Arquivo do mês: Janeiro 2018

Samuel Taylor Coleridge

Kubla Khan

Em Xanadu, fez Kubla Khan
Construir um domo de prazer:
Onde Alph, rio sacro, em seu afã,
Por grutas amplas e anciãs,
         Ia a um mar sem sol correr.
E as milhas dez de fértil terra
Cingiam-se em fortins de guerra:
E nos jardins corriam os canais
Por incenseiros sempre a florescer;
E bosques como os montes, ancestrais,
Que o verde ensolarado ia envolver.

         E, ah! a fraga romântica inclinada
         Outeiro abaixo, de um cedral frondoso!
         Visão selvagem! Sacra e encantada,
         Como a minguante, de uivos assombrada,
         Da jovem por seu infernal esposo!
         E um caos da fraga irrompe, fervilhando,
         Como se fosse a própria terra arfando,
         Estouram fortes fontes, que, em momentos,
         Num jato atiram colossais fragmentos:
         Em arco qual granizo ao chão caído,
         Ou grão com joio no mangual moído:
         E em meio às rochas nessa grande dança
         Perene, logo o sacro rio se lança.
         Por cinco milhas na dedálea ida,
         Por bosque e vale, o rio, em seu afã,
         Cruzando grutas amplas e anciãs,
         Afunda em ruído na maré sem vida.
         E nesse ruído Kubla veio ouvir
         A guerra, em voz profética, por vir!

         A sombra do domo de prazer
         Vai pairando sobre as vagas;
         Onde ouvia-se o som crescer
         Pelas fontes, pelas fragas.
Era um milagre do mais raro zelo,
Um domo ao sol com grutilhões de gelo!
         E o que em visão foi-me mostrado:
         Saltério à mão, com voz sonora,
         Era abissínia a donzela
         E, com seu saltério, ela
         Cantava sobre o Monte Abora.
         Se o seu canto e sinfonia
         Pudesse em mim eu reavivar,
         Tal júbilo me venceria
Que co’a canção iria, no ar,
Erguer o domo ensolarado,
O domo! O grutilhão glacial!
E a todos seria mostrado:
Diriam, Cuidado! Cuidado!
O olho em luz, cabelo alado!
O olhar cerre em temor freiral,
E três voltas teça ao redor,
Pois que ele sabe o sabor
Do mel, do leite Celestial.

(tradução de Adriano Scandolara)

JULGAR

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” (Rui Barbosa)

No Japão há um templo que projeta no frontispício as estátuas de três macacos de pedra preciosa, um trio que forma um conjunto inseparável. Os símios usam as duas mãos para cerrar a boca, fechar os olhos e tapar as orelhas. Essas figuras são encontradas hoje como bibelôs em qualquer loja de R 1,99.

É um simbolismo que representa a maneira Zen de fugir à responsabilidade de avaliar, tirar conclusões e julgar o que de real se lhes apresenta. “Não ouça, não veja e não fale. Não sei se os deuses e seus profetas interpretam assim. Creio que não, porque todas as religiões do mundo falam de um julgamento divino nas acepções jurídica, psicológica e religiosa.

Está escrito em Sânscrito e nos chegou através do latim, o verbo Julgar, duplicado em transitivo direto e intransitivo; o “judicare” (julgar) é formado por Jus, “lei, direito”, mais Dicere, “dizer, falar”, significando tomar decisão, deliberar na qualidade de juiz, ou formar conceito, emitir parecer, opinião sobre alguém ou algo.

A nossa cultura ocidental miscigenada com o judaísmo e sacramentada pelo cristianismo expõe como ideal de Justiça os julgamentos conforme o Rei Salomão, que se encontra no primeiro livro dos Reis 3,16-28 este exemplo de isenção e sabedoria.

Todo mundo ouviu um dia a história de Salomão julgando a causa de duas mulheres, que haviam parido ao mesmo tempo e o filho de uma delas foi natimorto. Restando apenas um bebé, ambas reivindicaram a maternidade dele.

Resolvendo a questão Salomão decidiu cortar a criança ao meio e que cada mulher ficasse com uma parte. Uma delas disse: – Ah, meu senhor! Dês o menino vivo, não o mateis. A outra, porém, disse: Já que não será meu, nem teu; dividi-o.

O sábio juiz distinguiu que a verdadeira mãe era aquela que impediu a morte do filho e deu-lhe a posse, enquanto condenou à morte a falsária.

A degenerescência dos costumes herdadas do totalitarismo desumano e a concepção maniqueísta criada pela guerra fria, incentivou o egoísmo, a disputa desregrada pelo poder político e a corrida insana pelo dinheiro. Isto feriu as tradições de respeito humano, subvertendo os conceitos de moral e ética.

Esta revolução nos costumes do século XX envolveu arbitrariamente a todo mundo, e no Brasil, tornou-se inseparável da ganância política e do favoritismo jurídico. Os políticos – em sua maioria – tornaram-se desonestos; e os magistrados – pelos desonestos nomeados – fugiram à responsabilidade de julgar.

Uma ideologia desmembrada de princípios, mesmo aleijada expõe a Justiça a uma tortura diária. Neste momento em que escrevo, milhares de crimes são cometidos; a violência contra a mulher e a criança, o tráfico de drogas, a formação de quadrilhas, o roubo e o assassinato fazem parte do nosso cotidiano.

O culto da justiça como o alicerce fundamental da República e da Democracia está sendo trocado pela paixão partidária, subserviência, interpretação restritiva e prevaricação jurídica, por culpa de alguns juízes

Por defender os poderosos, a Justiça está moribunda. Sua túnica pregueada e os olhos vendados são a própria mortalha, sem a espada e a balança; assim será enterrada em vala comum como indigente e dispensável, sem choro, nem vela…

Esta situação faz-me lembrar Rui Barbosa. Os magistrados envolvidos em tramoias não escaparão ao ferrete de Pilatos: “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde! ”

DIETA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar” (Montesquieu)

Dicionarizada, a palavra “Dieta” é substantivo feminino, usado como termo medicinal como regime alimentar prescrito pelo médico a um doente ou a um convalescente; e também como receita de emagrecimento.

Aliás, a dietética dissocia “dieta” de “regime”. Para eles, a dieta é uma mudança de hábitos alimentares, e o regime é uma restrição de alimentos sólidos e líquidos para obter um resultado em curto prazo para o emagrecimento.

É interessante irmos à etimologia do termo “dieta”, do antigo grego diaita, tem um sentido econômico, com significado de ficar empobrecido; não difere muito do sentido de “perder peso”…

Tanto uma versão como a outra ensina a comer. Para o emagrecimento existem um sem números de dietas, que os nutricionistas científicos sugerem aos seus pacientes e, multiplicadas por mil na interpretação de nutricionistas amadores.

Há um tipo de “dieta”, a japonesa que promete eliminar mais de 6 kg em apenas 1 semana – está no Google – e é interessante que a palavra dieta também indica lá o parlamento, a Dieta Nacional do Japão (国会, Kokkai), bicameral, composto da Casa dos Representantes e a Câmara dos Conselheiros, que indicam ao Imperador um Primeiro Ministro.

Nos dias que atravessamos, preconceitos de toda espécie, as moiçolas andam tão magras que parecem um louva deus; acreditam no disse-me-disse que os homens preferem as magras… Por outro lado, os dietistas “politicamente corretos” aterrorizam as pessoas, dizendo que os gordos morrem mais do que os magros.

Teve até um alucinado que escreveu que “a cada hora que passa, toda gordura em excesso diminui na sua vida uma batida do coração”.  Assim, o estudo das calorias entrou na moda e existem pessoas que as veem num simples cone de sorvete.

Saindo do politicamente correto para outro tipo de politicagem, devia-se aconselhar, isto sim, aos nossos políticos abstinência, jejuns e restrições, para os excessos dos corruptos, expressa na célebre palavra do ex-governador do Rio, amigo e parceiro de Lula, quando se expressou: “abusei”.

O abuso é, em todos os casos, seja em termos biológicos ou no exercício da política, sempre um mal. É revoltante constatar que isto acontece nos dias sombrios que atravessamos, com um governo fraco se debatendo para sair da crise deixada pela incompetente e irresponsável Dilma Rousseff.

A cidadania observa igualmente o estrebuchar do lulopetismo, cujo comprometimento com a corrupção, revolta e arrepia. Às vésperas do julgamento que deverá sentenciar o cultuado chefe do narcopopulismo brasileiro, a Nação fica na expectativa da sua prisão e perda dos direitos políticos.

Jejuno de patriotismo – transferiu o dinheiro resultante do trabalho, das lágrimas e do sacrifício do povo para ditaduras estrangeiras -, Lula, obeso de ganância e amoralismo, deve ser condenado a uma dieta política prisional para o bem do País.

E não se pode ver “um golpe” na punição de um culpado por uma série de delitos cometidos já descobertos e um sem número por descobrir. Foi fácil a dieta para engordar consumindo áureas calorias com o dinheiro público, por que, como diz o pensador Edmund Burke, “quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”.

Também não será difícil corrigir os abusos seguindo uma dieta atrás das grades para emagrecer da gordura trans da maldade acumulada, e corrigir os excessos.

Ferreira Gullar

Não há Vagas

 

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão

 

O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

 

— porque o poema, senhores,

está fechado:

“não há vagas”

 

Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço

 

O poema, senhores,

não fede

nem cheira.

AQUECIMENTO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                                “Eu tive um sonho que não era em tudo um sonho./  O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas vagueavam…” (Byron – “Trevas”)

Foi no Brasil, em 1992, por ocasião da Cúpula do Rio sobre o clima, que se impôs a ideia do “aquecimento global”. Na reunião, em que participaram chefes de Estado de vários países saíram os rascunhos de acordos internacionais para enfrentar a ameaça que, como teoria, não passava de uma hipótese.

A intensa propaganda levada a efeito pela mídia mundial em torno do aquecimento global fez muita gente crer em maus prenúncios para a humanidade. Embora não houvesse uma base científica para isto, definiu-se que se tratava de um processo climático surgido pela liberação de gases com “efeito de estufa”.

Assim foram divulgados alarmantes anúncios de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra, causado por massivas emissões de dióxido de carbono, o metano e os clorofluorcarbonetos, pela liberação da queima de combustíveis fósseis.

A radiação solar, uso da terra, resíduos e lixões, poluição, desflorestamentos e o desmatamento seriam as causas principais do desequilíbrio atmosférico; estes fatos alardeados levaram 196 países a participar do “Acordo de Paris” com o objetivo de limitar o hipotético aquecimento global a 2ºC.

Ser contra este fantástico cenário considerava-se uma insanidade mental, até que o dirigente máximo da maior potência do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do seu País do Acordo de Paris.

Para líderes europeus, a redução do aquecimento global, era uma imposição inarredável, e o próprio Trump, segundo a imprensa norte-americana vacilou em cumprir esta promessa feita na campanha eleitoral que o elegeu: a doutrina America First.

Dirigindo à Nação, Trump disse: “Cumpri minhas promessas uma após a outra. A economia cresceu e isso está apenas começando. Vamos crescer e não vamos perder empregos. Pela gente deste país saímos do acordo. Estou disposto a renegociar outro favorável aos Estados Unidos, mas que seja justo para os trabalhadores, contribuintes e empresas”.

Apesar da massiva campanha feita contra Trump, ele foi apoiado por mudanças climáticas contrárias à ideia do aquecimento global. Um frio extremo cobre os EUA, o Canadá, a Europa e o Norte da Ásia. Chegou até a nevar em Jerusalém…

A História registra que o século 19 passou por uma pequena Era Glacial e o ano de 1816, em particular, ficou conhecido como o ano em que a Primavera não chegou e não teve Verão.

A expressão Era Glacial foi criada pelo cientista alemão Karl Schimper. Ainda no século 19 surgiram teorias sobre as intermitentes épocas de frio e a causa das eras glaciais que a Terra atravessou. Muitos artigos científicos falaram das mudanças cíclicas da órbita terrestre, de elíptica para circular; e no século 20 comprovou-se que o gelo cobrira antigamente todo o planeta.

O mundo científico aceita hoje a relação entre as eras glaciais e a oscilação planetária, sem dúvida mais determinante para o clima do que o chamado efeito estufa. Entretanto, como o sábio Alexander von Humboldt aponta dois estágios na descoberta científica: “primeiro, as pessoas negam a verdade; depois dizem que não é importante”. deixa-nos em dúvida.

Assim,  embora assistirmos hoje uma coisa mais parecida com as eras glaciais do que com as altas temperaturas, “todos nós conhecemos a força das ilusões visuais para levar a mente a perceber as coisas incorretamente” como constatou Bruce Hood  (“The self illusion”).

 

Mário de Andrade

Quando eu morrer quero ficar

 

Quando eu morrer quero ficar,

Não contem aos meus inimigos,

Sepultado em minha cidade,

Saudade.

 

Meus pés enterrem na rua Aurora,

No Paissandu deixem meu sexo,

Na Lopes Chaves a cabeça

Esqueçam.

 

No Pátio do Colégio afundem

O meu coração paulistano:

Um coração vivo e um defunto

Bem juntos.

 

Escondam no Correio o ouvido

Direito, o esquerdo nos Telégrafos,

Quero saber da vida alheia,

Sereia.

 

O nariz guardem nos rosais,

A língua no alto do Ipiranga

Para cantar a liberdade.

Saudade…

 

Os olhos lá no Jaraguá

Assistirão ao que há de vir,

O joelho na Universidade,

Saudade…

 

As mãos atirem por aí,

Que desvivam como viveram,

As tripas atirem pro Diabo,

Que o espírito será de Deus.

Adeus.

 

 

Cony evitava ser “refém de Dilma e Lula” (O Antagonista)

Em setembro de 2016, Carlos Heitor Cony escreveu o seguinte sobre Lula na Folha:

 

“Não lhe adianta acusar as elites, o imperialismo e os golpes que alega estar sofrendo.

 

Na sua primeira investida rumo ao poder, era um líder respeitável e pobre. Levado pelo seu primeiro secretário de imprensa, o elegante Ricardo Kotscho, cheguei a comprar uma camisa do PT para ajudar a sua eleição. Apesar da minha modesta contribuição, ele não se elegeu (votei em Brizola) e deixou de vender camisas, inaugurando uma corrupção que não soube parar e que agora o atinge pessoalmente. A pobre e solitária camisa, que lhe comprei e nunca vesti, não pode concorrer com o mensalão, o petrolão e a Lava Jato.”

PEDRAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

                             “Sombra, chegou a tua vez./ Deverás prestar contas/ de tua vida entre os homens” (Bertolt Brecht – “O processo de Lucullus”)

Faz muito tempo em que li, não me lembro em que livro, ou revista, que o grande Darwin era rigoroso quando tratava de números; chegou até a escrever com exatidão, que encontrara 53,767 minhocas num “acre” de terra, equivalente a 4046.86 m²…

Não foi muito diferente de mim, que contei 46 seixos sobre o túmulo de um cemitério judeu. Como se sabe, é um antigo costume judaico pôr uma pedrinha sobre a sepultura de um parente ou amigo falecidos.

Essa tradição evoca uma maneira de reverenciar o morto, espécie de convite para que ele “se manifeste e repouse” enquanto durar a visita. O número de pedras mostra que o jazigo é sempre visitado.

Um poeta judeu escreveu que “Embora as pedras não ouçam nem consigam ver/ Todas suplicam tristemente para não as esquecer”; e uma piada contada entre eles diz que isto ocorre por serem tão avarentos, adotaram as pedrinhas para economizar o dinheiro gasto com flores…

Josef Breuer, médico e fisiologista austríaco, considerado o pai da psicanálise, comentou certa vez que visitando cemitérios deixava seixos nos túmulos em que não via nenhuma delas.

Pedras também são usadas como punição em sentenças de morte: A Lei de Moisés na Bíblia Hebraica, assim como a Bíblia Cristã, prevê a morte por apedrejamento em dezoito situações, entre elas blasfêmia, bruxaria, homossexualidade, rebeldia dos filhos contra os pais e vários tipos de relações sexuais, com virgem comprometida, enteada, mãe e madrasta.

As pedradas como castigo perduram até os dias de hoje; oficialmente em países mulçumanos> Além de servirem como agressão, a gíria brasileira registra o uso da pedra em diversas situações, como “uma pedra do sapato” falando de incômodo, ou referindo-se a uma coisa boa, “pedra noventa”.

Fala-se também de “pedra lascada”, aludindo a coisa por demais antiga e superada, como conhecemos no Brasil a rotina da corrupção entre os políticos, desde a colônia, mas transparecendo incrivelmente agora após ser institucionalizada nos governos da pelegagem lulopetista…

Com as pedras no xadrez da politicagem que assola em nosso País, joga-se o jogo da fraude, revoltando os patriotas. No momento, assistimos na corrida dos presidenciáveis na campanha pré-eleitoral, velhos atores se apresentando como “o novo”.

… E, muito pior do que a mascarada que estão armando para iludir, mais uma vez, o eleitorado, persiste a cegueira política de colocar Lula da Silva, réu condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre os peões desta enganação demagógica.

Os fanáticos cultuadores da personalidade do chefão da Orcrim – que orienta seus seguidores a defenderem a indefensável ditadura Maduro, da Venezuela –, organizam o confronto com a Justiça e os responsáveis pela segurança pública em Porto Alegre, no julgamento que o levará à perda dos direitos políticos e possivelmente à prisão.

O noticiário da mídia comprometida e dos jornalistas comprados, exalta essa mobilização do PT para levar seus grupos de assalto alcunhados de “movimentos sociais”, para acompanhar o julgamento da apelação da defesa do Corrupto, condenado pela Justiça Federal do Paraná.

O chamamento petista contém palavras-de-ordem para a reação contra o Tribunal de 2ª Instância; e o “exército de Stédile” – o MST terrorista – se manifesta forçando a barra para acampar defronte do órgão, mesmo após a proibição.

A insanidade de uma ideologia corrompida não vê o que a grande maioria do povo brasileiro quer: a punição exemplar para os agentes da corrupção. E Lula é uma pedra no caminho para a afirmação do Estado de Direito vigente.

 

Gilka Machado

Reflexão

 

Há certas almas

como as borboletas,

cuja fragilidade de asas

não resiste ao mais leve contato,

que deixam ficar pedaços

pelos dedos que as tocam.

Em seu vôo de ideal,

deslumbram olhos,

atraem as vistas:

perseguem-nas,

alcançam-nas,

detem-nas,

mas, quase sempre,

por saciedade

ou piedade,

libertam-nas outra vez.

Ela, porém, não voam como dantes,

ficam vazias de si mesmas,

cheias de desalento…

Almas e borboletas,

não fosse a tentação das cousas rasas;

– o amor de néctar,

– o néctar do amor,

e pairaríamos nos cimos

seduzindo do alto,

admirando de longe!…

 

(in Sublimação, 1928)

Ferreira Gullar

Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

— sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena