tanto que voluntários de todas as classes sociais acorrem para colaborar com a limpeza das ruas e das praças.

“…  Mas Dória está pintando a cidade de cinza”. De vários tons de cinza, um para cada realização.

DESTOANTE

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo” (John Lennon)

Uma viagem pelo interior dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte nos esclareceu muita coisa sobre a situação destoante que o Brasil atravessa e nos leva a lamentar o que ocorre na Região Nordeste invadida por uma modernidade – entre aspas – que degenera a sua rica cultura.

Vejam só: na minha querida Guarabira, capital do Brejo Paraibano, quis levar o acompanhante, meu amigo Augusto Lula – vídeomacker e fotógrafo apaixonado – para um restaurante que conheci anos atrás e comer lá o excelente picado que oferecia. No lugar da casa de pasto, encontramos um Subway…

Em vez de uma célebre oferta de carne-de-sol, montaram uma Churrascaria Paraguaia: – “Não se aborreça”, disse-me Lula, “tudo é passeio”. Teve razão: rodando pela periferia encontramos o Bar da Barata – do homônimo Lula meu velho amigo. Quando os apresentei, Augusto, amostrado, se identificou: – “Lula Dez Dedos”, o dono do bar, repentista, retrucou: – “Lula De Uma Perna Só”; perdera um membro inferior num acidente…

Fomos bem tratados ali. Perguntado porque a casa se chamava “Bar da Barata” o Lula De Uma Perna Só, falou que ali havia uma imensa quantidade dos ortópteros, e justificou: – “Mas só tem daquelas pequeninhas”…

A cordialidade e generosa atenção dos guarabirenses continua a mesma; mas não se dão conta de que a sua cidade está se transformando. Para pior.

Em Bananeiras, nas vertentes da Serra da Borborema, quisemos almoçar a famosa fava, iguaria regional. Já não era a mesma, e defronte do Bar da Fava uma franquia de uma loja de moda feminina paulista. No lugar de um queijeiro de Monte Alegre, montaram uma revendedora de motocicletas.

Ensinaram-nos onde encontrar queijo de coalho de qualidade. “Mais adiante na entrada de Brejinho, ao lado do antigo Cabaré de Maria do Gancho, vocês acham”. Que nada! Era uma casa de lanches especializada em hambúrgueres. Em Brejinho, cidade respeitada pela excelente qualidade da farinha ali feita, não a encontramos.

Seguindo para Natal, escolhemos ir por Monte Alegre e perguntamos se a estrada estava boa. – “Tem uns buraquim”. Monte Alegre é a cidade onde nasceu e cresceu o governador do Rio Grande Norte, e a sua estrada é intransitável.

Tudo o que vivemos destoa, do verbo destoar, figurativamente, que tudo está se tornando inconveniente; impróprio. Chocou-me encontrar no Nordeste tradicional o retrato do nosso pobre Brasil; uma radiografia da situação que nos aflige na mutação que vem de cima para baixo.

Esta alegoria nos leva ao que ocorre na política do presidente que foi eleito pelo lulopetismo e seu governo montado na base do PMDB corrupto dos Sarney e Renan Calheiros. Os “buraquim” se multiplicam vergonhosamente. As eleições de Eunício e Maia para o Senado e Câmara são buracos imensos. Crateras.

Para fechar o firo, vai para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado o corrupto Edson Lobão. Repetindo a história da raposa tomando conta do galinheiro.

Neste quadro é impossível deixar de acreditar que estão armando uma arapuca para a Operação Lava Jato. De nome em nome, projeto em projeto, medida em medida vai-se preparando um bote sobre a Polícia Federal, o Ministério Público e a justiça boa e perfeita praticada pelo juiz Sérgio Moro.

Apesar desta nostálgica crônica me nego a omitir que atravessamos uma situação extremamente difícil por causa daqueles que se assenhoraram do poder no País, seja federal, estadual ou municipalmente…

Torna-se intolerável aceitar a conjuntura política que atravessamos. Um Executivo que executa o compadrio; um Legislativo que legisla em causa própria; e, um Judiciário fatiado por interesses partidários. Nesta destoância, cabe a pergunta: “O que fazer? ”

 

 

ELEIÇÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Nessas eleições tem que andar com óleo de peroba em spray, porque tem muita cara de pau por aí”    (El Padre)

Estamos às vésperas de duas eleições importantes. Elas representam a indicação dos presidentes da Câmara Federal e do Senado. Os nomes que aparecem encabeçando as chapas das mesas diretoras nos enojam e nos fazem duvidar se vivemos mesmo numa Democracia – com “D” maiúsculo.

O substantivo feminino “eleição” é dicionarizado como “ato de eleger”, o que não quer dizer muita coisa… A democracia grega elegia os “arcontes”, uma espécie de primeiro ministro, e nos países de língua neolatina, a palavra vem do latim, “electìo”, que significa “escolha”. Eleger é escolher.

O processo democrático para designar dirigentes a cargos públicos é uma votação para eleger pessoas afim de exercer um poder. Neste caso, a República Brasileira é falha: elegemos os representantes dos poderes Legislativo e Executivo, mas não os membros do Judiciário.

As tais eleições nas casas do Congresso ocorrerão no 2 de fevereiro sem a participação popular; seus membros escolherão os dirigentes, cujos nomes saem do bolso do colete dos “líderes” e um deles é sempre bafejado pela Presidência da República.

Na Câmara paira uma dúvida: o seu regimento proíbe que o presidente da Casa dispute a reeleição. Exercendo o mandato após o afastamento de Eduardo Cunha, o deputado Rodrigo Maia lançou-se candidato desprezando o Regimento. Argumenta que assumiu apenas um “mandato-tampão”, mas sofre contestação.

Juristas diversos consideram inconstitucional a reeleição de Maia, que ficou determinado oficialmente que cumpriria seu mandato até fevereiro de 2017. Está nas atas da Câmara. Caberá, entretanto, ao STF decidir sobre a constitucionalidade desta candidatura.

Maia é candidato da base do governo e tem o apoio de Temer “por baixo dos panos”… E, até agora, não surgiram candidatos para enfrenta-lo com força. Os que apareceram vêm do “centrão” a bancada indefinida que elegeu Eduardo Cunha e que se julga em condições de eleger um dos seus.

Assim apareceram Jovair Arantes, do PTB, Rogério Rosso, do PSD e André Figueiredo, do PDT, este último apresentando-se como representante do lulopetismo, esperando que o afastamento de Maia permita-lhe ser o candidato do PT e satélites, como PCdoB, Psol e outros menos expressivos.

No Senado, o quadro é ainda mais sombrio. O candidato único é Eunício de Oliveira, indicado por Renan Calheiros, o que diz tudo. Empresário do agronegócio, apesar de possuidor de vasto latifúndio e cerca de setenta imóveis rurais em Goiás, conta com o apoio do lulopetismo.

O cenário destas eleições se complica ainda mais se o STF homologar as delações premiadas dos executivos da Odebrecht, principalmente do “príncipe” Marcelo, e vai piorar ainda mais se Eike Batista for preso, trazendo na bagagem o envolvimento das figurinhas carimbadas envolvidas no processo.

Estamos fartos das artimanhas políticas que se desenrolam nos três poderes da República. É insuportável ver-se que do mesmo jeito com que as facções criminosas dominam os presídios, o Brasil tenha os poderes exercidos por quem trocou o “Curriculum vitae” pela ficha policial.

 

ALGORÍTIMO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Você quer passar o resto da sua vida vendendo água com açúcar ou quer uma chance de mudar o mundo? ” (Steve Jobs)  

Algoritmo foi indicada como “a palavra do ano” pelo dicionário “Oxford”, uma das referências mais importantes do mundo para a catalogação de novas palavras e expressões. É, entretanto, uma palavra antiquíssima, usada na Mesopotâmia e Egito antigos.

Foi usada e popularizada matematicamente por Euclides, um dos grandes professores da famosa escola de matemática de Alexandria, conhecida como “Museu”.

Todavia a sua etimologia é mais recente e discutível: uns pesquisadores citam sua origem no sobrenome Al-Khwarizmi, do matemático persa do século IX Mohamed ben Musa; outros defendem a origem da palavra em Al-goreten (raiz – conceito que se pode aplicar aos cálculos).

O “algorithmus infinitesimais” ´é utilizado para significar “maneiras de calcular com quantidades infinitésimas” (pequenas), uma invenção de Leibniz. Também é conhecido no meio financeiro, como “algos”.

Para se popularizar com a força que tem atualmente, o termo entrou na economia, na política e até ilustrado em receita culinária, como registra Alecio Soares Silva na sua tese de conclusão do curso na Universidade Federal de Campina Grande (Paraíba).

Essa “simplicidade”, porém, não é tão simples… Os algoritmos podem ser muito complexos. Eles “repetem passos (fazem interações) ou necessitam de decisões (tais como comparações ou lógica) até que a tarefa seja completada”.

Essa complexidade está, por exemplo, no conceito de um algoritmo que foi formalizado em 1936 pela Máquina de Turing de Alan Turing e pelo cálculo lambda de Alonzo Church, que formaram as primeiras fundações da Ciência da computação.

Embora não represente, necessariamente, um programa de computador, foi neste campo que matamos a charada: a Ciência da Computação define o uso do computador na realização de várias tarefas e, quando se trata de formar opinião pública, torna-se uma gigantesca força política.

O processo, segundo Christian Sandvig, professor de ciência da informação da Universidade de Michigan, é que “O algoritmo e o usuário coproduzem o feed”: “O computador te observa e aprende com o que você clica. Ao mesmo tempo, você decide como responder ao que ele mostra a você. ”

O Facebook – a rede social mais popular do mundo, com 1,59 bilhão de pessoas conectadas – reconhece que “o volume de conteúdo criado e compartilhado é proporcional ao número de usuários. Assim, o algoritmo é uma forma de permitir que cada pessoa tenha acesso ao que julga mais importante”.

É aí que reside o poder das redes sociais. Muitos tuiteiros desconhecem que a sua atividade comentando, analisando ou denunciando, tornam-se algoritmos, códigos baseados em inteligência artificial que ficam gravados nos sites de comunicação social.

Os algoritmos podem realizar a tarefa usando um conjunto diferenciado de instruções em mais ou menos tempo, espaço, ou esforço do que outros. Dessa maneira, o volume de mensagens se torna uma interação e uma força de expressão notável.

Foi assim que se realizaram as manifestações registradas na “Primavera Árabe” e, no Brasil, a convocação que levou milhões de pessoas às ruas protestando contra a corrupção e a incompetência administrativa do governo Dilma. Também a intervenção das redes sociais contra a nomeação de Lula da Silva para a Casa Civil para livrá-lo da Lava Jato, teve êxito. E assim saiu o impeachment, acabando com a Era PT.

É perfeita a lição de Diego Beas ensinando que “A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado”. O algoritmo deve ser abastecido de mensagens contra a corrupção, os privilégios e a impunidade; pela prisão dos corruptos e do seu chefe Lula da Silva. E conquistaremos esta meta!

 

MORTE

Miranda Sá (E-mail: [email protected])

“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima”. (Rui Barbosa)

Dois grandes luminares da inteligência brasileira, Ruy Barbosa e Machado de Assis nos trazem com seus pensamentos reflexões sobre a morte. Nosso epigrafado abre a perspectiva espiritual de sua continuidade enquanto Machado zomba com a sua repercussão.

Diante da perda de Teori Zawascki, Ruy nos anima pela visão de que com ele nada está aniquilado e renova a esperança de que aquilo que estava fazendo será renovado com mais força; Machado agita a ideia da hipocrisia reinante entre aqueles que o enaltecem agora, como não faziam antes: Escreveu: “Está morto: podemos elogiá-lo à vontade”.

Multiplicam-se os elogios a Teori, morto. Há controvérsias, muitos apontam favorecimentos nas suas decisões. O juiz Sérgio Moro, austero e comedido, não lhe regateou elogio: “Foi um herói”.

É tão difícil o julgamento do Ministro, como a decisão que deveria tomar no caso das delações premiadas da Odebrecht que estudava com os juristas, seus auxiliares. E pela complexidade dos julgamentos, uma coisa é certa: A Lava Jato está perigando.

O ministro do STF, Teori Zavascki, morreu no dia 19 num acidente de avião no litoral do Rio de Janeiro com mais quatro pessoas, em local próximo ao acidente aéreo que nos levou Ulisses Guimarães.

Segundo consta, ele havia decidido interromper as férias para se debruçar no processo da Operação Lava Jato, do qual era relator no STF, como responsável por passos decisivos da megainvestigação relacionados a altas autoridades do País, detentoras de foro privilegiado.

Entre os que deveria julgar estão os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, constando da lista os presidentes da República Michel Temer e do Senado, Renan Calheiros, além de dezenas de parlamentares.

A Infraero informou que a aeronave prefixo PR-SOM, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, decolou às 13h01 do Campo de Marte, na capital paulista, e a queda ocorreu por volta das 13h45, quando o bimotor estava a 2 km de distância da pista do aeroporto de Paraty.

Não obstante a falta de provas de que o desastre não tenha passado de um acidente causado pelas condições meteorológicas, a reconhecida habilidade do piloto, também falecido, e outras versões pouco consistentes, exige-se uma investigação rigorosa e que haja garantias de que a apuração dos crimes persista com integridade.

O Ministério Público, a Polícia Federal e um órgão de investigação da Aeronáutica apuram as causas do acidente que é temido pelo filho de Teori Zavascki como uma sabotagem. No ano passado chegou a publicar um tuíte afirmando temer que algo acontecesse ao pai.

O que ocorre é que nos meios políticos haviam temores pela decisão de Teori, e tal circunstância levanta suspeitas diante de fatos não esclarecidos, coincidentes e duvidosos. Fala-se em “teoria da conspiração”, mas a personalidade, o caso e as consequências da sua falta criam uma situação para isto.

O ministro Teori Zavascki era relator da Operação Lava Jato no STF. Muitos políticos estão envolvidos na delação premiada da Odebrecht e a sua morte virá prejudicar obrigatoriamente o processo da investigação e até mesmo alterar o seu curso.

O poder republicano está com uma batata quente nas mãos: Temer negaceia em assumir a nomeação do novo ministro e espera que Cármen Lúcia decida sobre quem exercerá o cargo de relator da Lava Jato.

O Brasil (83% dos pesquisados defendem a continuidade das investigações) demanda e espera que não se atrevam a tocar na faxina anticorrupção que o juiz Sérgio Moro, o MPF e a PF realizam com eficiência e independência!

 

 

OBSCENIDADE

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“O crime organizado na América rende 40 bilhões de dólares. É muito dinheiro, principalmente quando se considera que a ORCRIM não tem despesas de escritório”   (Woody Allen)

Seguindo o exemplo dos governantes petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff, a corrupção domina a maioria dos estados e municípios brasileiros, e seus agentes, nos três poderes da República, estabeleceram uma “mafiocracia”.

Isto se reflete nos andares de baixo onde o crime organizado em facções regionais se fortaleceu; e, enquanto o poder político aparelhou a máquina administrativa, os bandos criminosos dominaram o sistema presidiário pela condescendência do poder público.

Revoltas pontuais, fugas planejadas e auxiliadas por componentes do sistema prisional, denúncias de agentes públicos honestos, MPs e PF, alertaram o governo formado pelo vice-presidente eleito pelo PT, no exercício da presidência para a situação.

Entretanto, o poder público só acordou quando no Estado do Amazonas explodiu uma rebelião de extrema selvageria com mais de sessenta mortes, pessoas de coração arrancado e corpos decapitados.

Trata-se de uma guerra entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa rival da Família do Norte (FDN). O massacre se repetiu em Boa Vista, Porto Velho, São Luiz, Natal e João Pessoa.

A disputa por rotas de cocaína e contatos nos países produtores de drogas é o motivo principal para o confronto de que participa também o PCC e outros grupos menores, mas a poderosa mídia aponta apenas superlotação e administração das cadeias.

O Sistema Penitenciário Nacional é um arremedo do que poderia ser. Nos Estados Unidos, a Lei de Controle do Crime Organizado isola os líderes e chefetes. Na Inglaterra, que reconhece a existência de 38 mil traficantes em atividade, também os deixa solitários, assim como no México após a implantação da guerra ao narcotráfico. Aqui não.

Existem atualmente quatro penitenciárias federais – no Paraná, Rio Grande de Norte, em Mato Grosso do Sul e Rondônia – com capacidade para 832 presos, aguardando-se a entrega de mais uma em Brasília; todas têm vagas, mas os chefes das facções não são transferidos para elas.

Entre nós, temos tristes exemplos: No RN, onde o levante é um crime continuado, o governador covardemente “acertou” com o PCC a transferência de presos que não pertencem ao “Comando” deixando-lhe Alcaçuz à sua disposição. Revoltante!

Vergonhosamente, uma verdadeira obscenidade, é a entrega das prisões ao crime organizado. E a isso se deve a atual escalada de violência, comandada pelo PCC, o CC e o FDN. Os poucos agentes penitenciários são despreparados e em grande parte corruptos; as polícias militares, desprovidas de meios para uma reação, acovardam-se, e a Força Nacional, neste setor, não diz a que veio.

Assim surgiu a ideia de jerico de convocar as Forças Armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica para assumir o papel de “capitães do mato”.  Estas organizações militares deveriam controlar as fronteiras, reprimindo o tráfico de armas e de drogas, e não guardar prisões.

Infelizmente não há um oficial general para dar um basta nesta idiotice. E assim, o governo central, vacilante e de certa maneira leniente, vai empurrando com a barriga para o problema que já ultrapassa os limites, e chega à imprensa internacional nos envergonhando.

Se as operações criminosas abrem uma guerra, o enfrentamento deve ser bélico. Guerra é guerra e se proporcionar mortos e feridos é apenas uma consequência. Preso revoltado, vandalizando o cárcere, se matando entre si, deve ser punido sem dó nem piedade. Que se dane o “direito dos manos”…